Análise TeK: Galaxy S7 e S7 edge - o número do equilíbrio dos smartphones Samsung

Os novos topo de gama da Samsung são sérios candidatos ao lugar de melhores smartphones do ano de 2016, introduzindo pequenas melhorias que fazem grandes diferenças, e sabendo manter o que os modelos S6 e S6 edge já tinham de bom.

destaque Galaxy S7 e S7 edge

O TeK já tinha experimentado os telefones num evento reservado em Londres e depois em Barcelona, e agora uma análise mais detalhada confirma as primeiras impressões. Para o bem e para o mal.

Quando iniciamos um teste tomamos sempre como princípio o rigor, isenção e ética jornalística, mas também a visão algo cínica de que não há nada perfeito, e que, se ainda não conseguimos encontrar um defeito, é porque não procurámos o suficiente. Mas a verdade é que se torna cada vez mais difícil encontrar os pontos fracos nos novos smartphones topo de gama.

Temos testado no TeK todas as novas gerações dos equipamentos da Samsung, mas também da concorrência, dentro do mundo Android, como a LG ou a Huawei, e também noutras plataformas, com destaque para o iPhone e o Windows Phone, com os mais relevantes lançamentos dos últimos meses. Contas feitas, os novos Galaxy S7 e S7 edge não ficam atrás de nenhum dos que citámos.

Os novos smartphones Galaxy S7 e S7 edge, que hoje chegaram às lojas em Portugal com registo de grande sucesso nas pré vendas, são sem dúvida os melhores equipamentos produzidos pela Samsung. O que também era de esperar, até porque o contrário significaria um falhanço da engenharia da marca coreana.

A utilização de metal e vidro, o design cuidado e a melhoria da câmara são conquistas dos novos Samsung, assim como a resistência à água e ao pó e a recuperação dos cartões microSD para alargar o espaço de armazenamento local, contam bastante nesta avaliação. E a dualidade entre o “normal” S7 e o mais estilizado edge oferecem a diferentes perfis de utilizadores as opções suficientes para ficarem pela marca que mantém a liderança de vendas.

Para quem quer saber mais, ou tem dúvidas sobre a capacidade dos novos Galaxy de desafiarem outros potenciais “donos” do mercado de smartphones, nas próximas páginas passamos em revista os pontos fortes do S7 e do S7 edge, mas também os pontos fracos. Porque eles existem.

Do design e fabrico à câmara, passando pelo interface e usabilidade, mas também a bateria, tocamos todos os pontos mais relevantes para responder à pergunta obrigatória: vale a pena comprar o S7 ou o S7 edge?

 

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Fátima Caçador

 

 

O tamanho e o design contam, mas não são tudo

As características técnicas mostram poucas diferenças no design entre as versões anteriores dos Galaxy e os novos S7 e S7 edge. O modelo “normal” tem um tamanho de 5,1 polegadas que fica dentro do enquadramento de um telefone suficientemente grande para ver conteúdos multimédia com qualidade sem ser demasiado grande. O S7 edge espicaça mais a curiosidade e o interesse em quem aposta na diferenciação.

Com o design curvo já usado na geração anterior e uma dimensão de 5,5 polegadas, mas mais estreito do que a concorrência, o S7 edge, continua a captar a maior parte das atenções, sobretudo pelo design, mas agora também pela funcionalidade, que a Samsung se esforçou bastante por melhorar com um novo interface. Mesmo assim, continuamos a achar que é preciso um pouco mais para justificar a diferença de preços de mais 100 euros, e aqui a duração da bateria pode ajudar.

A utilização do metal e do vidro, sem resquícios de plástico, ajuda à elegância e design dos smartphones, que nas versões em preto têm um ar sóbrio, a que o efeito espelhado adiciona algum brilho, infelizmente realçando as marcas de dedadas que são deixadas involuntariamente pelo manuseamento e que obrigam a limpeza constante. E a traseira ligeiramente curva ajuda a facilitar o manuseamento só com uma mão, sem riscos de deixar escorregar entre os dedos, mesmo em mãos mais pequenas.

Apesar das poucas diferenças, todo o “pacote” dos novos Galaxy acaba por estar mais harmonioso: a tecla home está mais integrada, a combinação entre o vidro e o metal têm mais continuidade e mesmo a câmara fotográfica traseira está agora menos saliente, um dos “defeitos” que tínhamos apontado repetidamente ao S6 e S6 edge.

O equilíbrio entre a performance e o design é uma das características bem conseguidas dos novos Galaxy. A Samsung regressou aos processadores Snapdragon para garantir o desempenho de topo que os seus utilizadores esperam, com um Octa core de 2,3 GHz e um processador gráfico melhorado, que a marca garante ser 30% melhor, e que se nota sobretudo nos jogos, onde a estreia da API Vulkan faz a diferença na fluidez de apresentação de ambientes gráficos complexos.

Ao mesmo tempo que acrescenta desempenho, esta API poupa bateria. E nem tem de se preocupar com o sobreaquecimento, porque a Samsung introduziu um novo sistema que vai arrefecendo o smartphone quando é usado mais longamente em tarefas exigentes. Não se mantém propriamente fresco, mas deixa de ser desconfortável de segurar como acontecia ainda nos S6 como comprovámos pela utilização repetida, e longa com jogos e vídeos.

Com tudo isto a Samsung conseguiu recuperar uma característica importante: os novos modelos são resistentes à água e ao pó, e que atire a primeira pedra quem ainda não deixou cair involuntariamente líquidos sobre o telefone, não o pousou numa superfície molhada, ou não o mergulhou mesmo em água, numa pequena tragédia comum do dia-a-dia. Esta característica já começa a ser comum nos smartphones de topo de gama e não é uma estreia na Samsung, mas não deixa de ser muito bem vinda.

 

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Uma câmara para o dia e para a noite

Os smartphones já passaram a ser há muito tempo as câmaras de bolso, e não só para as selfies. Por isso somos cada vez mais exigentes com o resultado do que vamos captando com mais ou menos regularidade, e partilhando, e as marcas sabem disso.

A Samsung trabalhou bastante nesta área e apesar da câmara apresentar um quase modesto sensor de 12 megapixels, todas as outras características contribuem para um melhor resultado final, sobretudo em ambientes de baixa luminosidade. A marca garante que esta é a primeira câmara dual pixel usada num smartphone, que resulta em imagens mais claras e nítidas mesmo em ambientes de baixa luz, pela maior abertura da câmara, o sistema de focagem mais rápido e maior velocidade de obturação.

A Samsung tinha montado uma experiência com uma câmara escura que não conseguimos reproduzir diretamente no mundo real, mas as capturas de noite e em baixa luminosidade não desapontaram, realçando o que vale a pena sem perder pormenores. E a qualidade aguenta-se não só nos ecrãs AMOLED do telefones mas também noutros suportes, e até no ecrã de maior dimensão do computador.

Para quem quer explorar as capacidades fotográficas os vários modos disponíveis e a possibilidade de captar imagens em panorama, com o Motion Panorama, pode permitir umas boas brincadeiras que vão surpreender os amigos. Conte ainda com a rapidez de disparo e estabilização que já existia nos modelos anteriores que se pode revelar útil em situações de movimento.

Não sou grande fã de selfies, mas também não fiquei muito convencida com a câmara frontal, onde a adição de mais filtros parece tornar o resultado final menos natural. Será talvez uma área a aperfeiçoar nos próximos modelos.

 

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Há tempo para jogos?

Já tínhamos referido a API Vulkan a propósito da performance, mas se não tem tempo para jogos e entretenimento, é melhor arranjar algum para aproveitar ao máximo os novos Galaxy. Investir 700 a 800 euros apenas para fazer chamadas, ver emails e navegar na Internet é desperdiçar dinheiro, e há poucas coisas onde o poder de processamento e a qualidade dos ecrãs são tão realçadas como nos jogos.

Para além do processador gráfico e da API, a Samsung adicionou ferramentas dedicadas para que o tempo dedicado aos jogos seja mais bem explorado, e para que não existam interrupções de notificações que podem fazer com que perca o ritmo num momento relevante da ação do jogo. O Game Launcher permite bloquear as notificações, menos de chamadas telefónicas, que ainda ocupam um espaço relevante, mas os gamers podem também gerir o consumo da bateria e partilhar mais facilmente momentos do jogo, com a inclusão até das suas fotos em vídeos sobre o desempenho num determinado momento da ação.

O entretenimento é mais do que jogos, e lá em casa tenho um filho que usa o telemóvel para ver filmes durante as viagens. E que naturalmente adotou o S7 edge como o seu player preferido. Aqui o suporte a cartões microSD foi um acessório importante, já que desta forma pode “trazer” para o telemóvel os filmes que tinha guardados no cartão. Legais, claro.

E claro que não se pode esquecer a realidade virtual. A Samsung ofereceu a todos os que fizeram a pré-encomenda uns óculos Gear VR. É um bónus de quase 100 euros que vale a pena pela experiência que propicia e que traz alguns bons momentos de entretenimento na visualização de vídeos imersivos, ou de jogos.

Começa a haver cada vez mais conteúdos para explorar, e embora alguns seja ainda caros, rondando os 4 a 5 euros por download, é garantido que os óculos e o telemóvel se vão tornar um elemento central da atenção da família e dos convidados lá de cas. Se calhar até um pouco demais, porque “roubam” ao verdadeiro dono o uso central do smartphone.

Neste campo a Samsung manteve a compatibilidade dos Gear VR com os novos modelos de smartphones e basta instalar a aplicação Oculus para começar a usar os conteúdos.  Note só que aqui a poupança de bateria é mesmo uma ilusão…

 

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A grande dúvida sobre a bateria

Em todas as apresentações dos novos Galaxy S7 e S7 edge a Samsung fez sempre questão de frisar que tinha melhorado a bateria. Este tinha sido apontado como um dos pontos fracos do S6 edge, mas o novo S7 edge tem uma bateria de maior capacidade, 3.600 mAh, enquanto o S7 traz uma bateria de 3.000 mAh.

A duração das baterias depende sempre do tipo de utilização, mas mesmo com um uso intenso a nossa experiência mostrou que na maioria dos casos foi possível estar um dia completo sem recorrer à ligação à ficha elétrica. Não com a utilização dos óculos Gear VR, como referimos, mas num uso mais normal, com chamadas, dados 4G, navegação web, música e vídeo. E também alguns jogos mais ou menos casuais.

Um dos contributos para a poupança da energia é o modo Always On, que mostra no ecrã as horas e as notificações que normalmente tentamos verificar “acordando” o telefone. Segundo a Samsung, o número de vezes que as pessoas verificam o telefone está em muitos casos acima das 120 interações, o que se tornava um dos principais consumidores de bateria.  

Mas este é apenas um toque que outros concorrentes já tinham, ou que introduziram agora, como a LG. E não é possível percebermos se isso será ou não responsável pela maior eficiência e duração da bateria.

Alguns testes recentes vieram introduzir dúvidas adicionais na comparação deficiente com o S6, mas mesmo sem benchmarks fidedignos, a nossa experiência foi melhor do que a que tínhamos registado com a geração anterior dos smartphones. Ou melhor, está a ser, e se piorar nos próximos dias também daremos conta disso na atualização deste artigo.

Nota ainda para o carregamento rápido. É sempre bom quando conseguimos repor nem que seja um pouco de bateria de forma rápida, para aquelas situações de emergência em que se está quase “no osso” e é preciso aguentar mais um pouco. Já por vezes tínhamos contestado a solução apresentada de reduzir os smartphones às funcionalidades mínimas e o carregamento rápido pode ser a solução.

Neste caso não experimentámos o carregamento sem fios, mas é também uma das soluções que pode trazer algum conforto adicional na rotina de ligar cabos e carregadores que já faz parte do dia a dia.

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E agora os pontos fracos…

A qualidade geral, o design, a performance e a câmara são alguns dos pontos fortes dos novos Galaxy S7 e S7 edge que já fomos realçando ao longo do texto, mas para o tal equilíbrio, e para perceber se estes são telemóveis onde vale a pena investir 700 a 800 euros, é bom perceber os pontos fracos.

Não são muitos, mas há alguma margem de progressão e melhoria na qual a Samsung pode trabalhar, e esperamos  ver estes pontos resolvidos em futuras versões dos Galaxy.

Um dos problemas que sentimos é comum a muitos outros smartphones: dificuldade quase total de ler no ecrã em ambientes de grande luminosidade. De que vale ter um smartphone com esta qualidade e viver numa cidade como Lisboa, onde a meio de março se pode estar confortavelmente numa esplanada a tomar um café se quase não se consegue ler uma mensagem no ecrã? Há formas de adicionar filtros e a Samsung podia trabalhar nisto.

A falta de possibilidade de mudar a bateria é também um ponto criticável. Já o tínhamos apontado no S6 e mantém-se. Com a “blindagem” dos Galaxy introduzida no S6 e a utilização de metal tornou-se mais difícil conjugar o melhor dos dois mundos, mas a LG apontou um caminho novo com o G5, e este pode ser também um ponto de evolução para a Samsung, embora tenha de descartar a resistência ao pó e à água para o fazer. Para já nenhuma é a solução absolutamente perfeita.

Fica ainda uma nota para a utilização da impressão digital. Está mais rápida e fácil, mas ainda há uma barreira: antes de desbloquear o telefone com o uso da impressão de um dos dedos é preciso “acordar” o sistema no botão Home ou no power. Ou seja, são necessários dois cliques, o que não é simpático. E já há quem faça de forma mais rápida e simples.

De resto só o custo continua a ser demasiado elevado. A cada nova geração de smartphones de topo de gama parece que a fasquia tem de bater sempre nos valores de 700 a 800 euros. E perdoem-me a mesquinhez, mas é muito dinheiro. Do ponto de vista estritamente racional este não é um bom investimento, e será mais lógico investir nos modelos da geração anterior. Mas nem tudo é lógica quando se escolhe um novo telemóvel…

 

Fátima Caçador

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