Não está escrito por nenhum matemático, mas a proporcionalidade que se regista entre a estética de um smartphone e o seu preço é quase uma regra aritmética. O mercado é uma boa montra desta correlação. O Samsung Galaxy S7 Edge mais barato, custa, regra geral, mais de 550 euros. O Xiaomi Mi Mix foi vendido por valores semelhantes e mesmo quem prefere iOS é obrigado a desembolsar mais de 680 para adquirir a variante mais modesta do último topo de gama da Apple. É difícil apontar-lhes defeitos no aspeto, mas, tendo em conta os valores pelos quais se vende beleza no mundo tecnológico, é de se registar quando nos cruzamos com uma exceção.

Com um preço de gama média baixa, o Alcatel Shine Lite chama à atenção exatamente por, à primeira vista, não ter mais nada que pertença a esse segmento. Envolto numa camada de vidro, de onde espreita uma moldura metálica arredondada, a marca fez ainda questão de lhe integrar um sensor biométrico de impressões digitais que complementa a traseira do equipamento.

Por dentro a conversa é outra, mas vamos por partes.

Ecrã

Não é um ecrã curvo mas o vidro que o cobre dá essa impressão graças às pequenas curvas que se misturam discretamente com a moldura metálica lateral. Com 5 polegadas, o display HD peca apenas por não se estender a uma resolução superior e ficar nos 1.280 x 720.

Às cores ficámos com pouco para apontar. Embora por vezes se consigam distinguir alguns píxeis, se olharmos com mais atenção para os contornos de algumas figuras, as especificações técnicas referentes a esta parte do hardware fornecem, quase sempre, a experiência que se lhes associa: boa luminosidade (mesmo em condições de muita luz), bom contraste, e bom jogo de tons, sem grandes ênfases nos pretos nem disposições tendencialmente frias ou quentes.

Som

O Shine Lite integra dois altifalantes na zona inferior e uma entrada de 3,5mm na zona superior.

O som é geralmente positivo, mas se for apreciador de música mais pesada (leia-se metal, hardcore e semelhantes) a claridade e definição do áudio deixa ligeiramente a desejar dada a presença de ruído. Em géneros mais suaves, os problemas identificados foram poucos ou nenhuns.

O volume, por sua vez, também corresponde.

Câmara

Embora no papel pareça ter capacidades de topo, a câmara deste Alcatel, na prática, não consegue justificar as especificações atribuídas.

De acordo com a folha técnica, este smartphone tem uma câmara traseira de 13 megapíxeis, focagem automática, HDR, modo panorama e conta ainda com a ajuda de um LED de dois tons.

Na frente há um sensor de 5MP, um flash e um modo "beleza" que potencia a utilização desta para selfies.

Contrariamente à segunda câmara, que se porta conforme o prometido, o sensor fotográfico principal mostra algumas incorreções na deteção de cores, principalmente em condições de pouca iluminação, onde tem tendência para aclarar demasiado certos tons e gerar demasiado ruído. Dentro de um espaço fechado, com luz artificial, o Shine Lite consegue reproduzir mais fielmente as imagens captadas, mas no exterior, com luz natural, os detalhes e a saturação da cor perdem-se em imagens mal processadas.

O modo HDR também faz pouco pelas imagens e, em algumas ocasiões, as fotografias ganham um aspecto demasiado "plástico".

A aplicação é limitada em termos de funcionalidades, mas é nestas alturas em que temos de nos lembrar do preço do equipamento. Se for um utilizador regular da câmara do seu smartphone, se gosta de explorar as várias configurações e modos, editar imagens e expôr grandes paisagens nas redes sociais, talvez este não seja o telemóvel ideal. No entanto, se por outro lado dá mais prioridade às selfies e utiliza a câmara traseira para registar imagens ocasionalmente, o Alcatel deverá servir perfeitamente.

Bateria

A bateria não é amovível. Tem apenas 2.460 mAh de capacidade mas, pela nossa experiência, não teve grandes problemas em chegar ao fim da noite ainda com alguma energia. No entanto, em dias em que o "cansámos" um pouco mais, com vídeos, jogos e gravações, o Shine Lite não mostrou ser tão resistente.

Mais uma vez, a divisão faz-se entre os tipos de utilizador. Se der uso ao seu telefone na maior parte do dia, se gostar de ver vídeos, jogar, tirar fotografias e gravar alguns vídeos, então é capaz de não o conseguir estender durante um dia inteiro. Por outro lado, se estas funcionalidades pouco lhe interessam, pode contar com entre 15% a 20% de carga no final do dia. Neste caso, valerá também a pena sublinhar que não existe suporte para carregamento rápido pelo que terá de casar um powerbank com o Shine Lite durante boa parte do dia.

Processamento e RAM

O processador do Shine Lite não é a sua melhor característica. Com um chip Mediatek MT6732 quad-core de 1,3 GHz, o smartphone fica uns furos atrás da concorrência quando submetido aos testes da AnTuTu.

Durante a nossa utilização, o equipamento não nos deixou propriamente "apeados" quando corremos alguns jogos, mas o hardware não é o mais adequado para títulos mais pesados da atualidade como o CSR Racing 2, por exemplo, deixando transparecer muitos arrastamentos e algum delay na resposta aos comandos.

Para navegar na Internet e para utilizar aplicações menos exigentes (Facebook, Evernote, Twitter), as características são suficientes.

Os números, no entanto, falam por si.

Design

O título desta análise deve pouco ao suspense. O design é mesmo a melhor característica deste equipamento que prova que o arquétipo da estética pode custar menos do que pensa.

Com uma traseira revestida em vidro Dragontail Glass e uma disposição minimalista de elementos (câmara, marca, sensor de impressões digitais), o Shine Lite não aparenta pertencer à gama a que realmente pertence. Mesmo em mão, o smartphone parece caro graças à articulação feita entre vidro e metal e que fica bem demarcada no polimento dado às arestas da moldura do equipamento que parece uma peça una e não uma junção de várias partes.

O único aspeto negativo neste campo é o facto de os vidros que o revestem serem altamente escorregadios. A capa de proteção é obrigatória com este equipamento e, sabendo disso, a Alcatel faz questão de juntar uma à caixa.

Em suma, o Alcatel Shine Lite é um telefone com uma boa relação qualidade-preço. Por pouco mais de 190 euros pode levar para casa um smartphone com uma construção acima da média que lhe garante uma boa câmara para selfies com flash frontal, um sensor de impressões digitais, tecnologia LTE e 16GB de armazenamento expansíveis por microSD até aos 256GB.

O processamento e a câmara traseira podem afastar utilizadores mais intensivos, mas, para eles, a Alcatel reserva outras propostas.