O que é preciso para conseguir colocar uma ideia no mercado, registar patentes, alavancar a produção e conseguir um alcance global? Criatividade, esforço, dedicação e capacidade de implementação são algumas das palavras-chave, mas há todo o acompanhamento estratégico e a garantia de financiamento para as várias fases do projeto que não devem ser descuradas.

Estes são elementos que podem ser adicionados à ideia original, com a ajuda de business angels, coaching e mesmo venture capitals. Mesmo assim nem todos passam o crivo final para se tornarem os desejados sucessos de mercado.

É esta conjugação feliz que o programa Building Global Innovators, numa parceria entre o ISCTE-UTL e o MIT, tenta conseguir, juntando os melhores recursos num único “pacote” que é garantido aos participantes no maior concurso de inovação e empreendedorismo em Portugal. E por isso os projetos que chegam à final já passaram parte das provações mais duras, deram provas e merecem ser acompanhadas com atenção, até porque continuam sob a asa do programa, que continua a acompanhar a sua evolução e o nível de cumprimento das metas determinadas no Plano de Negócios.


Em quatro edições o Building Global Innovators já apoiou 80 startups das quais 55 se mantêm ativas, tendo sido angariados mais de 20 milhões de euros de investimento, 50% dos quais provém de business angels e capitais de risco.



Glucowise, Watgrid, Cucco e MeshApp são os projetos que este ano chegaram à fase final e que hoje sugerimos que conheça melhor e que mantenha no seu radar de inovações a observar.


Cada uma das empresas já conseguiu garantir 200 mil euros de investimento, ao qual podem somar mais 200 mil, e no caso da Glucowise, que venceu a quarta edição do BGI, o financiamento foi reforçado em mais 100 mil euros. Mas a ambição é muito maior, de globalizar os produtos e serviços, conseguir ganhar escala e levantar ainda mais financiamento para implementar os projetos.


Nas próximas páginas pode ficar a conhecer as ideias e objetivos de cada uma destas empresas.


  • Glocowise – Ajudar os doentes com diabetes
  • Watgrid- O potencial que existe na eficiência dos recursos hídricos
  • Cucco – Agenda e Marketplace com sotaque brasileiro
  • MeshApp – Simplificar o caos da vida digital

Ajudar os doentes com diabetes

A Glucowise https://www.facebook.com/glucowise é um dos projetos internacionais que tem procurado o BGI para reforçar o investimento numa ideia, e conseguir uma plataforma de internacionalização e apresentação a um ecossistema de venture capital que lhe permita atingir a meta de financiamento definida.

Para já a empresa via com um bom avanço, depois de ter conseguido chegar a semi finalista na área das soluções de saúde e ganho o prémio de Grande Vencedor http://tek.sapo.pt/noticias/negocios/glucowise_vence_a_quarta_edicao_do_concurso_q_1368622.html da quarta edição do BGI, que decorreu ontem em Lisboa.

Agora faltam ainda alguns passos para que a ideia de desenvolver um dispositivo menos intrusivo para monitorizar a glicose no sangue - e que comunica com o smartphones e o médico para manter o registo e emitir alertas - consiga chegar ao mercado.

A ideia inicial foi desenvolvida pela empresa Mediwise, com sede em Londres e George Palikaras, CEO do projeto, lidera uma equipa multidisciplinar e multi-nacional - na qual se conta um português.
A aguardar o registo da patente para a leitura da glicose sem necessidade de picar o dedo, através de um sensor de baixa frequência, a Glucowise quer ainda trabalhar na miniaturização do dispositivo

O potencial que existe na eficiência dos recursos hídricos

A Watgrid nasceu no Instituto Telecomunicações de Aveiro e conta com uma equipa multi-nacional que já se dedica ao desenvolvimento da tecnologia de gestão do consumo e desperdício de água há mais de 5 anos.

A ideia é evitar o desperdício de um dos recursos mais preciosos, a água, que chega a 50% da água potável, sobretudo devido a fugas na instalação e fraude, duas questões que a WATGRID quer ajudar a ultrapassar.

A empresa integra tecnologia proprietária análise, remotamente e em tempo real, da qualidade da água, com sensores inteligentes, de uma plataforma de gestão para aquisição e análise de dados e um algoritmo inovador. Os sensores são integrados na rede existente, fazem as leituras dos parâmetros
referentes à qualidade da água e são também capazes de detetar fugas.

Segundo Rogério Nogueira já está pedida a patente internacional para o registo da tecnologia, potenciando o acesso a um mercado que pode atingir os 20 mil milhões de dólares em 2020 apenas na Europa.


Agenda e Marketplace com sotaque brasileiro

A solução que a Cucco http://www.cucco.com.br/ está a desenvolver quer garantir uma nova forma de agendar serviços pela internet. Através de um marketplace que liga negócios e os seus clientes, o Cucco torna o processo mais rápido, reduzindo custos e assim aumentando a produtividade, eliminando as dificuldades do agendamento por telefone e preenchendo as horas vagas através do
agendamento online.

A ideia pode ser aplicada a serviços de médicos, institutos de beleza e ginásios, entre outros, aliando o marketing à gestão inteligente do negócio. O serviço funciona também como um grande catálogo que ajuda a encontrar e fidelizar novos clientes.


André Rabelo explica que o Cucco já está a ser usado no Brasil, onde já foram realizados mais de 25 mil agendamentos por mais de 5.000 utilizadores.

Simplificar o caos da vida digital

O empreendedorismo está no ADN de Rodrigo Moreira Rato, que já criou várias empresas, já falhou e já foi bem sucedido, mas que coloca as fichas todas agora na MeshApp a empresa estabelecida para desenvolver uma aplicação web que agrega as comunicações e a informação de temas interessantes e facilita a sua gestão.


Em conjunto com uma equipa que Rodrigo Moreira Rato faz questão de elogiar, a ideia já se concretizou numa aplicação que por enquanto está em beta privada e ainda só abrange uma das áreas, a social.


O objetivo é reduzir o “ruido” da comunicação através de formulas de seleção do que se pretende ver, um algoritmo que está a aguardar a atribuição de patente e que pode facilitar a vida de todos os que têm as caixas de correio abarrotadas de informação mais ou menos inútil.


Mas há também uma perspetiva de negócio, com o envolvimento das marcas que podem encontrar neste espaço cliente mais atentos e mais receptivos à sua mensagem, rentabilizando este “tempo de antena” com as suas próprias páginas e a adaptação dos destinatários a quem querem enviar a informação promocional, e desenvolvendo aplicações próprias dentro da rede.


Em baixo pode encontrar algumas das imagens da aplicação que deverá estar disponível publicamente em breve.





Entre as empresas que este ano chegaram à grande final do BGI, em qual estaria mais disposto/a a apostar?

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Fátima Caçador