A marcar a “reentré” depois do habitual período de férias na Europa, mas num timing que os fabricantes já consideram demasiado próximo do período de alinhamento da época de Natal, a IFA tornou-se nos últimos anos um local de presença obrigatória para fabricantes de computadores e smartphones que queiram conquistar lugar no mundo do consumo.

Depois de uma longa história dominada pelos produtos de linha castanha - com máquinas de lavar roupa, louça, fornos, frigoríficos e outros gadgets de cozinha, acompanhados por televisores e equipamento de som - a maior ligação de todos os equipamentos aos smartphones e à internet, e o crescimento da robotização, estão a transformar a feira de Berlim. E a fazer com que continue a crescer.

Como é habitual, muitos dos anúncios de novos produtos foram antecipados, com as pré conferências a começarem no dia 30 de agosto – dois dias antes do início oficial da feira que decorreu entre os dias 1 e 6 de setembro. Mais de 1.850 expositores, 159 mil metros quadrados de espaço ocupado, numa feira totalmente ocupada, fazem da IFA uma das maiores exposições do género no mundo e a indústria de tecnologia não falha, mesmo que em alguns casos opte por fazer exposição fora do espaço da Messe de Berlim, como aconteceu com a Asus, garantindo uma atenção dedicada dos jornalistas mas obrigando a ginástica de logística e agenda que nem sempre é compatível com todo o trabalho que há a fazer.

Este ano a separação da área de OEM e ODM, com os fornecedores e fabricantes de componentes a concentrarem-se na Station para a IFA Global Markets retirou algum do “colorido” à exposição global, mas a aposta nas startups com a IFA Next no pavilhão 26, é uma boa aposta que refresca a oferta e dá espaço para novas ideias crescerem e frutificarem (literalmente).

Entre espaços que replicam casas, aviões e jardins, e que nos fazem sentir quase intrusos a “espreitar” a vida alheia, a experiências e cozinha ao vivo, barbeiros a realizarem os seus serviços, música ao vivo e desfiles de modelos, não faltam pontos de animação nos stands das várias marcas, tudo com o pretexto de mostrar as novidades que foram lançadas nos últimos meses e as que chegam ao mercado até final do ano. Ou no início de 2018 como acontece com alguns mercados de menos dimensão, incluindo Portugal.

Olhar para dentro das tendências


A “invadir” as casas, os robots de todos os tamanhos e feitios estão cada vez mais inteligentes a obedecer a ordens, a evitar obstáculos e a movimentar-se. Sejam “mordomos” digitais em casas e empresas, ou aeroportos, ou aspiradores autónomos, continuam a atrair a curiosidade dos visitantes e alguma inveja de quem continua a ter de fazer manualmente as tarefas mais repetitivas. A dúvida fica sobre a bondade da utilização generalizada no futuro. Na verdade não me importo de ter um robot a aspirar a casa e a cortar a relva, mas será que quero que o frigorifico me traga um sumo fresco até ao sofá?

Os televisores cada vez maiores, mais finos e com melhorias na qualidade de imagem e de som, têm uma presença dominante, e as ofertas da LG,  Sony e Samsung estão entre as mais relevantes, mas há muito por onde escolher. Em formato plano, porque a moda dos televisores curvos já passou e o famoso 3D é história do passado. Valem agora a utilização de televisores como moldura para obras de arte, e a projeção das imagens sem suporte físico pode bem ser uma tendência de um futuro próximo.

Nos smartphones o LG V30 e o Sony Xperia XZ1 foram os principais destaques, com a Samsung a aproveitar o espaço do seu Cube para promover o novo Note 8  e a Huawei a apostar na divulgação do Kirin 970 que vai integrar o Mate 10, que será anunciado em outubro. Mas os novos modelos da Wiko foram também uma boa surpresa.

E a realidade virtual e aumentada? Como outras tendências deixou de ser “a novidade” e passou a estar relegada para espaços menos valorizados dos stands, aliada a jogos ou a funções específicas. O uso das imagens projetadas como interface de interação, que a Sony mostrou com inovação produzida no seu programa SAP, pode ser uma das linhas de desenvolvimento que se mantêm, mas há passos importantes a dar na qualidade de imagem e na criação de conteúdos de valor acrescentado ou esta é uma tecnologia que ficará limitada aos jogos.

Mesmo sem a capacidade física de ver e experimentar tudo, apesar de três dias na feira e cinco e Berlim, as melhores surpresas acabaram por surgir também de pequenas startups no espaço da IFA Next, que a organização da feira transformou num Hub de inovação. Pequenos stands, grandes ideias e o espaço para “vender” os conceitos perante uma audiência qualificada dá um toque mais arrojado à IFA e havia de tudo um pouco para descobrir, desde ecrãs transparentes a impressão 3D e estufas eletrónicas. E quem sabe se no próximo ano estas empresas não podem garantir um espaço maior e independente na feira.

Deixamos abaixo uma galeria com as melhores imagens captadas pelo TEK SAPO na IFA. No próximo ano a feira está marcada para começar a 31 de agosto e durar até 5 de setembro, no sítio do costume. E o TEK vai lá estar.