Basicamente, o último mergulho da Cassini fará com que a sonda se incendeie nos céus de Saturno. Mas é por uma boa causa: nestes últimos voos após cinco mergulhos com sucesso com o mesmo objetivo, este equipamento espacial será capaz de recolher dados inéditos relativos à temperatura, auroras boreais, vórtices polares e outras características do planeta.

Isto além de toda a informação e fotografias que a Cassini já enviou para a NASA ao longo do tempo. A sonda efetuará esta última abordagem entre 1.710 e 1.630 quilómetros acima das nuvens que compõem o céu do planeta, num momento que a NASA apelida de “grand finale”. O “suspiro” final da Cassini será a desintegração, como se fosse um meteoro.

Depois de ter gasto praticamente todo combustível disponível para exploração do planeta dos anéis, está previsto que a Cassini seja propositadamente dirigida para a “morte” na atmosfera de Saturno, numa tentativa de manter as luas do astro “virgens” para novas e futuras missões. E espera-se que este derradeiro voo apresente dados nunca antes analisados sobre o que se passa nas 22 órbitas existentes entre o planeta e os seus anéis.

Quando a Cassini chegar a uma altitude onde a densidade atmosférica é cerca de duas vezes a encontrada até então – o que faz com que os propulsores deixem de conseguir manter as antenas apontadas para Terra –, a sonda perde contacto com a Terra. E isto será observado pelos especialistas da NASA a partir de dois importantes observatórios situados em território norte-americano.

São eles o Goddard Space Flight Center, em Greenbelt, no estado de Maryland, e o IRTF (Infrared Telescope Facility), localizado no Havai e contando com o apoio do observatório W. M. Keck, também nesse país.

Atentos, perante informação nunca antes recebida

“Vamos estar no terreno e atentos, registando todos os dados que a Cassini nos enviará durante este último voo, aprendendo ainda mais sobre as condições que se verificam em Saturno”, confirma Don Jennings, cientista da NASA no Goddard Space Flight Center, e responsável pelo instrumento de observação espacial Composite Infrared Spectrometer.

Uma nota curiosa e que ajuda a explicar o que prepara a Cassini para a recolha destes importantes dados: na passada segunda-feira, 11 de setembro, a sonda executou um voo rasante a Titã, a maior lua de Saturno, numa manobra a cerca de 119 mil km acima da superfície do astro.

Esta deslocação serviu acima de tudo para reduzir a velocidade do dispositivo espacial, condição essencial à recolha de informação com eficácia, e até ao derradeiro momento de ligação entre a sonda e as antenas espaciais da NASA.

Relembramos que este último voo da Cassini pode ser acompanhado em direto através dos serviços online da NASA, até porque toda a missão faz parte da aplicação Eyes Visualization. Neste espaço pode recuperar todos os mais ínfimos detalhes da missão, como já fizemos questão de referir aqui no Tek à medida que fomos seguindo as “aventuras” da Cassini na órbita do “gigante gasoso”. A aplicação está aqui, disponível para PC e Mac.