No passado mês de novembro, a PlayStation confessava, em conversa com o Tek, que, em termos proporcionais, Portugal é um dos melhores mercados onde a empresa marca presença. Por isso, não será surpresa nenhuma que o talento nacional continue a apostar no ecossistema.

Francisco Santos é um dos últimos nomes a inscrever-se na lista de portugueses que já criou jogos para a consola. A sua proposta chama-se Out of Line, é um jogo de plataformas e bebe inspiração de títulos tão populares quanto Super Mario Bros, Limbo, Transistor e Ristar.

Em desenvolvimento ao abrigo do programa PlayStation First, Francisco, que é aluno da ETIC, promete que o jogo vai "contar com mecânicas de puzzles e uma narrativa imersiva", ao estilo de vários títulos indie que têm vindo a ganhar destaque na indústria. E disso, Inside é um bom exemplo.

Neste caso, ainda que com menos mestria, a receita parece ser semelhante.

A aventura retrata a história de um rapaz chamado San desde o momento em que acorda numa fábrica de "bonecos de testes". Cedo, San rapara que não está sozinho. E ao longo de vários níveis, o jogador deve ajudá-lo a compreender qual é o seu destino e qual é o propósito da sua missão naquele lugar. No entanto, a ideia final é salvar todos aqueles que a fábrica sacrifica em benefício dos seus objetivos mais obscuros. As mecânicas de jogo envolvem fugas, explorações intensivas e colaborações com outros personagens que se cruzam no seu caminho. A lógica, como manda um puzzle, será sempre engenhosa.

Embora Francisco seja o nome maior por detrás deste projecto, o aluno do curso de Animação e Videojogos da ETIC fundou, em 2016, a Duckling Studios - uma equipa composta por poucos elementos que tem sustentado a criação deste título ao longo dos últimos tempos. Aos recursos, juntou-se a criatividade. "Este projeto nasceu da minha crença em querer fazer um jogo com um forte impacto narrativo e, ao mesmo tempo, explorar toda uma linguagem gráfica nova para mim", escreve ao Tek. "Para além disso juntámos agora à equipa a Sound Designer Catarina Coimbra, e o Game Developer João Franco, o que vai facilitar o desenvolvimento do Out of Line".

Há uma incubadora para videojogos made in Portugal. Chama-se PlayStation
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Ao contrário de outros projetos com berço português, Francisco diz que "ainda não" sentiu "na pele o que é realmente fazer um jogo em Portugal". O âmbito académico de desenvolvimento tem-lhe permitido integrar uma "bolha" universitária priveligiada que suprime algumas das dificuldades já relatadas por outros grupos.

A confiança no futuro de Out of Line é transversal à equipa. Como escreve o responsável, o "feedback tem sido muito positivo" e tem motivado a equipa para avançar com o desenvolvimento do jogo, "quer a nível da arte, música ou programação".

"As minhas expectativas são acima de tudo que o jogo seja algo que me faça querer continuar a desenvolver e a trabalhar noutros projetos futuramente. Tenho as expectativas elevadas, mas sendo este o primeiro jogo que desenvolvo mais a sério, e estando ele ainda numa fase muito inicial, não quero criar expectativas demasiado grandes", diz Francisco.