Alemanha vai utilizar tecnologia de reconhecimento de voz para determinar origem de refugiados

O sistema vai começar a ser testado nas próximas semanas para, em 2018, ser implementado como medida rotineira nas entrevistas a refugiados. Os especialistas em análise de discursos estão reticentes com esta decisão.

tek refugiados

A Alemanha tem planos para implementar uma tecnologia de reconhecimento de voz que vai ajudar as autoridades locais a determinar o país de origem dos refugiados que ali vão pedir asilo. O software vai começar a ser testado nas próximas semanas pelo Serviço Federal de Migração e Refugiados (BAMF) mas só deverá ser integrado amplamente como medida rotineira a partir de 2018.

Escreve o Die Welt que os programas têm o propósito de analisar e identificar os dialetos dos refugiados que chegam às fronteiras alemãs, com base em amostras gravadas e carregadas numa base de dados a que a tecnologia tem permanente acesso. As informações provenientes desta análise vão ser depois utilizadas para preencher um conjunto de critérios essenciais à cedência de refúgio.

A implementação deste sistema surge como forma de solucionar o facto de cerca de 60% das pessoas que procuraram asilo na Alemanha em 2016 não se fazerem acompanhar de documentos de identificação, de acordo com dados do BAMF. A técnica de reconhecimento de voz é utilizada na Alemanha com recurso a especialistas desde 1998. A delegação desta tarefa a sistemas automatizados, no entanto, está a levantar algumas dúvidas relativamente à sua precisão.

Ao Deutsche Welle, Monika Schmid, professora de linguística na universidade britânica de Essex, diz que um analista de discurso "deve ter um currículo sólido na análise linguística e deve ser capaz de ter em conta um leque muito abrangente de factores" quando lhe for pedido para determinar a origem de um indivíduo, incluindo alterações na forma como fala de acordo com as pessoas que estão ao seu redor. "Não sei como é que um software automatizado pode distinguir se uma pessoa utilizou uma determinada palavra ou se a prununciou de dada forma porque ela faz parte do seu vocabulário ou porque ela foi impingida pelo intérprete ou por outra pessoa que a esteja a entrevistar", disse em declarações à televisão alemã.

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