Promovida por Francisco Godinho, professor da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD) e engenheiro de reabilitação que foi responsável nos últimos três anos por várias iniciativas com vista ao desenvolvimento de conteúdos para a Internet acessíveis para as pessoas com deficiência, foi hoje criada uma organização designada Aliança Nacional para a Acessibilidade do Software (ANASOFT).



A nova organização, lançada na data em que se comemora o Dia Europeu da Pessoa com Deficiência - que este ano é dedicada ao tema "Design para Todos", enquanto conceito aplicado a produtos, serviços, sistemas e ambientes - tem como objectivo contribuir para "a concepção, desenvolvimento e comercialização de software - e, em especial de programas educativos - acessível ao maior número possível de utilizadores, incluindo pessoas com deficiência".



Inicialmente, a ANASOFT vai ser formada por quatro entidades com experiência na área da acessibilidade, uma das quais é o Centro de Acessibilidade às Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (CANTIC) da UTAD, que é coordenado por Francisco Godinho.



O Centro de Análise e Processamento de Sinais (CAPS) é outro dos membros, consistindo numa unidade de investigação do Instituto Superior Técnico especializada no domínio das Tecnologias de Apoio e da Comunicação Aumentativa Alternativa para pessoas com deficiência. Encontra-se integrado no Grupo de Acústica.



As duas restantes unidades que participam na ANASOFT são a Microsoft Portugal e a Unidade ACESSO do Ministério da Ciência e da Tecnologia que foi criada na sequência da Iniciativa Nacional para os Cidadãos com Necessidades Especiais na Sociedade da Informação que acompanha e dinamiza as políticas do governo nesta área.



Esta iniciativa concentra-se em três vertentes - acessibilidade motora, visual e auditiva -, dada a complexidade de implementação de técnicas de acessibilidade para cada deficiência e uma vez que estas possuem uma especificidade própria.



A vertente da acessibilidade motora dirige-se a pessoas com deficiência motora e tem como objectivo assegurar a interacção com o software sem rato - mediante um dispositivo apontador - e teclado, personalizando o comportamento e a configuração dos periféricos do computador através das opções de acessibilidade do sistema operativo, sem movimentos precisos, sem necessidade de efectuar acções simultâneas e sem limitações no tempo de resposta.



Quanto à acessibilidade audiovisual, está vocacionada para pessoas com deficiência auditiva, pretendendo-se com esta vertente garantir o controlo do volume de som e o acesso visual à informação sonora do computador, mediante conteúdos e instruções por voz e a sinalização sonora dos eventos que vão ocorrendo no software ou no computador.



A última vertente, da acessibilidade visual, diz respeito às pessoas com deficiência visual no sentido de assegurar a interacção com o software e o acesso à informação com recurso ao teclado, a leitores de ecrã, às opções de alto contraste do sistema operativo - e a programas de amplicação das imagens e textos - opções presentes no Windows XP da Microsoft.



Para quem estiver interessado e desejar participar, existe uma lista de discussão por correio electrónico dedicada à ANASOFT.



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