Em 2002, os Roomba chegaram ao mercado para abrir um novo segmento na indústria tecnológica, mas desde então que os aspiradores autónomos não se têm dedicado exclusivamente a limpar o pó às casas. De acordo com Colin Angle, os aparelhos analisaram espaços e armazenaram dados relativamente às divisões onde operaram. O preocupante, no entanto, é que o CEO da iRobot, a empresa responsável pela produção do utensílio doméstico, quer agora vender os dados a outras empresas tecnológicas.

A empresa lançou o seu primeiro Roomba com Wi-Fi em 2015 e desde aí que os aspiradores têm armazenado medições e dados espaciais com recurso aos seus sensores de localização. Estes registos ajudam o aparelho a compreender a disposição das divisões e dos móveis que tem de circundar em funcionamento, mas Angle acredita que possam vir a ser aproveitados por outros aparelhos de IoT.

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"Há todo um ecossistema de aparelhos e serviços que uma smart homes pode oferecer a partir do momento em que puder contar com um mapa da casa que o utilizador aceitou partilhar", disse o responsável em declarações à Reuters. Angle adianta ainda que os dados não serão vendidos sem permissão, mas acredita que a maioria dos utilizadores está disposto a vender os mapas detalhados das suas casas a outras empresas.

Google, Apple e Amazon são três das empresas que a iRobot espera ter como clientes, idealizando, por exemplo, a potencialização das suas assistentes virtuais.

Embora os utilizadores destes aparelhos possam desligar as funcionalidades que permitem a partilha de dados com a cloud da empresa, a política de privacidade da iRobot indica que esta pode vender e partilhar os seus dados com qualquer entidade sem necessidade de autorização.

Tal como sublinha o The Verge, a maioria dos utilizadores não lê as condições de utilização de uma ponta à outra, sendo que a maioria não lê, sequer. E enquanto as culpas poderiam ser facilmente imputadas ao utilizador, a verdade é que "a dinâmica do poder entre cliente e empresa dá às tecnológicas um à vontade para se aproveitar dos seus utilizadores".

Outra das hipóteses a considerar numa circunstância como esta é o risco de hacking e roubo de dados. O facto de a iRobot ser uma grande tecnológica não lhe confere qualquer garantia de segurança e privacidade contra ataques externos e a indústria é rica em histórias do género.

Aqui ficam alguns exemplos:

Ataque à loja online da Acer resulta no roubo de dados de 34.000 cartões de crédito Foram roubados dados pessoais de mais de 130 mil soldados norte-americanos Empresas portuguesas vítimas de campanha de cibercrime. Dados corporativos roubados Dados de 1,1 milhões de “pessoas bonitas” à venda na Internet Falhas de segurança abriram caminho ao roubo de 500 milhões de registos de informação em 2015