A
Fundação para uma Infraestructura de Informação Livre (FFII) emitiu hoje um comunicado onde acusa a
International Organization for Standardization (ISO) de favorecer a
Microsoft ao permitir que a norma OOXML fosse aprovada, uma notícia já avançada pelo
TeK.
Segundo a organização sem fins lucrativos, a fabricante norte-americana utilizou "práticas injustas como encher comissões técnicas em vários países e intervenções políticas de ministros no processo de normalização" para ver o
standard aprovado, e acabou por consegui-lo ao obter 86 por cento dos votos dos membros nacionais com representação no comité composto pela ISO e pela Comissão Electrotécnica Internacional (IEC).
A FFII acusa ainda a Microsoft fazer
lobbies nos governos de países como Bélgica, Brasil, Egipto, Portugal, Quénia, Estados Unidos, entre outros, para que estes rejeitassem as decisões dos comités técnicos, que foram contra a aprovação do OOMXL.
Rui Seabra, vice-presidente da
ANSOL, e membro do comité técnico nacional, expressa de forma irónica a sua opinião quanto à vitória da Microsoft, referindo que a empresa esta está de parabéns pois conseguiu "forçar um documento incompleto e cheio de erros como
standard internacional, que apenas eles podem implementar. Está então provado que o
standard de qualidade da ISO/IEC pode ser subvertido".
A guerra entre formatos ganhou novo impulso assim que o modelo
open-source ODF foi adoptado como norma ISO. Desde então, diversos governos e entidades privadas migraram para OpenDocument Format como o formato definido para arquivar documentos. No entender da FFII esta tendência acabou por preocupar a Microsoft, que viu a sua "posição dominante no mercado ser afectada", o que levou a fabricante a apressar o seu formato alternativo, Open XML, que se mostra "incompatível", já que não é totalmente aberto, o que torna difícil o desenvolvimento de aplicações por terceiros.