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Professores mostram-se críticos quanto à introdução de disciplina de TIC no secundário

Publicado por Casa dos Bits às 11.43h no dia 09 de Março de 2005 | 0 comentários
 
A introdução da disciplina de TIC nos 9º e 10º ano de escolaridade foi "aberrante" na opinião de Fernando Albuquerque Costa, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Ao longo da sua intervenção no primeiro dia da conferência "e-Educação: O que tem o sector da educação a ganhar com o desenvolvimento da Sociedade da Informação, promovida entre ontem e hoje pela APDSI, Fernando Albuquerque Costa considerou que a nova disciplina não só nega todo o trabalho positivo feito anteriormente, como ignora a aprendizagem que foi feita pelos alunos desde que entraram na escola e aquela que fazem fora do contexto escolar.

Para este professor da Universidade de Lisboa, que prepara um doutoramento sobre Desenvolvimento Profissional dos professores na área das TIC, esta foi uma medida política para "parecer bem". "Assim pode dizer-se que todos os alunos em Portugal que frequentam a escolaridade obrigatória a terminam com conhecimentos na área das tecnologias", ironizou.

Fernando Albuquerque Costa apontou outras críticas ao processo, como o facto de não existirem professores suficientes para leccionar a disciplina quando a mesma foi introduzida, e a falta de formação aos docentes. "Os professores não estão a ser acompanhados, nem há qualquer avaliação de resultados. Todos os dias recebo emails de pessoas a perguntar o que fazer, como fazer...", indicou.

O tema está contudo, longe, de reunir consenso entre a comunidade dos professores. Da assistência, Maria João Loureiro, da Universidade de Aveiro, não quis deixar de lembrar que há um largo conjunto de jovens que só tem acesso às tecnologias a partir da escola e que por isso é importante que haja disciplinas desta índole.

O cepticismo quanto à introdução das TIC no 9º e 10º anos de escolaridade surgiu igualmente no discurso de outros intervenientes nesta conferência, que contudo se mostraram mais moderados, expectantes quanto à "re-abertura" do Ministério da Educação.

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