Televisões, frigoríficos, máquinas de lavar, ar condicionado, soluções B2B mais viradas para a gestão de smart cities, propostas na área da saúde e telemóveis. A gama de produtos da Hisense é vasta e ainda pouco conhecida nos mercados europeus, onde muitos dos produtos ainda não chegam, sobretudo os da área B2B, mas a marca já lidera no mercado chinês de televisores e chegou a número três em vendas no mundo em 2016, segundo dados da IHS citados pela empresa.

“Há 10 anos ninguém sabia quem eramos, e investimos muito na marca e na qualidade. Agora estamos nos principais países a lidar com as marcas de topo”, explicou Lan Lin, vice-presidente exclusivo num encontro com jornalistas portugueses e espanhóis em Qingdao, numa visita organizada à empresa que incluiu um centro de inovação e várias fábricas de produção de frigoríficos, máquinas de lavar roupa e televisores na província de Shandong.

Atualmente a Hisense já vende quase metade dos seus produtos da área de eletrónica de consumo e TV fora da China, mas quer continuar a alargar a estratégia de internacionalização. “A Europa e a América do Norte são regiões muito importantes. Acreditamos que se não formos bem sucedidos nessas duas regiões nunca vamos ter sucesso”, explica o vice presidente da Hisense, que admite que estas localizações podem mesmo vir a estrear os produtos de topo da empresa na área de eletrónica de consumo e TV.

“A qualidade do produto é o maior desafio. Há 10 anos os produtos “made in China” era visto como barato e de baixa qualidade. Temos feito um esforço para mudar essa imagem e investimos muito em bons produtos e boa tecnologia, com inovação. Investimos 5% dos resultados em I&D e dedicamos 25% do tempo ao desenvolvimento do produto”, adianta.

A publicidade é também uma aposta da empresa e nos últimos anos tem patrocinado grandes eventos de futebol, como o Europeu de 2016 e o próximo mundial da Rússia em 2018, que tem ajudado ao reconhecimento da marca, e Lan Lin está optimista em relação ao futuro. “Ninguém acreditava há 10 anos neste crescimento e acho que vamos ter ainda melhores resultados nos próximos 2 a 5 anos”, afirma.

Negócio de 14 mil milhões de dólares

A Hisense foi criada em 1969 mas começou primeiro no mercado chinês, onde foi conquistando espaço, assegurando o primeiro lugar em vendas de TVs durante 13 anos consecutivos, o segundo em frigoríficos e terceiro em ar condicionado. Na última década reforçou a aposta na marca própria, com entrada em vários novos mercados, incluindo smartphones.

Hoje tem mais de 18 filiais em todo o mundo e o negócio mundial vale mais de 14 mil milhões de dólares, contando com cerca de 75 mil colaboradores. Os produtos da empresa estão em mais de 130 países e tem 15 fábricas na China e 4 na África do Sul. No mercado europeu a Hisense já tem alguns anos e a empresa tem presença direta na Alemanha, que é o headquarters da Europa, Itália, Espanha e França. Em Portugal o negócio era gerido a partir de Espanha mas desde este ano tem um responsável local pela marca, que continua a reportar à Hisense Ibéria.

O crescimento da Hisense tem sido dinamizado de forma orgânica, mas também por aquisições. A empresa comprou a marca Ronshen de frigoríficos e também uma empresa de ar condicionado, e nos últimos dois anos investiu na área de chips óticos com a compra de duas empresas norte americanas com fábricas locais, e Lan Lin não afasta a possibilidade de realizar novas aquisições nos próximos meses. “Temos uma grande aquisição em vista. Espero poder concretizá-la até final do ano”, adianta, questionado pelo SAPO TEK.

“A qualidade tem de ser o nosso foco principal […] Se continuarmos a trabalhar muito e a investir o potencial de crescimento é muito grande”, adianta Lan Lin. “Já estamos nos maiores países e mesmo naqueles onde não estamos diretamente temos bons parceiros”.

Investigação e investimento no mercado de smartphones

O mercado dos telemóveis é uma das apostas mais recentes e o vice-presidente admite que está ainda a dar os primeiros passos, mas que “estamos determinados em torná-lo grande”. Uma das razões é o facto do revenue ser quatro vezes superior à das TVs, mas Lan Lin defende que “o telemóvel é uma janela para todos os dispositivos e vai ligar todos os equipamentos e por isso temos de investir. É uma exigência termos um negócio de boa dimensão”, admite.

Aqui a empresa não fez nenhuma aquisição relevante mas tem investido em I&D e em compra de patentes, e está também a gerar a sua própria propriedade intelectual. Um dos centros de investigação mais recentes da empresa está localizado em Israel e este é uma das fontes de patentes mais importantes nesta área.

Na IFA a empresa apresentou novos smartphones da sua marca, entre os quais o A2 pro que tem um segundo ecrã com e-ink que gerou entusiasmo. Atualmente a Hisense já produz seis milhões de smartphones ao ano e registou em 2016 um crescimento de 15% nesta área.

O investimento nas áreas da inteligência artificial e IOT é  também relevante na estratégia e o vice-presidente da Hisense admite que é necessário um standard internacional para que todos os produtos funcionem de forma transparente entre si.

Menos conhecidas são as soluções B2B, ou Business to Government, incluindo as relacionadas com a área de gestão de tráfego e segurança que já estão em mais de 100 cidades na China com reconhecimento de matriculas e de imagens de controle das autoridades, um segmento que Lan Lin admite que ainda é sensível a nível de exportação e que tem potencial mas que depende do interesse dos Governos. Durante o encontro com jornalistas adiantou que há algumas cidades interessadas, até nos Estados Unidos, mas não quis revelar nomes.

 Portugal e uma estratégia de continuidade na Ibéria

O vice presidente da Hisense conhece o mercado ibérico que afirma ser muito importante para a empresa e não lhe escapa também o potencial do mercado português, que tem desde este ano um responsável local a dinamizar as relações com os retalhistas. Os produtos de eletrónica de consumo já estão nas principais lojas em Portugal e no próximo mês a Worten vai ter espaços de demonstração dos produtos da Hisense em algumas das suas lojas, fruto de um acordo recente com a Sonae.

Nota da Redação: O SAPO TEK viajou para Qingdao a convite da Hisense.