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6 Desejos para 2009: ANSOL - Um ano em grande para o Software Livre

Publicado por Casa dos Bits às 13.30h no dia 02 de Janeiro de 2009 | 3 comentários
 
por Rui Seabra, Vice-Presidente da Direcção da ANSOL *

Tendo em conta o crescimento quase exponencial da percepção do Software Livre, conto com a sua continuidade ao longo de 2009. 2008 viu imensas adopções massivas (na ordem das várias dezenas de milhar cada) de Software Livre em empresas e administrações públicas de alguns países, não ficarei muito surpreso se surgir uma na ordem das centenas de milhar de postos de trabalho. Grandes distribuições de GNU/Linux continuarão a ser publicadas permitindo às pessoas obter as últimas novidades no mundo do Software Livre de forma atempada sem necessitarem esperar vários anos para avistar uma edição fracassada de sistema operativo.

As normas abertas, graças ao fiasco do Microsoft OOXML, tornaram-se num chavão político. Como diz a máxima, "mal ou bem, o que importa é que se fale", logo mesmo que pelos maus motivos, a percepção da sua importância cresceu significativamente. Conto avanços muito fortes nesta área sobretudo no que diz respeito ao reforço de norma abertas que não sejam susceptíveis de dependerem de informação secreta apenas disponível por uma companhia dominante no mercado respectivo.

Nomeadamente conto com cada vez mais adopções do Open Document Format como formato oficial de intercâmbio entre a administração pública e o cidadão privado e colectivo, como forma de não obrigar a escolha de uma ferramenta ou tecnologia com benefícios financeiros imediatos para uma determinada companhia. Desejo ainda que deixem de ser dadas consecutivamente autorizações extra-ordinárias para ultrapassar os limites dos ajustes directos para renovar sem concurso público as licenças Microsoft, SAP, etc... que têm sido contadas na ordem dos milhões de euros por instituição, e que os concursos públicos e adjudicações passem a não excluir sistematicamente o Software Livre.

Um grande desejo especial fica reservado para que as patentes de software sejam formalmente proibidas em todo o mundo, como obstáculo à investigação e desenvolvimento que o são na área da informática.

Por último, embora não queira passar por "adivinho", julgo haver uma forte possibilidade de que a Microsoft venha a solicitar a protecção contra credores em 2009 (o conhecido Capítulo 11 do processo da bancarrota norte-americano, que protege contra credores para dar uma hipótese à empresa de recuperar). Apesar de reportar grandes ganhos, os seus relatórios omitem grandes perdas que têm sofrido, inclusive nas suas duas únicas unidades com saldo positivo: Windows e Office. Se baixarmos várias vezes as expectativas de resultados ao longo do ano, seremos sempre capazes de apresentar resultados que as superam. A título de exemplo, se tivessem comprado o Yahoo, a Microsoft ficaria oficialmente em estado de dívida.

* Texto escrito por Rui Seabra, Vice-Presidente da Direcção da ANSOL sob os termos da licença Creative Commons "Atribuição-Partilha nos termos da mesma Licença 2.5 Portugal" (ver http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5/pt/)



Veja também os desejos de outras associações convidadas a comentar o ano de 2009 pelo TeK, em 6 Desejos para 2009: A lista de desejos das associações do sector.

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