Opinião: Cloud: Portugal precisa de um CIO que deixe a AP na nuvem

A experiência de Hugo de Sousa, Business Unit Manager na GFI Portugal, na Administração Pública dá mais crédito à defesa das vantagens de evolução para a cloud e à ideia de que o Estado precisa de um CIO.

Opinião: Cloud: Portugal precisa de um CIO que deixe a AP na nuvem
Por Hugo de Sousa (*)

hugo sousaEspero conseguir, no fim deste artigo, ter deixado clara a minha convicção de que a dinâmica atual a que em Portugal assistimos ao nível da análise das possibilidades de utilização da Cloud na Administração Pública só pecam… por tardias e lentas.

Espero conseguir deixar bem claro que só acredito na elevação da maturidade de SI/TI na Administração Pública portuguesa quando for nomeado um CIO no Estado. Defendo-o desde 2004, altura em que assumi responsabilidades de IT Management num organismo público e rapidamente percebi o espaço gigantesco para melhorias a todos os níveis.

Ficou ainda mais claro para mim, após ter atuado como Diretor de Sistemas de Informação no Turismo de Portugal, I.P., e ter percebido, pelas próprias mãos, a vantagem da fusão de quatro Departamentos de Tecnologias - a Organização Mundial de Turismo premiou os resultados obtidos e classificou-os como exemplares.

Em Outubro de 2009 (três anos e meio depois), a revista The Economist fazia capa com o tema da cloud (daqui em diante sem itálico, porque provavelmente, vamos incorporá-la na nossa linguagem comum). O título não podia ser mais inequívoco: Battle of the clouds; The fight to dominate cloud computing will increase competition and innovation (texto aqui). Passaram três anos e meio e o que aconteceu na Administração Pública Portuguesa? Há bons exemplos no Público e Privado. Há artigos e documentação. Há tudo. O que falta?

Ainda que com alguma relutância, posso aceitar que a Administração Pública não deve ser, em geral, uma early adopter de soluções "inovadoras", exemplos de novos conceitos que, porque ainda pouco disseminados, possam estar ainda pouco "testados".

Faço esta concessão para derrubar, assim, a primeira leva de receios que esta forma de utilizar a tecnologia nas organizações públicas poderia desencadear… porque há muitos testes feitos e inúmeros exemplos de utilização… nas administrações públicas existentes em todo o mundo que, em geral, consome muita tecnologia!

Tento mesmo ir mais longe dizendo que rapidamente vamos ver colocada a pergunta "Mas porque não tem o Instituto A ou a Direção Geral B os seus sistemas em cloud?" e não tenho dúvidas de que chegaremos a uma fase em que a literacia popular sobre as vantagens inequívocas da existência de sistemas em desenho de nuvem vai mesmo criticar a não evolução se esse for o caso em alguma organização pública.

Quando falo em Cloud na Administração Pública falo geralmente em Cloud Privada. Como sabemos é possível os organismos criarem a sua própria infraestrutura de Cloud. É possível um Ministério disponibilizar serviços de SI/TI aos organismos que tutela. E são precisamente estas algumas das recomendações do grupo de trabalho GPTIC (Grupo de Projeto para as Tecnologias de Informação e Comunicação) - da Agência para a Modernização Administrativa. Porem se pesquisarmos em base.gov.pt, por exemplo, procurando a palavra "servidores", vemos dezenas de organismos públicos a continuarem a protelar práticas obsoletas de infraestruturação tecnológica, não tirando partido das economias de escala que os modelos Cloud permitem. Pergunto-me como é que continua a ser possível. E é só um exemplo.

Mas em Portugal, a discussão está finalmente muito viva. Os organismos da Administração estão a acelerar, face ao advento dos tempos, da tecnologia e outros - (sim, a necessidade aguça o engenho e isso é uma coisa boa!) - a análise e tomada de decisão sobre a utilização de soluções de cloud para os seus sistemas de informação.

Não tenho dúvidas de que será um contributo muito relevante para o regresso do país e da sua Administração ao caminho certo. Tenho dúvidas que o contributo até ao momento esteja na velocidade correta.

Tenho a certeza que só a nomeação de um CIO, a reportar diretamente ao Primeiro-ministro, permitirá engrenar a 6ª velocidade e dar resposta às necessidades de informação que o País tem para ser mais competitivo e sobreviver aos atuais e futuros desafios. É preciso autoridade formal para criar e executar um Plano Estratégico de Sistemas de Informação em toda a administração pública. Velocidade é segurança, em alguns casos. Este é o caso.

Queremos rapidamente os benefícios da Cloud na Administração Pública? Precisamos de um CIO do Estado Português. Ontem.

(*) Senior Manager na Gfi Portugal
Blog: http://mrcloudadviser.pt

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