Opinião: Mixed Reality - Aumentar a Realidade Virtual?

A realidade virtual está a ser aplicada pelas empresas em várias áreas e Luis Martins, da ITPeople, alinha algumas das transformações que já estão em curso.

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Por Luís Martins (*)

Já não ouvimos falar de Pokemons há algum tempo, mas continuamos a discutir o potencial da Realidade Aumentada que este jogo trouxe ao de cima. E a razão é simples: todos os dias, mais e mais empresas e pessoas criam formas disruptivas de transformar o nosso quotidiano pessoal e profissional e, com isso, transformar e aumentar a nossa visão da Realidade.

Isto deve-se a uma maior sofisticação do público interessado, que investigou, que procurou experimentar e que tem agora diversas certezas:

- Que existe uma diferença fundamental entre Realidade Virtual e Realidade Aumentada: a Virtual substitui totalmente a nossa Realidade por outra, enquanto a Aumentada adiciona elementos virtuais ao que já existe, tornando o mundo no nosso browser

- Que a tendência atual dos MR Head Mounted Displays (vulgarmente óculos de Realidade Aumentada) passa por unir Realidade Virtual e Realidade Aumentada numa única tecnologia. A Microsoft chama-lhe Mixed Reality, que resulta numa tradução mais esconsa: Realidade Misturada. Vamos manter-nos pela versão inglesa. 

Mixed Reality é a oportunidade de saltar entre a nossa Realidade e outras que se podem sobrepor e/ou substituir. Utilizando estes HMD, conseguimos:

- Trabalhar na planta de um projeto de arquitetura com alguém que está na Índia, na Austrália ou em qualquer outra parte do mundo, tendo a hipótese de ver a pessoa mesmo ali ao nosso lado, a indicar-nos o que podemos fazer. Com o projeto realizado, a pessoa pode visualizar o edifício em tamanho real no pátio da sua casa e (se este for suficientemente grande) visitar todas as divisões do seu projeto 3D

- Numa sala de aula, poder analisar um modelo ou maquete virtual, em 3D e em tamanho real, revolucionando a forma como estudantes de medicina analisam o corpo humano, por exemplo. Os HMD permitem que os alunos possam interagir com os elementos virtuais, visualizar os músculos e o esqueleto ao mesmo tempo, percebendo a sua relação, rodar os órgãos para ver em diferentes perspetivas e aprender visualmente sobre todos estes elementos. No final da aula, cada aluno pode ver-se a entrar num órgão do corpo humano e visitá-lo por dentro, o que de outra forma não seria possível, numa pequena viagem a la Era uma vez o Corpo Humano.

- Ser acompanhados pelo holograma duma personagem histórica ao longo da visita a um museu, onde esta personagem interage diretamente connosco e com todos os objetos, permitindo-nos ver o contexto de cada peça, a forma como era utilizada e, inclusivamente, como os contemporâneos do objeto o valorizavam. A trabalhar neste tema estão Apps de museus como o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco.

Para o consumidor final, o impacto da Mixed Reality é brutal. Hoje em dia, já podemos testar novos revestimentos e pavimentos na nossa casa com a Revigrés AR. Mas isto é só o início… Com a Mixed Reality, poderemos visualizar toda a nossa casa transformada, em tempo real.

Através de aplicações como o Wallame, podemos deixar posts e mensagens diretamente nos objetos, ao invés de murais online. E utilizando a Next Reality, podemos aceder a experiências privadas de Realidade Aumentada, através de um simples código. Inclusivamente, a forma como nos vemos ao espelho vai alterar-se dramaticamente, com a evolução de Apps de Realidade Aumentada para testar maquilhagem virtualmente, como a Makeup Genius, ou para experimentar tatuagens e visualizá-las a partir de diferentes ângulos e em várias zonas do corpo, como o Inkhunter para Mixed Reality. 

A transformação já começou e, embora não seja ainda muito visível, os pioneiros já estão a desbravar caminho. Quando o impacto se notar, vai ser muito fácil distinguir quem investiu em conhecer e experimentar estas novas tecnologias, e quem ficou do outro lado do espelho. Ou, neste caso, das lentes. 

(*) Head of Marketing da IT People Innovation

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