O Conselho da União Europeia deu hoje conta de uma nota de condenação contra as "campanhas híbridas persistentes da Rússia contra a União Europeia, os Estados membros e os seus parceiros" e promete combater estes ataque com determinação. O conselho mostrou estar solidário com as medidas hoje adotadas no Reino Unido contra as forças armadas russas (GRU na sigla em inglês para Main Directorate of the General Staff of the Armed Forces of the Russian Federation), à semelhança das que a Europa já tinha imposto.

A organização que representa os governos dos Estados Membros declara que "em consonância com esta posição firme e coerente, a UE continuará a agir com determinação através de uma abordagem estratégica face às ameaças híbridas da Rússia". Na nota que acaba de ser publicada defende ainda que esta posição assegura "uma resposta proativa, coerente e sustentada", com medidas proporcionais e que estão em conformidade com o direito internacional.

"Continuaremos a reforçar a nossa resiliência, a aprofundar a cooperação com os parceiros internacionais, em particular com a NATO, no pleno respeito dos princípios acordados, e a utilizar plenamente todos os meios disponíveis para prevenir, dissuadir e responder eficazmente às atividades híbridas da Rússia", adianta ainda a mesma fonte.

Em causa está o reconhecimento dos ataques da Rússia, que são identificados como ataques híbridos. Nos últimos anos a organização refere ter observado um padrão de comportamentos maliciosos atribuídos ao país, incluindo de serviços de inteligência militar, o GRU (Main Directorate of the General Staff of the Armed Forces of the Russian Federation).

A União Europeia já impôs medidas restritivas contra três unidades do GRU. a 29155, 26165 e 74455) e vários indivíduos ligados a este grupo, e refere que "continua determinada a expor e combater as atividades híbridas da Rússia que têm como alvo a UE e os seus Estados-Membros e, juntamente com os parceiros internacionais, a apoiar a sua vizinhança imediata, em particular a Ucrânia e a República da Moldávia".

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Desde o início da guerra com a Ucrânia houve um escalar destes ataques e no ano passado várias organizações na Alemanha e Chéquia foram alvo de cibertaques através do grupo APT28, controlado pela Rússia.

Já este ano, o Relatório de Atividade APT da ESET referente ao primeiro trimestre de 2025 apontava para o aumento de campanhas agressivas contra a Ucrânia e outros países da União Europeia, liderados por grupos pró-russos como o Sednit e o Gamaredon.

Em 2025, França atribuiu ao GRU uma série de ciberataques que tiveram como alvo processos eleitorais e media, o que é apontado como mais um exemplo dos casos que violam a lei internacional e o enquadramento das Nações Unidas para o comportamento responsável no ciberespaço.

A guerra com a Ucrânia tem assumido contornos mais tecnológicos, e os drones e inteligência artificial estão a transformar campo de batalha na Ucrânia. Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, terão morrido mais de 12 mil pessoas e ficado feridas acima de 28 mil. Além disso, 10,6 milhões abandonaram as suas casas. A observação sempre atenta dos satélites testemunhou a expansão do conflito com a Rússia ao longo dos últimos três anos.

Veja as imagens de satélite de alguns dos ataques

Ucrânia e outros países da União Europeia foram os principais alvos de ciberataques no início de 2025
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O Conselho da UE destaca ainda o facto dos ataques ultrapassarem o domínio online e também se estenderem a infraestrutura físicas, referindo um ataque híbrido na Roménia que afetou o processo eleitoral, enquanto na Alemanha foram relatadas atividades de manipulação de informação na plataforma de media RED.

Nota da Redação: A notícia foi atualizada com mais informação, última atualização 14h13