A depressão Kristin deixou um rasto de destruição em várias zonas de Portugal, com pessoas desalojadas, centenas de feridos, e, pelo menos, nove mortes. A tempestade causou danos extensos em infraestruturas críticas, impactando também o acesso à Internet e a serviços de telecomunicações. Ainda na última quinta-feira, estimativas da ANACOM, baseadas em informação recebida pelas operadoras de telecomunicações, apontavam para mais de 300 mil clientes afetados.
Numa altura em que a depressão Leonardo se aproxima de Portugal, continuam a ser reunidos esforços para repor os serviços de comunicações, embora com dificuldades no terreno e incertezas relativamente a quanto tempo demorará a total reposição da rede.
Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt
Ao TEK Notícias, fonte oficial da Vodafone Portugal, afirma que todas as suas equipas técnicas e de parceiros estão envolvidas na reposição dos serviços, apesar das dificuldades no terreno.
A operadora avança que, na sequência dos esforços, que “incluem soluções de emergência para cobertura de locais estratégicos”, foi possível reativar a rede móvel em todos os 58 concelhos inicialmente afetados, embora, “em alguns casos, de forma parcial e sujeita a instabilidade”.
“Em três desses concelhos - Oleiros, Ferreira do Zêzere e Vila de Rei - o serviço ainda apresenta um grau de degradação elevado”, afirma fonte oficial da Vodafone Portugal.
O restabelecimento do serviço fixo nas zonas afetadas também prossegue, estando “dependente, por exemplo, da reparação de cortes de fibra”.
A operadora nota que os trabalhos desenvolvidos são “muito exigentes e com algum grau de incerteza”, uma vez que dependem de múltiplos fatores, “não só do acesso e recuperação das estruturas destruídas, como da disponibilidade e consistência do fornecimento de energia elétrica”.
Já fonte oficial da NOS indica ao TEK Notícias que as operações de restabelecimento das comunicações da operadora nas zonas mais afetadas pela depressão Kristin continuaram durante todo o fim de semana.
“Neste momento, as comunicações móveis já foram repostas em todas as sedes de concelho”, avança, acrescentando que “também a maioria dos serviços fixos já foi recuperada, pelo que muitos dos clientes já terão acesso a comunicações fixas, caso tenham energia nas suas casas”
A operadora afirma que as suas equipas “continuam no terreno a trabalhar, 24 sobre 24, em plena articulação com a Proteção Civil e forças de Segurança” e que continuam a reunir esforços para “normalizar a situação, para todos os clientes, o mais rapidamente possível".
Numa publicação no LinkedIn, Ana Figueiredo, CEO da operadora, apontou esta segunda-feira que as equipas da operadora têm estado “mobilizadas para responder aos impactos da depressão Kristin”.
Segundo a responsável, “as condições atmosféricas e do terreno continuam muito adversas”, o que tem dificultado a ação das equipas, que contam com “mais de 1.500 técnicos nas zonas afetadas, apoiados por equipas que estão em coordenação permanente com a ANEPC, autoridades locais, municípios e E-REDES”.
Em linha com a informação partilhada pela responsável, fonte oficial da MEO avança ao TEK Notícias que, "embora as condições meteorológicas continuem adversas e tragam desafios operacionais significativos, a MEO mantém 1.500 técnicos no terreno, em estreita colaboração com autoridades, autarquias e proteção civil".
"A evolução tem sido positiva, com um aumento expressivo de serviços repostos nas últimas horas", afirma a operadora, acresentando, por outro lado, que, "neste momento, ainda não é possível avançar com uma previsão para a reposição total dos serviços nas zonas mais severamente afetadas".
Nestes casos mais graves, "os trabalhos dependem das condições de segurança no terreno, da meteorologia e da reposição da energia elétrica, embora a recuperação esteja a avançar de forma progressiva". Apesar disso, a operadora detalha que "atualmente, todas as localidades sede de concelho dispõem de cobertura de rede móvel".
Tal como referido por Ana Figueiredo, “no âmbito das operações de recuperação, foram mobilizados geradores de emergência, ativadas unidades transportáveis de rede móvel e disponibilizada a VOIR – Viatura de Operações de Intervenção Rápida”, de modo a assegurar soluções alternativas.
Segundo fonte-oficial da MEO, há duas VOIR "já em operação em Pombal e Ourém, bem como grupos geradores, cell-sites transportáveis, feixes hertzianos e equipamentos VSAT".
Em paralelo, a operadora "disponibilizou dados móveis ilimitados durante 30 dias nos concelhos mais atingidos", ao qual se junta "acesso gratuito ao serviço MEO Go Multi", para permitir o acompanhamento de informação por parte das populações afetadas.
Em comunicado enviado ao TEK Notícias, a DIGI Portugal afirma que "desde o primeiro momento" que as suas equipas "estão no terreno a avaliar os danos e a trabalhar na recuperação das suas infraestruturas, com o objetivo de restabelecer o serviço com a maior brevidade possível",
"Atualmente, a rede de fibra óptica da DIGI encontra-se operacional em todo o país", avança a operadora. "No que respeita à rede móvel, a maioria das infraestruturas já foi recuperada, embora possam persistir algumas limitações em zonas onde o fornecimento de energia elétrica continua condicionado, incluindo áreas rurais e alguns centros urbanos dos concelhos afetados".
Para mitigar o impacto, a operadora indica que tem vindo a implementar soluções no terreno "como a instalação de sistemas de energia alternativos, o roteamento alternativo de transmissão entre infraestruturas, soluções complementares via satélite e o reforço das equipas de monitorização".
Além disso, a DIGI vai disponibilizar também dados móveis ilimitados durante 30 dias aos clientes do serviço móvel localizados nas zonas mais afetadas.
Mais de 50% das infraestruturas recuperadas
Esta segunda-feira, em declarações à Rádio Renascença, à margem da Cimeira Internacional sobre Resiliência de Cabos Submarinos no Porto, Sandra Maximiano, presidente da ANACOM, afirmou que, embora não se saiba com exatidão quanto tempo demorará a reposição da rede, "mais de 50% das infraestruturas que tinham sido afetadas foram recuperadas".
Segundo dados da entidade reguladora, até às 13h30 de segunda-feira, ainda existiam 147 mil clientes sem acesso a comunicações, sobretudo na rede móvel.
De acordo com a presidente da ANACOM, que reforçou a presença de “muitos operacionais no terreno”, da entidade reguladora como das operadoras, “uma grande parte das falhas de energia decorre da afetação das infraestruturas, sobretudo com a queda de postos e outras antenas”.
Sandra Maximiano admitiu a possibilidade de existirem compensações financeiras para as pessoas impactadas pelos efeitos da depressão Kristin nas comunicações, afirmando que esta será uma questão a analisar, “porque geralmente os clientes são compensados quando existe alguma interrupção do serviço”.
A responsável apontou também para a necessidade de refletir sobre a resiliência das telecomunicações, com medidas que passam, por exemplo, por repensar algumas infraestruturas para estruturas subterrâneas, tendo em conta os alertas de especialistas para o aumento de fenómenos meteorológicos extremos.
Nota de redação: A notícia foi atualizada com informação avançada pela DIGI Portugal. (Última atualização: 05/02 13h17)
Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.
Em destaque
-
Multimédia
Novo Volvo EX60 promete 810 km de autonomia e vai conversar consigo através do Gemini -
App do dia
ClickUp: Uma plataforma que promete substituir todas as ferramentas de produtividade -
Site do dia
Quer mostrar por onde andou nas últimas férias? Trip Replay transforma viagens em vídeos -
How to TEK
Onde encontrar os ficheiros descarregados no iPhone ou smartphone Android?
Comentários