Continuam os esforços para fazer a reposição dos serviços de telecomunicações afetados pela passagem de várias tempestades em Portugal. As operadoras mantêm equipas no terreno, mas admitem a persistência de várias dificuldades que estão a condicionar as medidas tomadas e a atrasar a recuperação total. 

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Ainda no final desta terça-feira, a ANACOM estimava que ainda existiam 131 mil clientes sem acesso a redes móveis, indicam dados da entidade reguladora, citados pelo Expresso. Segundo dados partilhados pelo regulador ao TEK Notícias, no dia 11 de fevereiro, existiam cerca de 120 mil acessos móveis e cerca de 34 mil acessos fixos afetados. 

Ao TEK Notícias, fonte oficial da Vodafone avança que mantém todas as suas equipas no terreno, com cerca de 800 pessoas, para “normalizar a sua operação na sequência do impacto causado pelas intempéries”.

Segundo a operadora, “a rede móvel já foi reativada em todos os concelhos onde a depressão Kristin teve maior impacto”. Foi reposto o “funcionamento de 85% das 987 estações móveis inicialmente sem serviço, permitindo que o serviço móvel já esteja acessível a cerca de 93% das populações nas zonas afetadas”, afirma.

Já na rede fixa, a Vodafone dá conta da recuperação de 94% nas zonas mais afetadas, lembrando que “a reposição integral desta rede depende ainda, sobretudo, do restabelecimento do fornecimento de eletricidade”.

Apesar dos esforços, a operadora admite que “persistem ainda múltiplas dificuldades”, incluindo de serviços que voltam a cair após reparações, “seja por instabilidade de energia ou por novos cortes de fibra que resultam da intervenção posterior de terceiros no terreno”.

Tendo em conta os constrangimentos, a Vodafone estima que a grande maioria dos seus serviços seja recuperada até ao final de fevereiro, notando, no entanto, que podem existir casos em que seja necessário “reconstruir zonas de rede na sua totalidade, o que poderá prolongar a recuperação total do serviço”.

Uma vez que a situação no terreno é muito dinâmica, os planos “podem ter alterações significativas”, afirma a Vodafone, que está também a partilhar informação atualizada sobre a evolução da recuperação no seu fórum online.

Questionada sobre o custo dos prejuízos causados pelas tempestades, a operadora afirma que “ainda não é possível quantificar com rigor o impacto financeiro e o investimento necessários”. “Neste momento, a prioridade é garantir a recuperação operacional e o apoio aos clientes”, indica. Para já, a MEO e a NOS também não avançam com mais informação relativa aos custos dos prejuízos.

Do lado da MEO, uma página online dedicada à evolução na reposição dos seus serviços afetados pela depressão Kristin, a operadora indica que, a 11 de fevereiro, o grau de disponibilidade da rede fixa nas zonas afetadas era de 90%. Na rede móvel, a percentagem de população com disponibilidade era de 94%.

Segundo a informação partilhada na mesma página, a operadora prevê que haja 95% de disponibilidade da rede móvel até ao dia 23 de fevereiro. No que toca à rede fixa, as previsões da MEO apontam para 28 de fevereiro.

Em informação partilhada com o TEK Notícias, a operadora afirma que as suas equipas estão no terreno 24/7 a trabalhar para repor as comunicações nas zonas afetadas pelas tempestades. Recorde-se, anteriormente, a MEO já tinha avançado que mantinha no terreno 1.500 técnicos, “em estreita colaboração com autoridades, autarquias e proteção civil".

No que respeita ao grau de destruição causado pela depressão Kristin, a operadora dá conta que foram destruídos 2.000 km de cabos de fibra, 28.000 postes e 35 torres de rede móvel.

Além das equipas no terreno, a MEO indica que mobilizou meios alternativos de emergência para apoiar empresas e comunidades, incluindo Viaturas de Operações de Intervenção Rápida (VOIR) e a “instalação de grupos geradores de energia para alimentar estações móveis prioritárias”.

A eles juntam-se o “uso de estações móveis transportáveis e/ou ligeiras para reposição de rede móvel em locais selecionados (cellsites)”, assim como de “feixes hertzianos para recuperação de infraestruturas fixas e móveis e como solução de contingência para serviços prioritários” e de “soluções alternativas via satélite”.

A operadora detalha que as principais dificuldades na reposição das comunicações se prendem com o acesso às zonas com maior grau de destruição, aos cortes e condicionamentos de vias rodoviárias, à persistência de condições meteorológicas adversas, bem como à reincidência de estragos e à persistência de falhas no fornecimento elétrico.

No caso da NOS, a operadora indica, numa atualização partilhada no seu fórum online, que, a 10 de fevereiro, a cobertura de rede móvel foi reposta em todas as sedes dos concelhos mais afetados.

Segundo a mesma fonte, à data em que a informação foi partilhada, 94% do seu serviço móvel e 92% do seu serviço fixo já estavam recuperados, com este último a depender do fornecimento de energia elétrica.

A operadora indica que os trabalhos de reposição continuam “24/7, de forma progressiva e em coordenação com a Proteção Civil”, mas também “condicionados por fatores externos”. As medidas de contingência da NOS mantêm-se ativas, com prioridade às comunicações críticas e às operações de emergência.

Na mesma página, a NOS dá também conta do estado de resolução de zonas afetadas, onde confirma o restabelecimento destes serviços nas diferentes zonas/localidades. Na lista, que tem vindo a ser atualizada desde 5 de fevereiro, Alvaiázere e Condeixa-a-Nova são as zonas mais recentes, com a operadora a confirmar o restabelecimento de serviços a 11 de fevereiro.

Roaming nacional? Operadoras defendem que não responde de forma eficaz

Perante os efeitos das tempestades que têm afetado o país, a ANACOM avançou na semana passada com um conjunto de recomendações às operadoras, bem como propostas para o Governo, para “acelerar a reposição dos serviços e atenuar os impactos junto dos utilizadores”.

O roaming nacional temporário é uma das medidas recomendadas, com a entidade reguladora a afirmar que “na medida do que for viável”, é recomendados que as as operadoras “celebrem acordos de roaming de carácter temporário”, dando aos utilizadores a possibilidade de aceder às redes de outras operadoras durante o período em que as falhas nos serviços subsistam.

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No entanto, como avançam o Público e o ECO, as operadoras defendem que a medida a implementação do roaming nacional temporário não responde de maneira eficaz às necessidades das populações afetadas, além de ser uma medida tecnicamente complexa.

Segundo a MEO, NOS e Vodafone, as tempestades danificaram as infraestruturas de todos os operadores, o que limita a utilidade do roaming entre redes. Neste momento, as empresas indicam que estão a concentrar os seus esforços na reposição dos serviços afetados.

Recorde-se que, além de medidas relacionadas com a informação ao público, a entidade reguladora propôs às operadoras a criação de mecanismos para identificar e tratar com celeridade as dificuldades no acesso aos serviços por parte de pessoas com necessidades especiais e em situação de vulnerabilidade social.

A ANACOM recomendou ainda à MEO que, nas zonas afetadas, “agilize os prazos de resposta e simplifique os procedimentos associados aos pedidos de instalação de cabos em condutas e postes ao abrigo das ofertas de referência a condutas e postes (ORAC e ORAP), incluindo faturação e cobrança”.

Ao Governo, o regulador propôs um conjunto de medidas para reforçar a proteção dos utilizadores nas zonas abrangidas pela declaração de calamidade, incluindo a proibição de suspensão de serviços por falta de pagamento durante três meses, a possibilidade de suspensão temporária de contratos sem penalizações e acordos de pagamento sem juros.

A ANACOM defendeu ainda a isenção de taxas para licenças temporárias de estações de radiocomunicações nas áreas afetadas.

Em linha com o que é estabelecido pela Lei das Comunicações Eletrónicas, a MEO, NOS e Vodafone vão descontar na fatura os dias sem serviço, estando também a disponibilizar dados móveis ilimitados durante 30 dias aos clientes das zonas mais afetadas, numa medida que também foi tomada pela DIGI Portugal.

Nota de radação: A noticia foi atualizada com dados da ANACOM sobre os acessos móveis e fixos afetados. (Última atualização: 16h03)

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