Fernando Camilo é o líder científico do Square Kilometre Array para a África do Sul (SKA SA), programa ao abrigo do qual está a ser construído o MeerKAT, aquele que será o maior radiotelescópio do mundo assim que as suas 64 antenas estiverem instaladas, no final de 2017.  

Além deste astrónomo lisboeta com 20 anos de carreira (e autor do software de recolha de dados utilizado em quase metade das descobertas de pulsares conhecidos), também Paulo Freire, ex-aluno do Instituto Superior Técnico e um dos grandes nomes da astronomia mundial na investigação sobre a mesma temática, participa em três dos projetos científicos principais do SKA.

Fernando Camilo é responsável pelo programa científico do MeerKAT, acumulando ainda o aconselhamento estratégico do diretor do projeto do SKA SA. Por sua vez, Paulo Freire é ainda investigador sénior no Instituto Max Planck, na Alemanha, e titular de um Consolidator Grant do Conselho Europeu de Investigação.

Este grupo de investigação foi fundamental para o financiamento de 11 milhões de euros concedido pelo Max Planck ao projeto MeerKAT do SKA SA, pode ler-se em comunicado emitido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

A comunidade internacional de astronomia foi recentemente surpreendida pela “primeira imagem” proveniente do MeerKAT, a partir da África do Sul. A First Light do radiotelescópio revelou mais de 1.300 galáxias numa pequena parte do céu – inferior a 0.01% da esfera celeste – onde antes eram conhecidas apenas 70.

O MeerKAT é já o melhor radiotelescópio do seu género no hemisfério sul. Quando estiver completo e com as suas 64 antenas instaladas, no final do ano que vem, será o mais poderoso telescópio nesta categoria. Mas esta é apenas uma parte da construção de um radiotelescópio com milhares de antenas e 100 vezes mais sensível do que qualquer telescópio de rádio atual – o Square Kilometre Array (SKA).

“Com esta espantosa ‘primeira imagem’, o MeerKAT junta-se assim ao grupo dos melhores telescópios do mundo”, diz o astrónomo Fernando Camilo. Portugal está a analisar a possibilidade de adesão formal ao projeto nos próximos tempos, abrindo eventuais portas a mais possibilidades de cooperação para a ciência e indústria portuguesas.