Em visita à China, Vladimir Putin citou comentários de um executivo de topo da Microsoft que alegadamente criticou o governo norte-americano de acumular ciberarmas e negou qualquer relação entre o caso WannaCry e a Rússia, como adianta o Financial Times.

Depois de ser conhecido o modo de atuação do vírus WannaCry alguns meios de comunicação estabeleceram uma ligação entre o exploit e a NSA, National Security Agency, mas esta informação nunca foi confirmada.

Em cima da mesa estiveram nomes como o Brasil, a Rússia e até a China como possíveis origens os ataques, mas a verdade é que todos os países têm baixas significativas a reportar, entre empresas e serviços públicos afectados pelo ataque.

"A Microsoft disse diretamente: a fonte inicial do vírus sãos as agências de segurança norte americanas. A Rússia não teve absolutamente nada a ver com isso" afirmou Putin, citado pela mesma fonte.

O ataque atingiu várias organizações russas, como o ministério do Interior, o operador MegaFon e o Sberbank, o grupo bancário detido pelo estado, e a Kaspersky Lab já admitiu que a Rússia terá sido um dos países mais afetados, mas o presidente garantiu não ter havido "danos sérios". Mesmo assim afirma que é preocupante.

"Os génios que são tirados das garrafas desta forma, especialmente se foram criados por serviços secretos, podem atingir os próprios autores e criadores", avisou.

Os dados mais recentes indicam que mais de 1,3 milhões de computadores ainda estão vulneráveis aos ataques que já terão causado problemas em mais de 200 mil equipamentos, de cerca de 150 países.

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A Europol já confirmou que a situação está estabilizada na Europa, mas admite que este ainda não é o fim desta crise, já que os hackers podem continuar a fazer evoluir o malware.

Algumas notícias indicam que na base do ataque está a "ciberarma" EternalBlue que terá sido roubada à NSA pelo grupo Shadow Brokers, que terá ligações a agências de espionagem russas.

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Os especialistas aconselham as empresas a aplicarem todas as atualizações nos sistemas operativos e aplicações, sobretudo sistemas anteriores ao Windows 10, e a Microsoft já divulgou novas ferramentas de correção. Outro dos conselhos é para que não paguem qualquer resgate exigido, até porque não há garantia de que recebam a chave para desencriptar os ficheiros. Mas muitas empresas já pagaram e os números mais recentes recolhidos por um bot que monitoriza os depósitos nas contas de bitcoin apontam para pagamento de mais de 50 mil euros.