Durante os últimos dias a equipa do Tek revisitou temas que marcaram 2016, à semelhança do que foi feito nos anos anteriores abordando, inclusive, tópicos que fizeram parte das previsões e tendências antecipadas logo de início.

São ao todo 13 artigos, onde não faltam menções a velhos e novos “protagonistas”, desde a Samsung à assistente pessoal Alexa, “misturando” também iPhone, hackers, Estados Unidos, Uber e WebSummit.

A conferência de tecnologia e empreendedorismo importada de Dublin para Lisboa foi precisamente o primeiro tema a ser tratado com a hashtag #omelhorde2016.  Conheça os outros na próxima galeria.

Pode ler ou reler, na íntegra, cada um dos artigos do nosso best of de 2016 nas próximas páginas.

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Web Summit e a promessa de colocar Portugal no mapa do empreendedorismo

Desde que, ainda em novembro de 2015, se soube que o Web Summit iria assentar arraiais em Lisboa, instalou-se um clima de euforia e o evento passou a fazer parte da maioria das conversas e planos de ação. Depois da primeira edição, o balanço é globalmente positivo e espera-se mais para os próximos anos.

Não se podia fazer um balanço do ano na área da tecnologia sem se falar do Web Summit. A conferência de empreendedorismo, tecnologia e inovação foi um dos principais temas do ano, não só pelo volume de notícias que gerou mas também, e sobretudo por ter criado um impacto real nas estratégias das empresas nesta área, e também na economia, pelo menos em Lisboa.

Nos próximos dias a equipa do Tek vai revisitar os principais temas que marcaram o ano de 2016 (#omelhorde2016), à semelhança do que tem feito nos últimos anos e abordando tópicos que fizeram parte das previsões e tendências que assinalámos no início do ano. E o Web Summit é o primeiro.

No último ano publicámos cerca de uma centena de artigos onde o Web Summit era peça central ou acessória, mas isto é uma gota de água no Oceano de milhares de publicações nas redes sociais e notícias na imprensa, isto contando desde que se confirmou a mudança para Lisboa, depois de um início de trajeto em Dublin.

Toda a preparação que envolveu o evento - que inicialmente previa um número de visitantes a rondar os 40 mil e acabou por chegar aos 79 mil - foi intensa, com muitas pré-conferências em várias cidades e um roadshow pela Europa, mas também com muito trabalho de bastidores a nível das empresas e das organizações públicas, procurando posicionar-se num Web Summit onde era fácil ser ultrapassado, e caro marcar lugar com uma dimensão significativa.

Do lado do Web Summit a criação de um escritório em Lisboa foi apenas um passo quase simbólico, até porque a máquina de marketing funcionou impecavelmente, e houve muito quem recebesse umas largas dezenas de emails na caixa de correio.

Mas os dias mais acelerados foram os do próprio evento, ou melhor, da semana do Web Summit, que acelerou Lisboa durante uma semana, mesmo que as conferências só durassem três dias.

Mais de 50 mil geeks e empreendedores "invadiram" Lisboa e aproveitaram ao máximo o networking e a vida noturna. E não é folclore que as melhores "ligações" e negócios se fizeram à mesa de um bar, ou nos eventos alternativos onde a gravata não fazia parte da indumentária.

Mesmo com toda a equipa do Tek no Web Summit, todo o tempo foi pouco para assistir a todas as conferências, onde participaram mais de 600 oradores, em 21 palcos, mas também para explorar as propostas de mais de 1.500 startups que procuravam o seu momento de glória, ou uma oportunidade de investimento.

O bom, o mau e as críticas que sempre se fazem

A acreditar no fundador do Web Summit, Paddy Cosgrave, tudo correu lindamente. O empreendedor continua apaixonado por Lisboa e garante que sair de Dublin para esta cidade foi a melhor decisão que tomou. E pelos vistos há muito quem subscreva esta ideia, sobretudo entre os muitos participantes internacionais, provenientes de 165 países, com quem falámos ao longo dos quatro dias (a começar no dia 0). Na verdade muitos já estão em Lisboa há quase uma semana, e nem a chuva que chegou a cair fez esmorecer os ânimos.

Mais animados, ou mais habituados a grandes eventos, os elogios fizeram-se ouvir em várias línguas, mas as principais críticas acabaram por vir de portugueses, pouco confortáveis com a logística de um evento desta dimensão e as muitas filas, restrições de acesso a várias áreas do imenso recinto em que a Web Summit transformou esta zona da Expo.

Não foi simpático ter de usar o metro sobrelotado, sair e ter de percorrer toda a FIL para ir para o Meo Arena, mas as regras são para cumprir, sobretudo porque a organização é irlandesa e não portuguesa. O Wi-Fi nem sempre funcionou a 100%, e gerou um "Wi-FiGate", apesar de muito elogiado pela organização, mas pelo meio estiveram ligados mais de 67 mil equipamentos únicos, e descarregados mais de 20 Terabytes de dados, o equivalente a 30 anos de uso constante da internet para um utilizador “normal”.

Por todo o lado se partilhavam fotografias, e vídeos live, para além da app e das mensagens que estabeleceram ligações entre os participantes. Foram mais de 1 milhão de sessões Wi-Fi e 1,835 milhões de mensagens enviadas na aplicação que servia de guia de orientação aos participantes.

Do lado dos empreendedores, entre Starts, Alpha e Beta, o balanço geral foi positivo, mas há também quem não tenha ficado muito impressionado e tenha a noção de que não conseguiu explorar muito bem o evento. Só 1 dia de exposição é pouco e é muita gente, com “as pessoas sempre apressadas para ir para algum lado”.

Do lado da organização já tinham avisado que mesmo entre os selecionados (de entre milhares de candidatos) não havia garantia de sucesso. “As empresas têm de lutar muito para conseguir vencer” e na preparação está uma grande parte da fórmula, porque não basta ter uma boa ideia.

Não se pode dizer que as startups e empreendedores não tiveram muito espaço de palco, a começar logo no primeiro dia, somados aos muitos PITCH que foram feitos e as Office hours e Mentor Hours que voluntários disponibilizaram para apoiar as empresas e responder às perguntas.

Os três vencedores dos PITCH estiveram no palco central a apresentar as suas ideias, mais ou menos sustentadas, e o vencedor foi a Kubo robot, que veio da Dinamarca e garante que mesmo nas primeiras fases, e se não tivesse chegado à final, tinha conseguido beneficiar de ter estar no Web Summit. "Estamos orgulhosos", garante depois de ter dito que não estava muito confiante mas que deve ter feito alguma coisa boa. 

E nos próximos anos?

À partida estava garantido que o Web Summit iria ficar em Lisboa durante três anos, até 2018, mas agora já se fala em cinco anos. E Paddy Cosgrave garantiu que quer fazer o evento crescer, chegando em 2017 aos 80 mil participantes, alargando o espaço ocupado na Expo e conseguir a presença de mais mulheres. Mas sem perder o foco nas startups. Em resposta ao Tek na conferências de imprensa explica que o evento se transformou e que se no primeiro ano duplicar os 400 participantes em Dublin parecia um desafio, agora nada indica limites. “Temos mais CEOs a participar e uma maior diversidade, e isso é bom, porque as startups conseguem encontrar mais resposta para as suas necessidades específicas nos vários sectores”.

Este anos as promessas são muitas, e depois da primeira experiência há muito quem queira voltar.

 

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Pokémon Go apanhou-nos a todos

O jogo de realidade aumentada da Niantic foi um dos maiores sucessos do ano, mas depois de conquistar o público no imediato, rapidamente ingressou numa espiral regressiva de popularidade.

Pokémon Go virou o mundo do avesso. Parou o trânsito em Nova Iorque, provocou acidentes de trânsito e mobilizou multidões que se juntaram um pouco por todo o mundo com o propósito comum de apanhar pokémons. E por isso tinha de estar entre os temas #omelhorde2016 do Tek, na revista do ano que estamos a fazer ao longo dos próximos dias.

Lançado na loja de aplicações em junho deste ano, o jogo móvel da Niantic fez exatamente aquilo que prometia fazer: articular o mundo real com o universo fictício dos pokémons dando origem a uma aventura que obriga os utilizadores a explorarem as redondezas para capturar todas as criaturas disponíveis.

A premissa agradou a milhões e esses milhões responderam com downloads. Só no espaço de um mês, o jogo de realidade aumentada já contava com mais de 100 milhões de descargas em apenas 32% dos mercados mundiais onde as stores estavam disponíveis.

Os números continuaram a crescer nas semanas seguintes. A estreia em mercados como o Brasil e o Japão alavancaram a aplicação para mais umas semanas de febre generalizada que se alastrou um pouco por todos os segmentos da sociedade. Em pouco tempo, também as empresas passaram a tomar partido do fenómeno. A Zomato criou uma categoria dedicada aos restaurantes onde se podia jogar Pokémon Go em paz, o Continente premiou os treinadores que apanharam pokémons dentro dos seus supermercados e as operadoras zeraram os dados da aplicação para vender tarifários e smartphones.

O jogo tornou-se na aplicação a que os utilizadores dedicavam mais tempo chegando mesmo a superar as redes sociais. De acordo com um estudo publicado pela revista Forbes no passado dia 8 de julho, a app chegou a contabilizar um tempo de utilização média por utilizador superior a 40 minutos diários, mais 13 do que o segundo lugar, na altura ocupado pelo WhatsApp.

E depois da bonança...

O contraciclo, no entanto, iniciou-se pouco tempo depois. A 25 de agosto, pouco mais de um mês após o lançamento da aplicação em Portugal, o Tek noticiava a tendência regressiva que se observava no mercado. Pokémon Go estava a perder jogadores todos os dias e isso era claro como água. Eram cada vez menos as pessoas que se passeavam de telefone em riste, as marcas já não aludiam à aplicação nas suas publicações nas redes sociais e o volume de notícias relativas ao assunto reduziu drasticamente.

Os argumentos dos que deixavam o jogo eram transversais. Pokémon Go cativou imediatamente as massas durante as primeiras semanas, mas a incontornável repetição e a falta de atualizações substanciais deixou rapidamente de atrair os mais e os menos dedicados à captura de pokémons. Do lado do público pediram-se várias mudanças: combates em tempo real entre utilizadores, trocas e a adição de criaturas da segunda geração. Do lado da Niantic nada disto foi concretizado até há bem pouco tempo quando a empresa começou a juntar novos pokémons ao jogo.

Só em agosto foram 12 milhões de utilizadores diários a menos do que no pico registado em julho e no mês seguinte já se contavam menos 80% dos utilizadores pagantes na aplicação.

As estratégias sequentes não surtiram efeito. O lançamento do wearable, os eventos temáticos e o primeiro alargamento da pokédex não foram suficientes para fazer regressar os jogadores perdidos.

Hoje, a aplicação é apenas um momento importante de um ano tecnológico. Deixou o quotidiano dos utilizadores de smartphones e já está à sombra de um novo sucesso de downloads chamado Super Mario Run.

Pelo menos para os próximos tempos, a ressurreição não se adivinha.

 

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A porta da realidade virtual escancarou-se

A profecia concretizou-se. A realidade virtual é agora uma tecnologia massificada, ao alcance de todos, mas ainda com muito terreno por desbravar. Por isso e por muito mais, tem um cantinho muito especial reservado no #melhorde2016.

Não era difícil de adivinhar que acabaria por acontecer e em janeiro deste ano o Tek já dava conta do fenómeno. A realidade virtual veio para ficar. Massificou-se e não há muita gente a querer mandá-la embora. A tecnologia ainda tem falhas, é certo, mas depois de um ano em que a PlayStation lançou o seu próprio headset, que os Oculus Rift chegaram ao mercado e que marcas como a Google, a LG, a HTC, a Alcatel ou a Samsung desenvolveram os seus próprios produtos para o segmento, o Tek não poderia excluir a realidade virtual da revista que estamos a conduzir aos melhores acontecimentos tecnológicos de 2016.

O ano começou mesmo com um momento caricato onde os Gear VR, da Samsung, foram protagonistas. No Mobile World Congress, que decorreu mais uma vez em Barcelona, Mark Zuckeberg fintou toda a gente com uma entrada "sorrateiro-espetacular" em palco enquanto o público se distraia com um headset da tecnológica sul-coreana.

O evento em si teve pouco peso no desenrolar do mercado de realidade virtual, mas deu, a quem ainda não acreditava, provas suficientes de que 2016 seria mesmo o ano em que esta tecnologia se acabaria por revelar a um público maior. E, para além disso, uma das fotografias mais caricatas dos últimos 365 dias.

A Samsung foi de resto uma das maiores alavancas desta tecnologia. Ainda no MWC, no passado mês de março, a empresa sul-coreana apresentou o Galaxy S7 e levou-o para o mercado num aliciante pacote onde incluiu um headset de realidade virtual de forma totalmente gratuita. Não é certo que a oferta tenha aliciado os consumidores, mas é definitivamente certo que o sucesso de vendas deste smartphone ajudou muitos a ter o seu primeiro contacto com os universos alternativos a que os Gear VR abriram a porta. Em Portugal, por exemplo, as vendas na semana de lançamento foram três vezes superiores às registadas na estreia do modelo anterior.

Abertas as hostilidades, começaram a surgir as primeiras previsões e em abril já a IDC fazia as contas: "até ao final do ano, as vendas de óculos de realidade virtual devem chegar a 9,6 milhões de unidades", dizia a analista norte-americana.

Ao passo que a tendência se demarcava entre as tecnológicas, também o resto do mercado se desdobrava em ideias para a acompanhar. Em maio a IMAX falou em cinemas de realidade virtual, a NBC transmitiu cerca de 85 horas de conteúdos dos Jogos Olímpicos em realidade virtual, os médicos utilizaram-na para reverter paralisias de forma parcial, e por altura da IFA, já os corredores se enchiam com todo o tipo de gadgets para a revolução que estava em curso.

Em agosto, a tecnologia era já um sector diferente por conta e obra desta possibilidade, mas uma das maiores promessas da realidade virtual estava ainda por cumprir e ainda faltavam dois meses para lhe podermos deitar as mãos.

Os PlayStation VR já se tinham feito anunciar há muito, mas a ideia de ter um headset concebido especialmente para videojogos por uma das maiores empresas da indústria entusiasmou os consumidores e todos os lotes alocados para a fase de pré-encomendas esgotaram.

O lançamento foi igualmente bem sucedido. E numa altura em que a Sony já vendeu mais de 50 milhões de PS4, é de esperar que os bons números não parem por aqui. No entanto, como vários especialistas atestaram ao longo do ano, e as palestras sobre VR no Web Summit foram boa prova disso, "os verdadeiros motores desta tecnologia, são os conteúdos", uma afirmação repetida incansavelmente ao longo do ano e que consagra os videojogos como um dos melhores (se não o melhor) segmentos para explorar a realidade virtual para o consumidor final.

Por altura do final do ano, a indústria dos videojogos vai render cerca de 90 mil milhões de dólares em receitas, de acordo com a SuperData Research, e embora os títulos para VR não tenham chegado às estimativas esperadas, é de esperar que, uma vez massificada, a tecnologia se torne, tal como os smartphones se tornaram, numa tecnologia tão banal quanto as outras.

Numa altura em que se reveem em baixo as expectativas para as vendas anuais dos headsets de VR, há que sublinhar o facto de já várias tecnológicas terem reafirmado o seu interesse em continuar a explorar a tecnologia em 2017.

O espacinho no coração dos consumidores está conquistado. Agora cabe às tecnológicas mantê-lo, expandi-lo e fazer com que o interesse pelos seus conteúdos não esmoreça. 

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O Espaço como próxima fronteira está cada vez mais perto

Foi um excelente ano sem os pés bem assentes na Terra, com muitos objetivos espaciais cumpridos e revelações surpreendentes, mas também houve momentos menos felizes.

O Espaço vai ficando mais próximo à medida que há mais segredos desvendados, e em 2016 houve uns tantos. Tal como noutros temas marcantes, como a condução autónoma ou a realidade virtual, já tratados no resumo que o Tek está a fazer, notícias não faltaram no que à “política extraterrestre” diz respeito, e muitas delas surpreendentes, como só este sector é capaz de proporcionar.

Depois das alfaces, o ano começou com a notícia de que também há flores a bordo da Estação Espacial Internacional, mais precisamente zínias. As primeiras da história plantadas e criadas no espaço.

Pelo lado menos positivo, 2016 ficou marcado pelo fim trágico do apaixonante “namoro” de longo prazo da sonda Rosetta com um asteroide. Passavam cerca de 40 minutos do meio-dia do dia 30 de setembro quando o gráfico de atividade da Rosetta, mostrado nos ecrãs da central de comando da ESA parou. Era o derradeiro sinal de que a sonda espacial tinha chegado ao seu destino final, o cometa 67P, e adormecido para sempre. A Reuters registou o momento.

Para a história ficam 12 anos com muita ciência para contar. Mas a Rosetta não foi o único revés para a ESA. As coisas também não correram bem com a Schiaparelli. A cápsula espacial destinada a Marte separou-se da sonda-mãe principal no dia 16 de outubro e devia ter pousado em solo marciano quatro dias depois.

Depois de pousar, a intenção era que pudesse usar os instrumentos "meteorológicos" de que ia munida para medir elementos como a velocidade e a direção do vento, a humidade, a pressão, a temperatura e também os campos elétricos da atmosfera marciana.

De qualquer forma, este acabou por ser apenas um percalço, já que a outra parte da missão, que compreendia pôr a sonda-mãe, TGO, em órbita, foi conseguida com sucesso total. A ExoMars procede e ainda vai ter muitas histórias para contar.

Paralelamente, outras missões espaciais começaram “à seria” e continuam lá longe a cumprirem os seus objetivos. É o caso da Juno que anda a ajudar a revelar os segredos do Universo, mais especificamente sobre Júpiter.

Depois de cinco anos de viagem, a sonda encontrou-se com o gigante gasoso no início de julho e passado poucos dias enviava a primeira foto. No mês seguinte completava o seu primeiro voo rasante sobre o maior planeta do Sistema Solar, na primeira de 36 viagens orbitais de grande proximidade fará até 2018.

Embora esteja a cumprir condignamente os seus objetivos, já pregou uns sustos à sua equipa, principalmente quando decidiu tirar uma sesta enquanto estava “de serviço”.

A New Horizons foi outra das sondas que continuou “perdida” no Espaço, salvo seja. A missão foi lançada em 2006 com a intenção de estudar Plutão e as suas luas. Em julho de 2015 atingiu o auge, quando a sonda se aproximou do planeta e recolheu as imagens mais detalhadas alguma vez capturadas. A informação recolhida nessa altura vinha chegando à Terra aos poucos e só ficou concluída em outubro.

Relativamente às fotos, em dezembro de 2015 a NASA mostrou imagens de Plutão recolhidas no momento antes da aproximação máxima da sonda ao planeta, recebidas em setembro, que classificou como as melhores obtidas até à altura. Em janeiro deste ano mostrava fotos recebidas a 24 de dezembro de 2015.

Destes e doutros instrumentos que “pairam no ar” (ou olham para ele), resultaram inúmeras e importantes descobertas. Por exemplo que existe mesmo um planeta que pode ser uma “segunda Terra”. A temperatura registada neste astro rochoso permite a existência de água líquida, uma condição essencial à vida como hoje se conhece.

Ficámos também a saber, pelos cálculos do conceituado físico teórico Stephen Hawking, que a Humanidade só tem mais 1.000 anos na Terra, e que por isso é preciso encontrar um novo planeta rapidamente.

Daí a esperança depositada em Marte, que em 2016 saiu bastante reforçada. As descobertas e estratégias relacionadas com o Planeta Vermelho merecem um capítulo especial.

A NASA deu mais um pequeno passo nessa direção ao testar com sucesso um novo propulsor para o Space Launch System (SLS), o foguetão mais poderoso alguma vez construído. Este foi o segundo teste realizado e o último deste elemento antes de acontecer o primeiro teste de voo do SLS com a nave Orion da Nasa destinada a rumar ao Planeta Vermelho, previsto para o final de 2018.

Entretanto em agosto uma equipa de seis astronautas terminou a sua missão simulada numa cúpula, que imitava as “condições de vida” marcianas, em Mauna Loa, Havai.

É verdade que as missões tripuladas a Marte – a outros “locais espaciais” – ainda estão a vários anos de distância, mas Elon Musk não tem descurado o trabalho para as tornar realidade. E deu vários passos nesse sentido ao longo de 2016, como por exemplo os testes aos propulsores Raptor, responsáveis por darem o impulso inicial às missões.

Entretanto, foi apresentada uma proposta de primeira casa marciana, uma habitação que mostrava as possíveis condições de vida humana caso alguma vez esta se chegue a fixar no planeta vermelho.

Em 2016 os foguetões reutilizáveis continuaram a marcar a atualidade, com uns a nunca chegarem a saber o que isso é, ou porque não estão destinados a regressar ao Espaço ou porque, digamos, deixaram simplesmente “de ser” – mais precisamente explodiram no regresso ou mesmo sem nunca terem abandonado a plataforma de lançamento.

Engraçado foi ver a reação de Elon Musk, “patrão” da SpaceX, em êxtase na primeira vez em que a empresa conseguiu aterrar um foguetão com sucesso, num vídeo divulgado recentemente.

No meio disto tudo, chegava à Estação Espacial Internacional um módulo insuflável que promete revolucionar o sector. A tecnologia seguiu viagem em abril e em maio estava pronta a ser usada. De momento está bem e recomenda-se, garante a NASA.

Dos Estados Unidos veio a aprovação da exploração de viagens espaciais por empresas privadas, abrindo as portas para que projetos como a SpaceX e a Moon Express ponham em curso as suas ideias (por enquanto) futuristas.

No mesmo contexto, 2016 foi igualmente um ano que trouxe novos – ou revisitados – protagonistas, ou pelo menos “aspirantes a”. Foi o caso da China e da India.

De tudo o que se passou destacamos ainda um outro momento marcante: o regresso à Terra de Scott Kelly, considerado o astronauta mais social de sempre, por ter iniciado todo um ritual de partilha do dia-a-dia de quem vive lá no alto, no Twitter e no Instagram, imagens da vista privilegiada a que tinha acesso incluídas. Um hábito continuado logo de seguida por Tim Peak, que entretanto também já está na Terra.

Além de partilhar fotos, da missão de Scott Kelly ficou a saber-se que quem vai ao Espaço pode regressar mais alto e mais novo.

Durante os 340 dias que passou a bordo da Estação Espacial Europeia Scott Kelly terá crescido duas polegadas, o equivalente a 5,08 centímetros. Isto porque na ausência de gravidade a coluna vertebral tem tendência para alongar-se.

Além de mais alto, o astronauta regressou mais novo e a justificação está relacionada com a teoria da relatividade de Einstein. De acordo com a mesma se dois objetos se movem a velocidades diferentes, o tempo passa mais depressa para o objeto mais lento - um fenómeno conhecido como dilatação do tempo.

Mas como remate final, fiquemos com algumas imagens da Terra vista do Espaço que nunca nos cansamos de ver.

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Prepare-se para tirar as mãos do volante que os carros autónomos vêm aí

Em 12 meses muito pode mudar e foi o que aconteceu com os carros autónomos. Se no início de 2016 a tecnologia parecia estar a anos de distância, agora tudo indica que vamos começar a tirar as mãos do volante e os pés dos pedais “à séria”, dentro de pouco tempo.

Foi uma das tendências confirmadas e um dos temas que mais tinta fez correr ao longo do ano e inevitavelmente teria que fazer parte do resumo que o Tek está a fazer dos principais acontecimentos de 2016.

A tecnologia autónoma evoluiu nos últimos meses e só não podemos dizer que “ganhou asas” porque não é um avião, mas a promessa é a de possibilitar que ponha o papel de condutor automóvel de lado e possa tirar os olhos da estrada muito em breve, enquanto o seu carro percorre as estradas da sua eleição ou “obrigação”.

É verdade que o ano começou com uma fabricante automóvel a dizer que iria ter carros parcialmente autónomos em 2020 e mesmo mesmo autónomos isso só em 2030, mas os tempos seguintes foram um corrupio de novidades, de várias frentes e tudo “acelerou”.

Apareceram mais fabricantes automóveis tradicionais a quererem reclamar a sua quota de mercado da condução autónoma, associadas a outras empresas, como a BMW, a Nissan, a Mercedes e a Ford, entre outras.

Reforçaram-se projetos, nomeadamente na área de transporte de passageiros, como foi o caso da nuTonomy, que só deverá começar a fornecer o seu serviço em 2018, mas que este ano chegou a uma nova cidade para testes. A Uber também não quis ficar de fora e apostou em várias ideias.

A sua primeira frota de “táxis robots” começou a operar em setembro em Pittsburgh, nos Estados Unidos e passado pouco mais de um mês, a empresa, através da Otto, uma startup norte-americana adquirida por 680 milhões de dólares, concluía com sucesso a primeira entrega com um camião autónomo que percorreu 200 quilómetros sozinho.

A Uber entretanto também tinha comprado a divisão de mapas do Bing, da Microsoft, reduzindo assim a sua dependência dos mapas da Google, uma das suas principais concorrentes na esfera da condução autónoma.

E por falar em Google, a gigante norte-americana é, acima de tudo, uma das pioneiras do sector, com o seu peculiar “carro bolha”. Depois de quilómetros de testes, a empresa decidiu nos últimos meses de 2016 que afinal não vai ter um modelo próprio, optando antes por uma estratégia que dá primazia à venda da tecnologia a fabricantes tradicionais.

A história dos carros autónomos também não se faz sem outra grande protagonista: a Tesla, que ao longo do ano foi notícia por várias vezes no que ao capítulo da sua tecnologia Autopilot diz respeito.

Em setembro a marca criada por Elon Musk reforçou o sistema com novas funcionalidades, nomeadamente radares e em outubro revelava planos para tornar todos os Tesla totalmente autónomos, mesmo os mais baratos, indicando o final de 2017 como data prevista. Na altura mostrava num vídeo aquilo que a sua tecnologia já era capaz de fazer.

Mas os avanços da condução autónoma em 2016 não se fizeram sem algumas “travagens”, umas mais dramáticas do que outras. O acidente mortal envolvendo um Model S da Tesla que “conduzia” em modo Autopilot cabe no primeiro conjunto.

Antes disso já tinham acontecido algumas "ameaças", protagonizadas pela Google. Entretanto os carros da Uber andaram a passar sinais vermelhos, mas quem “fechou” o ano foi (novamente) a Tesla, desta vez com o renovado Autopilot de um Model S a conseguir “prever” um acidente. As capacidades da condução autónoma atual ficaram registadas num vídeo.

 

E depois de um ano maioritariamente de testes, ficamos à espera que os carros que se conduzem a si próprios ponham "prego a fundo" em 2017.

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O ano em que as tecnológicas sentiram o "peso" da Comissão Europeia

O executivo de Bruxelas procurou ao máximo projetar força e deixar, de forma bem clara, uma palavra de cautela às multinacionais: na Europa, as regras são para serem cumpridas, sem exceções.

As empresas tecnológicas internacionais e as autoridades europeias têm já um extenso e conturbado historial de animosidades e relações encrespadas. Apesar de sublinhar que considera todas as empresas sob o mesmo prisma, não se pode negar que parece, pelo menos, que a Comissão Europeia e os seus vários departamentos-satélite nutrem um antagonismo especial pelas multinacionais dos dispositivos eletrónicos e serviços digitais que querem avolumar o conteúdo dos seus cofres através de negócios na Europa.

Embora em anos idos já se tenha assistido a batalhas legais entre Bruxelas e estas empresas, com a Microsoft e a Intel em destaque, 2016 destaca-se pelo aumento da intensidade das “trocas de palavras”.

Em época de balanço, o Tek traz-lhe, ao longo dos próximos dias, os momentos tecnológicos mais marcantes do ano que se despede #omelhorde2016.

Um dos temas que esteve diversas vezes sob os olhares do mundo foi a atividade fiscal das empresas sediadas em países fora da Europa, mas que conduzem operações no continente.

Em março, a Comissão Europeia afirmou que queria que todas as empresas com volumes de negócio iguais ou superiores a 750 milhões de euros – a operar na Europa, naturalmente – teriam de apresentar a Bruxelas documentos detalhados acerca das suas atividades em cada um dos mercados europeus em que estiverem presentes.

Uns meses depois, em agosto, o Executivo de Bruxelas acusou, oficial e publicamente, a Apple de fuga ao fisco na Irlanda. Segundo o veredicto europeu, a marca da maçã teria de pagar uma multa multimilionária e histórica de 13 mil milhões de dólares, em impostos atrasados.

Este caso deu pano para mangas, visto que o governo de Dublin, alegadamente o principal lesado em todo este imbróglio, não considerava ter sido vítima de qualquer prática de evasão fiscal por parte da criadora do iPhone. O que acontecia, segundo a Irlanda, é que a Apple beneficiava de condições fiscais extraordinárias que estavam previstas na lei do país e que são aplicadas para atrair empresas estrangeiras e, consequentemente, fomentar a criação de empregos.

Mas a Comissão continuou a insistir na ilegalidade das operações da Apple na ilha do Atlântico Norte e a comissária europeia da concorrência, Margrethe Vestager, dizia que as “facilidades” de que a tecnológica beneficiou estavam em clara infração das normas estipuladas pela CE.

Inusitadamente, a Irlanda, que supostamente seria a vítima em todo este processo, aliou-se à Apple e afirmou que tenciona recorrer da decisão de Bruxelas, pouco dias depois da emissão do veredicto.

A tensão entre a frente Apple-Irlanda e a CE tem vindo a aumentar desde então, até que, no dia 19 dezembro, o governo irlandês “engrossou a voz” e a acusou o Executivo europeu de estar a intrometer-se em assuntos de natureza interna do país e de estar a colocar em xeque a própria soberania do Estado irlandês.

O Ministério das Finanças da ilha afirmava que as autoridades europeias estavam a ir muito além da sua jurisdição.

O desenlace desta novela é ainda incerto, mas o resultado vai, certamente, estabelecer precedentes para futuros casos do género.

Grande parte das intervenções da CE, durante este ano, contra multinacionais tecnológicas, alegavam violações das leis concorrenciais e antimonopolistas que vigoram no “velho continente”.

Como não poderia deixar de ser, a Google marcou mais uma vez em 2016, como em anos anteriores, presença na “lista negra” da Comissão Europeia.

Ao longo deste ano, a dona do maior motor de pesquisa do mundo levou vários “raspanetes” por parte do Executivo, principalmente – e quase exclusivamente – por causa de alegadas violações de regras europeias da concorrência e abuso de posição dominante.

No início de novembro, a Google, acusada de ilegalmente dar primazia ao seu próprio serviço de comparação de preços em detrimento dos de outras empresas, respondeu à CE que as alegações não tinham qualquer fundamento factual e que os serviços que se queixavam de um suposto monopólio da Google nesta área não tinham a razão do seu lado.

Paralelamente, também o sistema operativo Android esteve várias vezes sentado no banco dos réus, apontado como prejudicial para a concorrência na Europa. De entre todas as contendas entre a Google e a CE nesta matéria, decidimos destacar o momento em que o titã tecnológico afirmou que o Android não era nocivo para a concorrência no continente mas sim um impulsionador da inovação e um garante da liberdade de escolha dos consumidores.

Uma semana depois, Sundar Pichai, o CEO da Google, estava a caminho de Bruxelas para se reunir com os responsáveis pela atividade concorrencial na Europa, alegadamente para apaziguar alguns ânimos.

Ainda em novembro, a CE multou a Sony, a Panasonic e a Sanyo num total de 165,8 milhões de euros por fixação de preços e pela cartelização do segmento das baterias.

Não parece que o ímpeto austero da Comissão Europeia venha a esmorecer no futuro próximo, por isso podem esperar-se mais novas histórias e desenvolvimentos (ou ainda mais avanços e recuos) nos processos em curso.

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A saga Uber vs Táxis e a questão da (i)legalidade

Os conflitos entre o serviço digital de transporte individual e o sector dos táxis foram momentos que marcaram 2016. Desde acusações de ilegitimidade a confrontos físicos, o ano que agora acabou viu um aumento inegável das hostilidades numa luta pela posição dominante.

Em 2016 os profissionais do sector do táxi, bem como associações representativas como a Antral ou a FPT, afirmaram-se ainda mais como opositores acérrimos de serviços eletrónicos de transportes individual. Apesar de as queixas serem dirigidas a todas as estas plataformas, ficou mais do evidente que os taxistas nutrem um “ódio especial” pela Uber.

Em março, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que tem também a tutela dos transportes, afirmava que o transporte de pessoas devia ser feito pelas entidades operadoras de transportes e que, não sendo considerada como tal, a Uber estava a operar ilegalmente.

Sublinhando, na altura, que não existia qualquer género de complot contra a tecnologia, Matos Fernandes assumia que o serviço prestado pela Uber não se encontrava ao abrigo da Lei e que, por conseguinte, era ilegal.

Depois de a Uber ter sido acusada pelo deputado Bruno Dias, do Partido Comunista Português, de isenção fiscal ilegítima e de concorrência desleal, o diretor executivo do serviço em Portugal respondia dizendo que o seu serviço era prestado de acordo com a legislação em vigor.

Rui Bento explicava que a Uber funcionava à semelhança da Airbnb ou o Booking.com, servindo de intermédio entre quem procura um serviço e quem o presta.

Um dia depois das acusações lançadas pelo ministro do Ambiente, a Uber Portugal voltava “à carga” e frisava a importância de se proceder a uma “urgente” e “profunda revisão regulatória”, acrescentando que a legislação era obsoleta e que não atuava em benefício do consumidor.

Os olhares da imprensa portuguesa continuavam intensamente focados na Uber na altura em que o secretário de Estado adjunto e do Ambiente dizia que este serviço devia obedecer às mesmas regras a que está sujeito o sector dos táxis.

José Mendes argumentava que “Quem transporta no terreno é um operador de transporte e um operador de transporte tem de obedecer a requisitos. As regras têm de ser cumpridas porque, se há requisitos para quem presta determinados serviços, têm de ser cumpridos”.

De acordo com o membro do Governo, o serviço disponibilizado pela Uber era exatamente igual ao prestado pelos táxis, pelo que ambos teriam de estar sob a mesma alçada legal e cumprir os mesmos requisitos.

Em abril, a Antral e a Federação Portuguesa do Táxi (FPT) tornavam claras as suas intenções para, em nome do setor, impossibilitar as operações da Uber em Portugal, através de diversas manifestações e daquilo que descreveram como sendo “iniciativas de sensibilização pública”.

A animosidade entre taxistas e a Uber aumentava “a olhos vistos” até que a associações representantes do setor elaboraram e começaram a distribuir um manifesto contra a Uber. No documento, era referido que o serviço digital não respeitava, não obedecia nem se submetia às mesmas normas que regiam o sector dos táxis.

Inclusivamente, as duas entidades exigiam o encerramento da plataforma e incitavam todos os portugueses a juntarem-se à luta contra a alegada ilegalidade da Uber.

Como tinham prometido, os taxistas juntaram-se em Lisboa, no Porto e em Faro para manifestar o seu descontentamento, por meio de intervenções cujo objetivo era inviabilizar a mobilidade nos centros urbanos e chamar a atenção das pessoas para o que consideravam ser uma afronta ao setor tradicional.

Ao mesmo tempo, a Uber aproveitava para divulgar um estudo conduzido pela Eurosondagem e que mostrava que 72,3% dos portugueses concordavam com a operação no país de empresas como a Uber e a Cabify.

Mais de 80% indicava que a tecnologia e a inovação eram essenciais à melhoria da mobilidade em Portugal, o argumento “porta-estandarte” da Uber para legitimar as suas operações e atrair apoiantes.

A Antral e a FPT diziam que desde que a Uber começou a funcionar em Portugal, no verão de 2014, o sector dos táxis já tinha perdido cerca de 20% do negócio.

O mês de julho arrancava com o Executivo a dizer que, até à chegada do outono, estaria finalizado um projeto-lei que tinha como objetivo enquadrar legalmente e regulamentar as plataformas eletrónicas de transporte em veículos descaracterizados.

A proposta tinha sido adjudicada ao Instituto de Mobilidade e Transportes e deveria planificar a introdução de uma nova categoria de serviços de transporte em automóvel ligeiro de passageiros. Adicionalmente, pretendia-se estipular que a Uber procedesse de forma a não entrar em conflito com os serviços prestados pelo setor dos táxis, ou seja, os carros da plataforma digital não poderiam usufruir de uma praça em via púbica nem ser mandados parar sem reserva prévia.

O mês de agosto chegava ao fim, quando a FPT e a Antral pediram que as forças policiais passassem a apreender todos os veículos ao serviço da Uber e da Cabify, durante uma reunião entre os representantes e o Ministério da Administração Interna.

Numa altura em que era desenvolvida a legislação que iria legitimar as operações das plataformas digitais de transporte, o setor dos táxis tornava-se cada vez mais impaciente. Vale a pena recordar que foram várias as situações em que se registou a ocorrência confrontos físicos durante os protestos, sendo os taxistas os precursor das agressões a motoristas da Uber, e não só.

A tão aguardada legislação estava pronta no final de setembro, em linha com as previsões dadas pelo Governo. Mas este novo pacote de regulamentos só deveria entrar em vigor mais tarde, e o Executivo avançava que até ao final do ano seria feita a legalização dos polémicos serviços.

Sabia-se já que os motoristas ao serviço da Uber teriam de passar por uma formação obrigatória de 30 horas e que os veículos teriam de estar todos devidamente identificados com um dístico da empresa.

Por fim, a 22 de dezembro, a proposta de lei era aprovada em Conselho de Ministros e dava-se início ao processo de criação de um novo estatuto jurídico que integrasse devidamente os serviços da Uber e da Cabify na legislação portuguesa.

Certamente esta é uma novela cujo fim está ainda longe de ser visto, mas este documento deverá colocar termo aos protestos de um sector tradicional e com muito pouca – se alguma – competição em Portugal. Aguardaremos o próximo capítulo.

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Afinal simplificar a Administração Pública é possível

O Simplex foi um conceito introduzido pelo Partido Socialista no primeiro mandato de José Sócrates. Teve várias versões, umas mais musculadas do que outras, e em 2016 regressou para provar que pôr uma vaca a voar não é impossível.

O Partido Socialista subiu ao poder e com ele trouxe um dos porta-estandartes dos seus programas governativos: o Simplex. E 2016 acabou por ser o ano que marcou o regresso em força desta estratégia que tem como principal objetivo facilitar a vida a cidadãos e empresas no relacionamento com a Administração Pública.

Os primeiros detalhes do programa renovado foram apresentados logo na primeira semana de janeiro, e indicavam que o novo Simplex iria “privilegiar a participação dos cidadãos e das empresas na definição de prioridades e na formulação das medidas a implementar”, referia-se em comunicado.

O primeiro passo avançou ainda nesse mesmo mês, materializado na Volta Nacional Simplex, que durante três meses levou a secretária de Estado adjunta e da modernização administrativa, Graça Fonseca a todas as capitais de distrito.

Nestes locais a responsável teve encontros com cidadãos, empresários, autarcas e associações com o objetivo de identificar os principais problemas enfrentados pelos utentes na sua relação com a Administração Pública.

O Governo chegou mesmo a organizar um concurso para apurar as melhores ideias inovadoras para modernizar e simplificar a Administração Pública. O Start Up Simplex pretendia incentivar empreendedores a apresentarem ou desenvolverem projetos ou aplicações inovadoras que ajudassem a melhorar a relação de cidadãos e empresas com os serviços públicos.

O Simplex +, como se chama agora, acabou por ser apresentado em maio, 10 anos depois de ter sido lançado o primeiro programa de simplificação legislativa e administrativa, criado pelo Governo de José Sócrates e que deu origem a medidas emblemáticas como a Empresa na Hora, o Nascer Cidadão e o Documento Único Automóvel.

A apresentação acabou por ter um momento caricato, quando o Primeiro Ministro António Costa ofereceu uma vaca com asas à ministra da Modernização Administrativa Maria Manuel Leitão Marques para provar que “nem as vacas voarem é impossível”, ao contrário do que costuma ser dito. Por associação, simplificar a AP muito menos, como fica provado com o Simplex.

A nova versão trouxe ao todo 255 medidas destinadas a simplificar procedimentos e reduzir custos nos muitos serviços prestados pela AP, em que 100 resultaram dos (1.427) contributos de cidadãos e empresas recolhidos nos meses anteriores.

Entre o conjunto de proposta destacavam-se medidas totalmente novas, mas também algumas que prolongam medidas que já estavam em curso. Estas foram as 12 destacadas pelo Tek:

Em novembro último começou a ser preparada a próxima fase do Simplex + e pediadas novas sugestões de cidadãos e empresas. Ao mesmo tempo foi apresentado um balanço dos primeiros seis meses do programa, contabilizando-se na altura 26 medidas implementadas e 18 em vias de implementação. A taxa média global de execução na altura era de 40%.

Nas últimas semanas houve mais algumas medidas a avançarem. Foi o caso do acesso livre e gratuito a todos os conteúdos do Diário da República. A possibilidade já era contemplada há uns anos, mas apenas parcialmente, existindo diversas áreas que se mantinham reservadas e apenas acessíveis por meio de uma subscrição paga.

Com as novas regras os serviços e conteúdos que antes estavam circunscritos a assinatura passaram a ser acedidos livremente, sem qualquer custo adicional para o cidadão.

Desde 19 de dezembro de 2016 que as bases de dados de legislação, as ferramentas de pesquisa avançada, a legislação consolidada, o tradutor e o dicionário jurídicos e outros conteúdos estão disponíveis sem que seja preciso pagar por eles.

O ano terminou com o anúncio da entrada em funcionamento de uma outra medida do Simplex +, há muito esperada: a revalidação da carta de condução online.

A possibilidade está disponível desde o dia 2 de janeiro apenas para quem pedir atestado médico através do Serviço Nacional de Saúde. O pedido de renovação com atestado do privado só um pouco mais tarde, a partir de dia 1 de abril. Segundo as regras em que assenta a nova carta (online) “sobre rodas”, o atestado médico será enviado diretamente pelo profissional de saúde ao IMT.

A fotografia e a assinatura são automaticamente transmitidas através do Cartão de Cidadão. Refira-se ainda que este novo título de condução já não terá referência à morada do condutor, passando a valer a do CC.

No final, os cidadãos que pedirem a nova carta via Internet recebem uma mensagem SMS ou um email a avisar que o documento vai chegar à morada escolhida.

O Simplex + vai continuar a colocar em funcionamento mais medidas para tornar a AP mais simples até maio próximo.

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A vitória de Donald Trump e os hackers de Moscovo

As eleições presidenciais norte-americanas de novembro foram já consideradas das mais polémicas da História dos Estados Unidos. A inesperada vitória do candidato republicano pode dar origem a uma Segunda Guerra Fria, mas agora no ciberespaço.

O final de 2016 ficou marcado por um aumento inegável e preocupante da tensão entre os Estados Unidos da América e a Federação Russa. Certamente não será novidade para ninguém que Washington, ao longo dos últimos anos, acusou por diversas vezes a Rússia e a China de lançarem operações intrincadas de espionagem e sabotagem informáticas contra o governo e as empresas norte-americanas. Contudo, a animosidade declarada entre os EUA e a Rússia tem vindo a escalar e atingiu recentemente níveis de intensidade que podem preconizar o rompimento das relações diplomáticas entre as duas potências.

Cerca de dois meses antes das eleições presidenciais, o Presidente Barack Obama dizia, durante a cimeira dos G20 na China, que a dimensão cibernética era um elemento indispensável à sobrevivência de todos os Estados do mundo.

O estadista incitava ao refreamento da aquisição por parte dos governos de “armas informáticas”, sublinhando que é imperativa a implementação de normas que impeçam uma nova corrida ao armamento.

Dizia também que era importante que os Estados deixassem de lutar entre si e se aliassem uns aos outros no combate às ameaças crescentes representadas por atores não-estatais, como organizações terroristas.

Contudo, Obama frisava que os Estados Unidos estavam na posse de capacidades que lhes permitiriam retaliar em caso de ataques informáticos e que não se coibiriam de o fazer se assim o entendessem.

Apesar de não o ter dito declaradamente, este parecia ter sido um aviso direcionado à China e à Rússia, que, segundo ele, tinham já conduzido várias incursões às infraestruturas cibernéticas dos EUA.

Trump vence as eleições: Washington desembainha a "espada"

Mas a postura de Washington face às “aventuras” do governo de Moscovo no mundo digital incendiou-se, quando Donald Trump, candidato do Partido Republicano e crítico acérrimo da Administração Obama e dos opositores democratas, saiu vitorioso das presidenciais de 8 de novembro de 2016.

Os resultados eleitorais surgiram como uma surpresa (agradável para uns e desastrosa para outros), com os órgãos de comunicação social a preverem a vitória da democrata Hillary Clinton quase até ao último instante.

Este desenlace inesperado despoletou uma multiplicidade de rumores acerca da possibilidade da manipulação informática dos resultados pelas mãos de hackers ao serviço do governo de Vladimir Putin.

Na altura, o especialista em segurança informática e diretor de investigação da F-Secure, Mikko Hyppönen, dizia, durante o Web Summit, que não acreditava que a Rússia tivesse, de facto, invadido os sistemas informáticos das máquinas de votação eletrónica utilizadas em vários estados norte-americanos, mas não por falta de tentativa.

O responsável referia que o FBI tinha conseguido encontrar evidências de incursões cibernéticas malsucedidas nesses equipamentos.

Apesar da incerteza que envolvia – e, de certa forma, ainda envolve – a identidade do verdadeiro autor dos alegados ataques, Mikko Hyppönen avançava, com convicção, que o malware utilizado teria tido origem na Rússia.

Até hoje, de cada vez que os Estados Unidos acusaram o Kremlin de conduzir operações de espionagem ou sabotagem informáticas, Moscovo repudiou as alegações e desafiou o governo norte-americano a apresentar provas que ligassem a Rússia a esses ataques.

As acusações, e as negações que lhes seguiam, continuaram a ser trocadas entre os dois países, até que, em dezembro, Obama ordenava as agências de inteligência dos Estados Unidos realizassem uma investigação exaustiva e escrupulosa dos sistemas informáticos das máquinas de voto eletrónico para que, de uma vez por todas, se conseguisse apurar se houve ou não manipulação.

Aproximadamente um dia depois, o Washington Post publicava um artigo no qual apontava que a CIA estaria na posse de um relatório secreto que confirmava o envolvimento de hackers com ligações ao governo russo nos resultados presidenciais.

Segundo constava, o objetivo da operação teria sido prejudicar Hillary Clinton na corrida à Casa Branca em benefício de Donald Trump, visto que Putin teria mais a ganhar com o republicano no comando daquela que ainda é a maior potência a nível mundial do que teria se a ex-Secretária de Estado chegasse ao poder.

E os titãs colidem

Ainda em dezembro, e depois de a Administração Obama ter dito que estava preparada para tomar medidas contra a Rússia na sequência dos ataques lançados sobre os Estados Unidos, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, exigia que o antigo rival da Guerra Fria apresentasse provas concretas que sustentassem as acusações, que considerava serem “indecentes”.

O próprio Presidente Vladimir Putin chegou a ser implicado no caso das eleições nos Estados Unidos, com fontes anónimas da NBC News a dizerem que o estadista teria estado diretamente envolvido na operação.

Esta polémica ainda não chegou a um fim, mas as relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a Rússia podem ter os dias contados.

Na passada quinta-feira, dia 29 de dezembro, Barack Obama ordenou a expulsão de 35 diplomatas russos e das respetivas famílias dos Estados Unidos, bem como sanções económicas, o que Washington descreveu como sendo uma resposta necessária e adequada que segue um extenso rol de avisos feitos ao governo russo e que não surtiram qualquer efeito.

Surpreendentemente, Vladimir Putin, apesar de ter sido aconselhado nesse sentido, não respondeu na mesma moeda e absteve-se de dar arranque a uma campanha de expulsão de diplomatas norte-americanos da Rússia, uma atitude elogiada por Donald Trump.

Esta história está ainda por ser concluída, mas nada de bom deverá sair de todo este imbróglio.

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As assistentes virtuais estão a tornar-se realidade e vão tratar de muitas tarefas por si

Nos telemóveis, nos relógios de pulso, nos carros, nos eletrodomésticos lá de casa e um pouco por todo o lado, as assistentes virtuais estão prontas a tomar conta da nossa vida, para o bem e para o mal.

As tecnológicas sabem cada vez mais sobre a nossa vida, e estão a transformar esse conhecimento em informação para apresentar informação (e publicidade), mas também para ajudar a organizar o dia-a-dia, a conduzir os nossos destinos e a recomendar o que precisamos de saber, comer e decidir.

Os cenários desenhados nas histórias futuristas tornam-se realidade, e numa visão positiva do mundo as assistentes virtuais que já integram os smartphones, os carros e os eletrodomésticos estão aqui só para nos ajudar. Mas pode haver um lado mais negro desta força que está a dominar as tendências tecnológicas de 2016.

As assistentes vituais e os bots não podiam ficar de fora das principais tendências de 2016, numa revisão que o Tek tem vindo a publicar nos últimos dias (#omelhorde2016). Mesmo não sendo tecnologia propriamente nova, os bots e a Inteligência Artificial - materializada sobretudo nas assistentes como a Siri, a Cortana ou a Alexa da Amazon – tomaram conta dos nossos dispositivos, e das nossas vidas, tornando-se cada vez mais inteligentes e úteis. E vaidosas.

A agenda do dia pode ser “dita” por um dispositivo ainda antes de sair da cama, e pode verificar o trânsito no seu percurso habitual, ou validar a lista de tarefas a realizar e fazer encomendas online. E os bots já estão prontos a responder a perguntas nas aplicações de messaging, e a fazer encomendas e pagamentos em nosso nome. Ou a resolver as discussões familiares.

Dizer “Olá Google”, agora em português, para acordar o assistente da empresa que gere o motor de busca, mas também Siri, Cortana ou Alexa, consoante o dispositivo, vai levá-lo mais longe com a integração nos carros e eletrodomésticos. E quem não tem um assistente digital a funcionar está a investir nisso, como a Samsung com a Viv , ou a Nokia com a Viki, mas também a “adoptar” outras assistentes, como acontece com a Huawei que vai incorporar a Alexa nos seus smartphone. E a tendência parece imparável.

Não falta quem tenha alertado para o perigo das inteligência artificial, e sobretudo da sua utilização na indústria militar, avisando que esta pode ser a maior conquista da humanidade, mas também a sua condenação. Uma carta revelada durante a International Joint Conference on Artificial Intelligence que decorreu em Buenos Aires foi assinada por algumas personalidades bem conhecidas, como Elon Musk e Stephen Hawking, alinhando alguns dos receios de cientistas e inventores bem conhecidos do público.

Aprendendo com a informação que é fornecida pelo comportamento dos utilizadores, os bots e as assistentes virtuais podem surpreender também pela negativa, como aconteceu com a Tay, uma experiência da Microsoft no Twitter que rapidamente se tornou racista e teve de ser desligada.

E podem até ser uma fonte potencial de violação da privacidade, fornecendo informações mais pessoais a utilizadores não autorizados, ou revelando conversas e comportamentos privados. Porque razão pretenderam as autoridades ter acesso à coluna Echo instalada em casa de um suspeito de homicídio?

Na CES 2017 os assistentes virtuais voltaram a estar em destaque e este é certamente um tema que trará muitas novidades este ano. O Tek cá estará para as acompanhar, pelo menos enquanto não for substituído por um bot.

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A quebra da Apple, as explosões da Samsung e a ascensão dos chineses

Em 2016 os smartphones da Samsung explodiram, as receitas da Apple caíram e as fabricantes chinesas aproveitaram os deslizes de ambas as gigantes para reservar um espacinho "à sombra" no mercado dos equipamentos móveis.

É tão certo como estar a ler este artigo: todos os anos, mesmo que as empresas não o declarem, Apple e Samsung concorrem pelo lugar cimeiro das vendas de smartphones. Este ano não foi excepção, mas contrariamente ao que tem vindo a ser costume, insurgiram-se vários elementos estranhos à corrida.

Lá ao longe, na China, Oppo, Huawei, Xiaomi e Vivo galoparam nas quotas de mercado e foram, ao longo do ano, açambarcando fatias cada vez maiores no segmento dos equipamentos móveis. Em julho, naquele país, que interessa muito para as contas por ter mais de mil milhões de habitantes, a tecnológica de Cupertino já só era a quinta maior marca no sector dos smartphones, um dado que dava sequência ao anúncio feito pela empresa no mês anterior: as receitas estavam a cair pela primeira vez em 15 anos.

Para a Samsung, as coisas também não correram bem. Aliás, muito pelo contrário. Embora os problemas não se tenham feito sentir ao nível da sua linha mais popular, o Note 7 foi protagonizando desastre atrás de desastre, chegando mesmo ao ponto de obrigar a fabricante a cancelar a sua produção.

Por isto, pelo Note 7 e pela quebra da Apple, a luta e os desastres das fabricantes móveis não poderiam ter outro destino se não a lista dos destaques tecnológicos do ano para o Tek (#omelhorde2016).

Mas vamos por partes.

iPhone 7, iPhone 7 Plus e a primeira quebra dos últimos 15 anos

A lógica da renovação anual mantém-se e a Apple não fugiu à tradição. A 7 de setembro, num evento que decorreu na cidade californiana de São Francisco, Tim Cook subiu a palco para apresentar o smartphone mais esperado do ano.

Da cartola saíram dois equipamentos: um iPhone 7 e um iPhone 7 Plus.

As atenções fixaram-se no segundo, graças à câmara dupla que a marca integrou no equipamento, mas ambas as versões trouxeram várias novidades. Umas melhores que outras, no entanto.

Do leque de novas características e funcionalidades, o público foi peremptório em escolher entre as "boas" e as "más". De um lado, a resistência à água e à poeira, do outro a supressão da entrada para auriculares. De um lado, as melhorias feitas às câmaras, do outro, o novo home button.

As críticas não foram consensuais, mas, se tivessem de ser sintetizadas, poderiam ser resumidas à seguinte frase: "continua a ser um dos melhores smartphones do mercado, mas não inova relativamente ao antecessor".

O descontentamento que se ia sentido, ainda que amenizado e de forma esporádica, traduziu-se em números quando os telefones chegaram às prateleiras. De acordo com a GfK, o número de iPhone 7 e 7 Plus vendidos entre 16 e 18 de setembro, representou apenas três quartos das vendas dos iPhone 6S e 6S Plus, dando seguimento a um ano em que a gigante tecnológica se apresentou "em baixo de forma".

Em Janeiro, as perspetivas da empresa já se alinhavam com uma possível quebra. Logo entre janeiro e março, a empresa registou 46,9 mil milhões de dólares em receitas face aos 51,5 mil milhões registados em período homólogo baixando, consequentemente, os lucros de 11,1 para 9 mil milhões de dólares.

Mais adiante, as coisas também não melhoraram e as quebras generalizaram-se. No terceiro trimestre do ano, as vendas do iPhone registavam quebras de 5,2% relativamente ao mesmo período de 2015, as do iPad registaram quebras de 6% e as do Mac registaram quebras na ordem dos 14%.

Não será correto dizer que a empresa sai de 2016 derrotada e importa sublinhar que não se registaram perdas, mas sim quebras nos lucros que continuaram a acontecer. Em Cupertino, ao contrário de outros pontos do globo, nada explodiu, mas o abrandamento claro na inovação está a repercutir-se nas finanças da Apple.

Samsung e um desastre chamado Note 7


"É oficial: a Samsung pôs finalmente um fim à vida do Note 7. Num comunicado oficial emitido esta terça-feira, a tecnológica anunciou que o smartphone não ia continuar a ser produzido e apelou a todos os parceiros que parassem de vender o telefone".

Foi com este parágrafo que o Tek abriu a notícia onde dava conta do fim da produção do phablet da tecnológica. Publicada no passado dia 11 de outubro, a peça concluia assim uma série de outros artigos que davam conta dos episódios menos felizes que o Note 7 ia protagonizando e que acabaram por fazer dos seus defeitos o fenómeno tecnológico mais popular de 2016.

Antes dos primeiros incidentes, o sucesso parecia iminente. As primeiras análises eram consensualmente positivas e os lotes de equipamentos disponibilizados em pré-venda acabaram por esgotar um pouco em todo o mundo. No entanto, como todos sabemos, os defeitos de fabrico do smartphone não deixaram que as expectativas se concretizassem.

A 2 de setembro, depois de receber queixas relativas a 35 incidentes relacionados com "baterias explosivas"a Samsung interrompeu a venda e o fornecimento do Note 7. 10 dias depois, as primeiras estimativas anunciavam as primeiras quebras em bolsa onde o valor das ações da empresa chegou a cair 7,6%.

Conscientes do perigo que representavam para os utilizadores, a Samsung suplicou que os clientes entregassem os equipamentos e várias transportadoras aéreas proíbiram a presença destes telefones a bordo dos seus aviões.

A tecnológica sul-coreana ainda anunciou o regresso dos equipamentos ao mercado, e eles chegaram efetivamente a ser recolocados nas prateleiras com a garantia de que eram finalmente seguros, mas depois dos primeiros problemas registados com esta leva de aparelhos, a Samsung deitou a toalha ao chão e suspendeu a produção do modelo dois dias antes de a cessar por completo.

Com o desastre presente, a Samsung previu perdas superiores a 2 mil milhões de dólares para o quarto trimestre do ano, mas as mais recentes análises estimam que a empresa consiga os lucros mais altos dos últimos três anos.

O cenário pessimista, aparentemente invertido para o oposto, não deixa de ser negro. E a tecnológica tem agora uma prova de fogo com o lançamento dos seus próximos equipamentos.

A ascensão das fabricantes chinesas

Enquanto uma se debatia com questões criativas e a outra com questões técnicas, as marcas chinesas foram seguindo, despreocupadas, por entre a vista dos consumidores.

Em maio passado, o Tek dava conta de um fenómeno que acabaria por consagrar-se como uma das tendências do ano: as marcas chinesas, menos conhecidas no ocidente, estavam a ganhar terreno às gigantes tecnológicas.

Na altura, tal como agora, falar de marcas emergentes era falar de empresas chinesas e se, nos primeiros três meses de 2015 existiam duas fabricantes no top 5 da Gartner, com 11% do mercado, em maio, já havia três, com uma quota de 17%. A nível mundial, Huawei, Oppo e Xiaomi eram, por esta ordem, as fabricantes que se destacavam logo atrás de Samsung e Apple.

Mas enquanto a quota do mercado internacional ainda se distanciava consideravelmente das duas gigantes (a Huawei tinha 8,3% no primeiro trimestre de 2016 enquanto a Apple, no segundo lugar, tinha 14,8), na China, as quatro maiores quotas pertenciam, por alturas de agosto, a quatro fabricantes locais (que reuniam 53% do mercado): Huawei, Vivo, Oppo e Xiaomi. Só em quinto lugar surgia a Apple naquele que é o segundo maior mercado de smartphones a nível mundial com menos 1,2% de quota do que em maio de 2015.

Vale a pena sublinhar, no entanto, que apesar do crescente sucesso das fabricantes chinesas, as batalhas legais que a empresa tem travado nos últimos meses também ajudam a explicar os números. Entre regulamentos mais apertados para a versão chinesa da App Store, à retirada de produtos do mercado (iTunes Movies e iBooks), a Apple chegou, inclusivamente, a perder uma "guerra de patentes" contra uma pequena empresa chinesa que pretendia vender artigos de pele com nome "IPHONE" gravado.

Com a missão de inverter a situação em que mergulhou em 2016, a Apple pode, em 2017, reconquistar a sua posição num mercado onde a Samsung nem se torna preponderante. O seu maior trunfo poderá ser o equipamento de celebração do 10º aniversário do iPhone, mas atenção, porque para bater o que tem sido feito na China, terá de ser muito, mas muito especial.

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O adeus ao roaming tem data marcada, mas só na Europa e com condições específicas

A decisão foi formalizada em 2016: depois de vários anos de reduções consecutivas, em 2017 os europeus vão deixar de pagar roaming dentro dos países da UE. Mas as regras de “uso responsável” ainda preveem custos em alguns casos.

Ainda se lembra de fazer contas à vida quando viajava para um país europeu, ou de desligar o telemóvel para evitar custos de roaming ? Não foi assim há tanto tempo, mas este é um cenário que mudou nos últimos anos e que em 2017 pode mesmo acabar. Pelo menos em parte, e isso faz do roaming um dos temas escolhidos pela equipa do Tek para destaque do ano (#omelhorde2016).

O processo começou há mais de 10 anos, quando em 2005 a então comissária europeia da Sociedade da Informação, Viviane Reading, assumiu como sua a batalha de reduzir os custos de telecomunicações dos viajantes europeus dentro da União Europeia, mas foi herdado por outros comissários responsáveis pelo pelouro.

O acordo acabou por ser assinado apenas em 2007, com aplicação faseada em três anos, a partir de 2008, prevendo a aplicação nas chamadas de voz de tetos máximos de 43 cêntimos para chamadas realizadas, e de 19 cêntimos para as chamadas recebidas.

Na altura a Comissão Europeia tinha feito as contas e verificado que os utilizadores pagavam entre 4 a 6 euros por uma chamada de quatro minutos em roaming no estrangeiro, e em alguns casos o preço podia ultrapassar os 12 euros.

"Os preços excessivos restringem a utilização dos telemóveis no estrangeiro, o que afeta os consumidores, a indústria europeia e a própria Europa”, afirmava a Comissária Viviane Reding, responsável pelo pelouro Sociedade da Informação e Media.

Num sector liberalizado, a decisão não foi bem recebida pelos operadores, que apontaram a perda de receitas e o impacto na inovação que isso poderia causar, argumentos que ainda se mantêm

A verdade é que a Eurotarifa permitiu poupar nesse período mais de 60% com as comunicações no estrangeiro, e, apesar dos protestos da indústria, os cortes não ficaram por aqui. Em 2008 a Comissão impôs novas reduções e mais tarde estendeu os cortes aos SMS e aos dados, cada vez com maior utilização. A sugestão era de que os utilizadores fizessem bem as contas e evitassem surpresas.  Mas isso não impedia uma tendência “defensiva” no uso do telefone fora do país. Um estudo realizado em 2014 mostra mesmo que 4 em cada 10 portugueses optava por desligar o telemóvel no estrangeiro

Pouco a pouco, os preços foram sendo reduzidos, enquanto os operadores também ajustavam as suas ofertas comerciais para não perderem competitividade, sobretudo em planos tarifários dirigidos a utilizadores de maior consumo, e mais perfil “itinerante”.

Em 2016, os valores de roaming em vigor para quem viajava na União Europeia fixaram-se nos 5 cêntimos por minuto nas chamadas de voz, 2 cêntimos por SMS enviado e 5 cêntimos por megabyte consumido nos acessos à internet móvel (valores aos quais acresce o IVA), mas em muitos casos eram bastante mais baixos, com os pacotes introduzidos pelas operadoras.

E os portugueses “usaram e abusaram” da redução da tarifas e, segundo a Anacom, passaram a usar mais dados fora do país.

 

E a partir de 2017?

A decisão de acabar com as taxas em 2017 já estava traçada, embora ainda faltasse definir mais claramente os contornos a aplicar, e foi essa última decisão que se arrastou durante o ano, culminando numa aprovação já a meio de dezembro e que ainda não entrou oficialmente em vigor, já que a lei exige a aplicação 20 dias depois da publicação.

Na prática, e depois de se esgrimirem vários argumentos e de avanços e recuos, a partir de 15 de junho tudo vai mudar. Aplica-se a regra de “Roam like at Home”, onde o valor consumido em voz, SMS e dados noutro país europeu será deduzido ao plafond aplicado no país de origem, excepto em alguns casos, que a Comissão Europeia garante que não afetam mais de 1% dos cidadãos.

Estes casos são os de viajantes frequentes, que numa análise a um período de 4 meses tenham mais consumo em roaming do que dentro do país, uma medida imposta para “evitar abusos”.

Nestes casos o operador deverá pedir ao cliente um “esclarecimento da situação” mas pode aplicar também valor adicional por chamada, que será, no máximo, de 4 cêntimos por minuto em voz, 1 cêntimo por SMS e 0,085 cêntimos por MB de dados, valores que ficam abaixo do que era aplicado em geral desde abril de 2016.

Mesmo assim, não esqueça que as mudanças se aplicam apenas à União Europeia. Fora destes países, e mesmo em espaço Europeu, o roamig continua a ser pesado e caro, e se pensar outras regiões os custos aumentam, assim como nas comunicações feitas em cruzeiros, por exemplo. O próximo passo poderá ser a abolição (ou redução) também destes custos, mas dificilmente isso irá acontecer ainda em 2017.

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Mirai, ransomware e braço de ferro do FBI com a Apple. Tenham medo… muito medo

Todos os anos as análises das consultoras e das empresas de segurança apontam para um cenário semelhante: os problemas de segurança estão a crescer e os utilizadores são o elo mais fraco. E os casos registados em 2016 parecem comprovar a tendência.

“Meia internet” foi abaixo em outubro, causando a indisponibilidade de sites como o Twitter, Spotify, Amazon, PayPal, Reddit, CNN, The New York Times, Boston Globe, Financial Times e The Guardia, sobretudo na costa Leste dos Estados Unidos mas com impacto em vários pontos do mundo, incluindo Portugal. O Tek tinha dado conta do que se passava logo no início, mas foram precisas algumas horas e investigação mais apurada para perceber que por trás do ataque estavam câmaras de videovigilância e outras “coisas” ligadas à Internet e à botnet Mirai.

Esta não foi a primeira vez que as “coisas” atacaram, e provavelmente não será a última. Várias empresas já tinham avisado para o perigo das Internet of Things, e a Akamai, uma empresa que faz a gestão de tráfego internet, tinha avisado para o ataque das “coisas” que são usadas como proxies para orquestrar ataque massivos. Embora a informação nunca tenha sido oficialmente confirmada, há quem diga que estes ataques são apenas um teste para algo de maior dimensão que estaria a ser preparada para as eleições presidenciais dos Estados Unidos.

A verdade é que a botnet Mirai voltou a ser protagonista num ataque na Europa, deixando milhares de pessoas sem internet no Reino Unido, e mais pode estar para vir.

Em 2016 não faltaram notícias de ataques informáticos, roubo de informação e quebras de segurança, mas, como acontece com os icebergs, o que foi revelado pode esconder um volume muito mais significativo de problemas de segurança, que ameaçam os utilizadores finais e as empresas. E por isso não podia falhar no #omelhorde2016, a revista do ano que o Tek tem vindo a fazer nas últimas semanas.

Roubar dinheiro, obter informações confidenciais e o simples prazer de causar estragos foram as principais motivações por detrás de grande parte dos ataques informáticos que pautaram 2016, como indica um relatório da Kaspersky Labs.

Em conversa com o Tek, um especialista desta empresa apontou também o dedo ao ransomware como uma das técnicas em rápido crescimento, que certamente dará mais que falar em 2017. Até porque os ataques com motivações políticas são confirmados como uma das grandes tendências

O caso das eleições norte americanas e a alegada intervenção de hackers russos segue esta linha.Este foi um dos temas em que a segurança, a privacidade e a vigilância cruzaram os artigos do balanço de #omelhorde2016. E é normal que isso aconteça, já que não se pode falar de tecnologia, inovação e transformação digital sem assegurar que a informação, dados das empresas e clientes e a própria privacidade estão protegidos.

A legislação está a apertar e em breve as empresas portuguesas têm que dar contas das suas políticas de cibersegurança e proteção de dados, mas falta ainda sensibilização junto dos utilizadores finais, e práticas de utilização dos equipamentos que garantam um perímetro de segurança à prova de hackers. O novo regulamento ainda deixa dúvidas e pode necessitar de regulamentação adicional, mas esta é uma área a que as empresas têm de estar muito atentas, até pelas multas que podem ser geradas.

Mesmo considerando que todos os mecanismos serão pensados para proteger o utilizador final, a linha que separa a segurança, a proteção de dados e a invasão da privacidade nem sempre é clara em todas as situações. E prova disso mesmo foi o diferendo que opôs este ano o FBI e a Apple (que também terá tocado outras empresas de forma menos mediática) com o pedido para desbloquear o iPhone do atirador de San Bernardino, e que terá sido ultrapassado com a ajuda de hackers.

Devemos viver com medo? Talvez algum medo seja positivo para consciencializar os utilizadores para os riscos, fomentando atitudes mais seguras e a adopção de regras simples, mas não deve ser paralisante, impedindo as empresas e as pessoas de usarem as ferramentas informáticas.