Depois dos primeiros passos no mercado português, e de ter começado apenas com vendas online, a IKI Mobile quer aumentar a sua presença nas lojas mas também continuar o processo de internacionalização.

A marca apresentou ontem em Lisboa quatro novos equipamentos onde se destaca o primeiro smartphone com aplicação de cortiça, o KF5 Cork Edition, uma inovação que foi elogiada pelo ministro da Economia.

Numa pequena entrevista ao Tek, Tito Cardoso, administrador da IKI Mobile, esclarece as questões relacionadas com a fábrica portuguesa, a expansão em Angola e os objetivos traçados para o próximo ano.

Tek: Como está o processo de estabelecimento da fábrica da IKI Mobile em Portugal?

Tito Cardoso: Esse processo está em andamento, no âmbito do Portugal 2020, e chumbou, mas isso não é o fim do mundo e estamos a reformulá-lo. Para isso já estamos a trabalhar com uma empresa especializada. Temos um Plano A e um Plano B, mas o que é certo é que vamos ter a fábrica em Portugal.

Tek: E já têm previsão da data?

Tito Cardoso: No máximo em 2019 teremos a fábrica da IKI Mobile a funcionar em Coruche, mas poderá ser antes. Algumas questões podem ser importantes. Analisando o que aconteceu em Angola, em que o mercado nos ofereceu uma grande potencialidade, houve uma grande adesão aos nossos produtos, e por isso o que fizemos foi começar a apostar mais neles. É isto que acreditamos que vai acontecer agora em Portugal, que temos as condições reunidas, a verdade é que isso ainda não acontecia, por isso acredito que vai acontecer e que vamos conseguir mais cedo do que 2019 lançar a fábrica.

Tek: E têm tido o apoio das autoridades?

Tito Cardoso: Sim, a câmara de Coruche tem apoiado incansavelmente, naquilo que é possível, naturalmente. Temos um terreno selecionado na nova zona industrial do Sorraia, mas temos também uma alternativa que é mais rápida e que pode ser uma hipótese para avançar, e se não conseguirmos avançar com o Programa Portugal 2020, certamente vamos por outro caminho.

Tek: Entretanto continuam a fabricar na China…

Tito Cardoso: Continuamos e não temos nada que diga que estamos desiludidos com isso. Temos uma parceria com uma empresa de renome na China e temos uma total confiança neles. E vamos sempre continuar com eles na produção para o mercado asiático.

Mas, por exemplo, no mercado angolano vamos produzir na fábrica em Luanda para os mercados africanos, e em Portugal queremos produzir e distribuir para os mercados europeus, o Brasil e os EUA, mas cada coisa a seu tempo.

Tek: Nestas fábricas será mais uma questão de assemblagem do que de fabrico propriamente.

Tito Cardoso: Nesta fase não vamos conseguir fabricar todos os componentes, e vamos continuar a comprar as câmaras da Sony, os processadores, as baterias e outros elementos no sítio onde eles são produzidos. Isso não vamos poder mudar já. Mas na fábrica em Portugal vamos ter também o  nosso laboratório, onde vamos começar a fazer as nossas próprias coisas, como o molde baseado na cortiça. Ou seja, vamos tentar fazer o que pudermos em Portugal, como por exemplo a produção das embalagens.

Não vamos ter nunca um produto 100% português, isso não é possível, mas no que pudermos vamos ter.

Tek: Como está a correr o processo da fábrica em Angola?

Tito Cardoso: Está a correr muito bem. Começou em Agosto e está neste momento a cerca de 50% de construção física e estamos a prever que termine em maio de 2017, e já temos tudo adquirido de apetrechamento e máquinas e está tudo a ser enviado para Angola. E o objetivo mensal é produzir 400 mil unidades por mês.

Tek: Inicialmente a IKI Mobile estabeleceu o objetivo de chegar às 30 mil unidades, mas ultrapassou largamente esse número…

Tito Cardoso: A previsão inicial foi considerada muito ambiciosa, mas a verdade é que chegámos aos 290 mil até final do mês de novembro, embora não em Portugal, mas a nível global.

Tek: E que percentagem de vendas foi feita em Portugal?

Tito Cardoso: Em Portugal é residual porque não fazemos vendas no retalho mas só online. O que achámos foi que Portugal nos ia dar o que precisávamos: opinião correta para podermos ter sucesso no mundo, e foi isso exatamente o que aconteceu. As vendas são residuais, é uma percentagem mínima, mas ajudou-nos a perceber o que o mercado europeu quer. Portugal é um barómetro para o mundo.

Tek: E quais são as metas para 2017? O objetivo é chegar ao retalho?

Tito Cardoso: Vamos entrar no retalho e para isso assinámos ontem uma parceria com a JP Sá Couto e vamos entrar em todos os retalhistas. Escolhemos a JP Sá Couto porque é uma empresa reconhecida e está no retalho não só em Portugal mas também noutros países, e porque está também no pequeno e médio retalho e nós temos a intenção de dar a estes retalhistas a possibilidade de vender as novas tecnologias.

Tek: Deste anúncio da nova gama o que se distingue é a edição em cortiça. Porque escolheram este material e como chegaram aqui?

Tito Cardoso: O novo KF5 é único no mundo. Tínhamos de inovar e queríamos materiais portugueses e já tínhamos a ideia na cabeça, por isso escolhemos Coruche porque é a capital da cortiça. E vamos usar cada vez mais cortiça, por exemplo nas embalagens, mas também nos telemóveis. Para já está a ser usado nas capas mas estamos a estudar como podemos alargar esse uso.

Tek: E a cortiça vai encarecer o produto ou não é significativo?

Tito Cardoso: Não vai encarecer o produto. A cortiça é bastante acessível, apesar de não ser a cortiça normal, e é um produto trabalhado com adaptação a nível da cor e da textura. Não se torna mais barato mas permite-nos ser competitivos e diferenciadores no mercado.