Como explica o Instituto de Telecomunicações (IT), que é uma das entidades envolvidads no projeto LUSÍADA, os navios transmitem automaticamente dados como a sua identificação, posição, velocidade e rumo através do Automatic Identification System (AIS). O sistema baseado em rádio VHF permite comunicações entre navios, bem como entre as embarcações e a costa ou satélites, contribuindo para uma maior segurança da navegação.
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No entanto, o AIS está a tornar-se saturado. Por exemplo, em portos movimentados, os canais ficam frequentemente congestionados quando vários navios operam perto uns dos outros. Além disso, os dados podem ser facilmente manipulados, o que se afirma como um desafio para a segurança.
O VHF Data Exchange System (VDES) é uma nova geração de sistema que vai funcionar em paralelo com o AIS, contando com uma maior largura de banda além de suporte a serviços como comunicações bidirecionais com funcionalidades avançadas de segurança e de uma componente satélite para garantir cobertura global.
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Uma das responsabilidades do IT no projeto foi criar uma antena desdobrável para a constelação de pequenos satélites, preparada para comunicar com navios usando os sistemas AIS e VDES.
Um dos grandes desafios foi cumprir os requisitos técnicos e assegurar simultaneamente que a antena cabia num espaço reduzido dentro dos satélites antes do lançamento, para que pudesse depois ser desdobrada no Espaço, mantendo um comprimento muito compacto.
Para ultrapassar este desafio, os especialistas optaram por uma configuração de antena não convencional. A equipa responsável produziu internamente alguns dos principais componentes de onze unidades de voo das antenas e realizou a montagem em sala limpa no IST Nanosat Lab.
O desenvolvimento do conceito, o design eletromagnético, a fabricação e os testes do modelo de engenharia foram realizados no IT/IST Nanosat Lab, por uma equipa liderada por Carlos Fernandes (IST/IT), com João Felício (IST/IT), Sérgio Matos e Jorge Costa (ISCTE-IUL/IT), Tiago Carneiro, engenheiro aeroespacial do IT, e técnicos de laboratório.
Do processo fizeram também parte outros parceiros, em particular para o desenho do mecanismo de desdobramento e na fabricação da estrutura, sob coordenação da LusoSpace. Os testes eletromagnéticos finais foram realizados na ANACOM, indica o IT.
As antenas foram depois entregues à LusoSpace para integração final nos satélites que fazem parte da constelação. O lançamento está previsto para este ano, através da SpaceX.
