Não é fácil a uma empresa manter-se no top da inovação numa área tão competitiva como a dos smartphones mas a Samsung tem com os novos Galaxy um incentivo adicional, de ultrapassar a má nota (um pouco esturricada) deixada pelo Note 7 explosivo, que gerou muitas notícias e mais piadas que a marca quer ultrapassar. E como fazê-lo?

Não há muito a ensinar a uma marca que se transformou rapidamente a líder de mercado a nível global e que conseguiu ultrapassar a Apple e o seu incontestado iPhone. Apostar no design, com mais capacidade de processamento, novas funcionalidades e marketing. Muito marketing. E claro, dosear a capacidade da bateria para não ter surpresas desagradáveis.

A fórmula é vencedora e a Samsung já a aplicou anteriormente, somando referências positivas com os Galaxy S6 e S7, e o S8 e S8+ (a versão maior) não falham à regra. O Tek já tinha tido oportunidade de partilhar as primeiras impressões de experiência com os equipamentos numa pré-conferência reservada a um grupo restrito de jornalistas mas algumas semanas de utilização dos novos smartphones vieram confirmar a maioria das notas já tomadas, as boas e as más.

O telefone que hoje chega às lojas em Portugal - e que tem gerado muita curiosidade entre os entusiastas da tecnologia mas também entre os curiosos – tem somado críticas muito positivas um pouco por todo o mundo, e tudo indica que as vendas estejam a corresponder na mesma linha. E a verdade é que tanto o S8 como o S8+ têm todos os ingredientes para se tornarem o melhor smartphone do ano, mesmo com a concorrência difícil do iPhone 7 e da nova versão que a Apple deve lançar em setembro. E mesmo com alguns defeitos – porque os tem – está muito próximo da perfeição, sem ser, porém, revolucionário.

Depois do muito que já se falou sobre os novos telefones, em rumores, após o anúncio e mesmo nas primeiras impressões que já publicámos, não há muito que falte saber sobre o S8 e o S8+, mas vale a pena partilharmos a nossa experiência mais maturada e a análise aos principais elementos dos novos smartphones, detalhando questões de design, ecrã, performance, software, segurança, câmara e ainda os acessórios do novo “ecossistema” que a Samsung está a criar.

Siga por isso connosco pelas próximas páginas para conhecer a experiência do Tek e apreciação em cada uma destas áreas.

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Design: a tentativa de chegar ao infinito
Ainda não encontrámos ninguém que não considerasse que o Galaxy S8, e o S8+, estão na categoria dos smartphones mais bonitos do mercado. O ecrã ligeiramente curvo e o trabalho de engenharia que permitiu eliminar praticamente a moldura dão ao telefone um aspecto diferenciador e de qualidade que se sente também nos detalhes, no “prolongamento” da tela quase para a parte de trás, numa peça quase única mas ao mesmo tempo leve e elegante. E fácil de usar, com conforto, mesmo apenas com uma mão.

Com uma dimensão de 5,8 polegadas no S8 e 6,2 polegadas no S8+, a mudança do rácio da dimensão, tornando os dois modelos mais estreitos e mais altos, parecia estranha no papel e à primeira vista, mas depois de umas semanas de utilização acabou por se mostrar muito útil e entrou no hábito, de tal forma que todos os outros modelos (especialmente os de maior dimensão) parecem agora demasiado rectangulares e “quadradões”.

A Samsung chamou-lhe “ecrã infinito” e a mudança faz com que o telefone seja mais fácil de segurar, e a empresa garante que com a redução da moldura consegue mais 36% de espaço de visualização para o ecrã do que no S7, até porque a área útil e visível cobre agora mais de 80% do espaço frontal. As listas longas são agora mais fáceis de ver, e os documentos mais fáceis de ler. E o certo é que mesmo as aplicações que ainda não fazem o ajuste automático para o novo modelo de ecrã com rácio 18,5:9 e, vez de 16:9 – como o Netflix por exemplo – rapidamente se vão adaptar.

As dúvidas de que a curvatura faria “escorregar” o telefone das mãos, e os conteúdos para a área lateral como acontecia nos modelos Edge, acabaram por se desvanecer com a utilização. Segura-se bem, não escorrega tanto quanto parece inicialmente, e os conteúdos ajustam-se bem a toda esta dimensão infinita.

A Samsung esforçou-se também para facilitar a navegação nos conteúdos apenas com uma mão, preparando modos especiais que podem ser configurados, especialmente no S8+ por causa de ser tão alto. A verdade é que muitas vezes nos sentimos “obrigados” a usar as duas mãos para manipular os conteúdos do telefone, mas isso também não é assim tão estranho na maioria das situações.

O S8+ acaba por ter só mais 1 cm de altura e 0,4 cm de largura, e na prática não é assim tão maior como sugerem as 6,2 polegadas de ecrã. Mas a diferença sente-se na visualização de conteúdos, especialmente em vídeo e fotos, que têm mais espaço para “brilhar”.

E aqui brilhar é mesmo a palavra certa. Não há nada a criticar na qualidade do ecrã Super AMOLED HD+, que mantém o brilho, a clareza e vivacidade das imagens a que a Samsung já tinha habituado os utilizadores com os modelos anteriores. O brilho pode chegar aos 1000 nits e o suporte HDR (High Dinamic Range) dá também uma nota adicional de qualidade. Vale também a pena experimentar o modo de melhoria de vídeo em algumas apps que permite optimizar o contraste e luminosidade no YouTube, por exemplo.

Mesmo assim, em alguns casos as imagens ficam com cores supersaturadas, sobretudo no escuro se a luminosidade não for ajustada para automático, mas a visualização de vídeos, até de conteúdos longos como filmes, é agradável e podemos até reduzir a luminosidade para níveis a rondar os 30%, aproveitando para poupar bateria.

E a resistência? Não testámos nenhuma queda – nem propositada nem acidental – mas a proteção do Gorilla Glass 5 deve ajudar a sobreviver a alguns acidentes. Ou pelo menos esperamos que sim, até porque a iFixit já confirmou que o nível de reparabilidade do S8 e do S8+ é bastante baixo

Uma nota ainda para a parte traseira, de alumínio, onde a câmara está mais integrada do que acontecia com o S6, e que apesar de ser estranho acaba por reter mais “dedadas” do que o próprio ecrã, sobretudo nos modelos mais claros.

O principal “crime” que a Samsung teve de cometer para retirar as molduras foi a alteração do Home de um botão físico para um botão háptico, o que levou a mudar o sensor de impressão digital para a parte traseira, gerando outras dificuldades para os utilizadores e tornando-se o motivo das principais críticas aos novos smartphones. Mas já lá vamos. Próxima página:Uma performance sem falhas

 

Uma performance sem falhas
Quem gosta de olhar para baixo do “capot” dos telemóveis, e medir as características técnicas, tem todas as razões para ficar satisfeito com os novos Galaxy, e os testes feitos pela AnTuTu deixaram o iPhone “a milhas” nos primeiros benchmarks.

O chipset Exynos 8895, de produção própria da Samsung dá as garantias necessárias (no caso do mercado norte americano a Samsung inclui antes o Snapdragon 835) com o processador octa core a 2,3 GHz a que se soma um quad de 1,7 Ghz na versão S8 e com mais uns pozinhos no S8+ (octa core 2,35GHz + 1,9 GHz quad core) a tomar “conta da ocorrência".

Na memória RAM conte com 4GB que suportam perfeitamente múltiplas aplicações abertas e mesmo os jogos e apps mais exigentes sem qualquer espécie de soluço. O armazenamento base é de 64 GB mas pode ser alargado a mais 256 GB com um cartão microSD.

Vale a pena lembrar que a Samsung quer que o S8 seja o seu computador de bolso e o centro de toda a vida computacional, e para isso tem já uma gama de acessórios preparada que precisa de toda esta capacidade de "fogo".
Na conetividade não há nada a apontar. O LTE 16 e a cobertura alargada de Wi-Fi não o vão deixar ficar mal “ligado” em nenhum lado onde existir rede, e a utilização do Bluetooth 5.0 traz algumas vantagens, como a possibilidade de emparelhar dois dispositivos ao mesmo tempo.

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Software: vai uma ajudinha para as novas funcionalidades?
O Galaxy S8 e o S8+ trazem de base o Android 7.0 mas a Samsung não abdica de colocar o seu toque especial em cima da versão original, como é habitual. E como se pode ver continua a trabalhar nesta área, com ícones mais bonitos, uma mudança de design que também se estende às aplicações Samsung.

Há um menu lateral como já existia no S7 edge, configurável, e o conceito de “ajuste à sua medida” está um pouco por todo o lado, assim como tutoriais para explicar as melhores formas de usar as ferramentas, especialmente os novos botões hápticos na base do ecrã.

No meio de tudo a pior opção chama-se Bixby. A Samsung decidiu apresentar a sua própria assistente inteligente, com uma visão de longo prazo no alargamento à gestão da internet das coisas – especialmente dos eletrodomésticos lá de casa – mas também a capacidade de se tornar um auxiliar visual, reconhecendo objetos. Mas a verdade é que não se saiu muito bem.

Com um botão dedicado, colocado no lado esquerdo do ecrã, para ativar a funcionalidade que na base junta informação de calendário para recordar eventos e tarefas importantes, assim como acesso a contactos. Prepare-se já psicologicamente para dar autorização para abdicar quase totalmente da sua privacidade, cedendo todos os acessos à Samsung e a terceiros (identificados). Ou então evitar este “apoio”.

A ferramenta ainda só está em inglês mas tem muitos passos a dar antes de se tornar realmente útil e mesmo com treino não se mostrou muito eficiente. Aliás, a Bixby Vison nem sequer reconheceu o próprio S8 numa fotografia, identificando-o com fotos semelhantes ao iPhone e outros telefones da concorrência.

Ontem a aplicação teve uma atualização mas não sentimos qualquer melhoria. Talvez nas próximas releases esteja melhor. Em alternativa pode sempre usar o assistente da Google.

Segurança reforçada por software

Mas não são só más notícias. A Samsung continua a reforçar as questões de segurança com a proteção das aplicações, as pastas seguras e a encriptação da informação, mas também com novos sistemas de autenticação.

A possibilidade de reconhecer o rosto, ou a iris, para aceder aos conteúdos pode ser uma alternativa válida, sobretudo se encontrar tantas dificuldades como nós no sensor de impressão digital.

Acho que não houve uma única vez em que o reconhecimento da impressão digital foi feito logo à primeira, trazendo uma demora desagradável para “acordar” o telefone. A posição do sensor é certamente um dos principais problemas e já tínhamos referido que é o que se destaca em termos de falha no S8 ou S8+.

Quer se pegue com a mão direita quer com a esquerda, não é fácil acertar à primeira com o sensor na parte traseira sem ter de olhar, sendo que o facto de ser estreito e estar perto da câmara não ajuda. E é certo que já usámos vários outros telefones com sensores traseiros sem qualquer dificuldade.

O sensor de reconhecimento da íris já tinha sido usado no Note 7 mas não é muito rápido, sobretudo se usar óculos. E o reconhecimento facial tem o problema de ser menos seguro, e pode (mesmo) ser enganado por uma fotografia.

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Nada de novo no reino da fotografia

Nas primeiras impressões dos novos Galaxy já tínhamos referido que não há novidades a reportar na câmara fotográfica face aos modelos anteriores, só alguns “truques” de software. As câmaras mantêm-se iguais, ou quase, na câmara traseira e frontal. E isso não é totalmente mau, porque já era uma boa “máquina” fotográfica que ficava à frente de muitos outros smartphones. E continua a ser muito rápida.

A Samsung não embarcou na nova “moda” de câmaras duplas, nem de grande ângulo (wide angle), e mesmo com aquilo que já tinha definido que era uma boa sensibilidade em ambientes mais escuros, não se sai assim tão bem como era de esperar…

Conte ainda com um modo de fotografia de comida, para os adeptos do estilo, e também stickers para as selfies, para quem gosta do género.

Nas mudanças há a destacar o facto da câmara traseira captar agora sempre 3 imagens para optimizar o resultado e dar uma imagem mais nítida, mas não notámos grande diferença.

A verdade é que as últimas semanas também não têm sido muito propicias a experimentarmos a fundo a parte fotográfica, e limitámo-nos a algumas fotos de circunstância, por isso também não vamos aprofundar mais esta parte da análise, que pode ficar para outra ocasião.

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Bateria: uma questão menos “quente”
Quase todas as metáforas relacionadas com o problema de bateria do Note 7 já foram usadas por isso não vale a pena ir por esse caminho. E a Samsung também escolheu um caminho diferente, optando por ser mais comedida na capacidade da bateria e evitando o sobreaquecimento.

O S8 tem uma bateria de 3.000mAh mas apesar do ecrã de 5,8 polegadas e do quad HD+ e suporte HDR parece ser perfeitamente suficiente para “aguentar” um dia de trabalho. Mesmo om cargas mais duras nunca ficámos sem bateria em momento inoportunos e a gestão inteligente do ecrã, com a luminosidade e o facto de se desligar ao fim de 5 segundo ajuda. Claro que 5 segundos é mesmo muito pouco tempo, e o que acontece é que é preciso passar o tempo a (re)autenticar-se. O que não é fácil com o sensor de impressão digital. Esta foi uma das funcionalidades que mudámos logo na primeira hora de uso do S8 e do S8+.

No S8+ a bateria de 3.500 mAh dura um bocadinho mais, mas nada de muito significativo, até porque este telefone convida a mais uso multimédia e como usámos os dois ao mesmo tempo acabava por ser a “vítima” escolhida na maior parte das vezes.

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Galaxy S8 ou S8+, qual escolher?
A resposta “os dois” não é válida neste inquérito, por isso há que decidir…. Muitas das características são comuns aos dois modelos e é mais uma questão de tamanho e formato que fazem a diferença, para além do preço. Por isso é uma questão de gosto, e de experiência.

Para a equipa do Tek podemos dizer que entre os dois “o coração balança". Normalmente não somos adeptos de ecrãs muito grandes mas a Samsung parece ter conseguido um equilíbrio simpático, e por isso também o S8+ acabou quase sempre por ser escolhido para funções multimédia. Mas para o resto ainda é grande demais e é preciso bolsos fundos (nas calças, nas camisas ou nos casacos) para que não fique muito telefone de fora, com risco de cair.

A diferença de preço também não é displicente para utilizadores mais racionais. O S8 parte dos 819 euros e o S8+ já se aproxima perigosamente dos mil euros, pelo menos psicologicamente (na verdade são 919 euros). A Samsung já explicou porque e que o S8 é mais caro do que o S7 mas no final das contas isso não é suficiente… E há mais faturas a pagar.

Não podemos terminar a análise sem uma última nota para o ecossistema que a Samsung está a criar, com os vários acessórios, entre os quais a nova câmara de 360 graus e o Samsung Dex, a base que transforma o S8 num “computador de secretária” e que pode trazer uma mudança de conceito de utilização. Ainda não está à venda mas no Tek temos muita vontade de experimentar e ver se as promessas das primeiras impressões se concretizam.