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Nvidia apresenta tecnologia que melhora gráficos nos jogos. Comunidade de gaming abomina filtros de beleza por IA

Apresentada a quinta geração do DLSS para as placas gráficas RTX 5, a Nvidia promete avanços nos renders dos modelos gráficos, em tempo real através de redes neurais. A demonstração técnica, que utilizou jogos como Resident Evil Requiem e Hogwarts Legacy não foi bem recebida em geral pela comunidade de gaming.

Imagem da demonstração do DLSS 5

Durante a mais recente edição da GTC, evento realizado em Las Vegas dedicado à comunidade de developers da indústria de gaming, Jensen Huang, o CEO da Nvidia, apresentou a tecnologia DLSS 5 (deep-learning super-sampling). A versão final vai chegar no outono e será exclusiva para PCs equipados com placas RTX 5. Esta tecnologia sempre foi usada para oferecer gráficos melhorados em computadores com configurações mais modestas, assim como maior fluidez nas animações dos jogos. 

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Já a quinta geração da tecnologia é descrita pela empresa como o maior salto tecnológico nos gráficos de computador desde que estreou a tecnologia ray-tracing em 2018. Na sua essência, a nova tecnologia propõe infundir pixeis com iluminação fotorealista e materiais no modelo de render, executado em tempo real. O objetivo é oferecer aos estúdios ferramentas de computação gráfica fotorealista ao nível dos efeitos visuais de Hollywood. Para demonstrar a tecnologia, a Nvidia mostrou um vídeo com o efeito DLSS 5 ligado e desligado em títulos como Resident Evil Requiem, Hogwarts Legacy, Starfield e FC 26. 

A tecnologia é suportada por diversas empresas de gaming, como a Capcom, Bethesda, Hotta Studio, NetEase, NCSoft, S-GAME, Tencent, Ubisoft e a Warner Bros. Games. Mas a comunidade de gamers não parece ter recebido a tecnologia com a alegria que a Nvidia esperaria. Como aponta a Ars Technica, a tecnológica é acusada de pisar o risco entre aquilo que é o tradicional upscaling gráfico com a ajuda da IA, com uma completa mudança ao nível da iluminação e texturas, influenciado pelos filtros de embelezamento da IA generativa.    

Veja o vídeo da demonstração:

A comunidade de gamers, mas também de algumas vozes da indústria, apontam que a tecnologia usada é “IA Slop”, uma expressão utilizada nas situações com excesso de intervenção da IA. Isto porque vai além do upscaling e da geração de frames intermédios que melhoravam a imagem. A tecnologia reinterpreta a cena, alterando os materiais, detalhes e a iluminação. Isto é visto como intrusivo, acusando a Nvidia de deixar a IA decidir como deveria ser o aspeto do jogo. 

Entre as críticas presentes, os artistas e developers contra a tecnologia afirmam que a tecnologia DLSS 5 impõe um estilo visual homogêneo, apagando a estética que foi imaginada pelos artistas e criadores.  Mike Bithell, criador do jogo Thomas Was Alone, disse na rede social Blue Sky que esta tecnologia era usada “para quando absolutamente não se deseja nenhuma direção de arte na experiência de jogo”. Em geral, a tecnologia é acusada de ser “um lixo de filtros de IA”. 

Outro ponto anotado pelos jogadores ao vídeo de apresentação é que o DLSS 5 reduz o contraste e aplana as sombras, tornando o ambiente menos atmosférico e com uma aparência mais “plastificada”. Por fim, independentemente do resultado final, as críticas apontam a decisão da tecnologia ser exclusiva das placas gráficas RTX 5, além de que para conseguir realizar a demonstração, foram necessárias duas topo de gama RTX 5090. A Nvidia diz que a versão final requer apenas uma. 

A Nvidia já se defendeu dizendo que a tecnologia DLSS 5 não é um filtro, mas um conjunto de ferramentas em que os developers têm o controlo total. Na página de apresentação estão citações dos próprios estúdios que assinaram a tecnologia e participaram na demonstração.

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