A SpaceX está a enviar notificações por email aos subscritores da Starlink em Portugal com uma mensagem que muitos estão a considerar desagradável. No texto da mensagem, é referido que “com base na sua utilização recente, o plano Residencial de 100/200 Mbps deve continuar a satisfazer as suas necessidades”. Através desta mensagem, os utilizadores são informados da aplicação de uma redução nas velocidades máximas de download e, em alguns casos, de um aumento no valor mensal da subscrição.
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As mudanças estão a gerar descontentamento generalizado entre os utilizadores, com queixas a multiplicarem-se em grupos de Facebook, no Reddit e no próprio X, a rede social de Elon Musk.
As alterações surgem precisamente na altura em que a Starlink ganhou uma nova dimensão em Portugal, fruto do impacto causado pelas recentes tempestades, como a Kristin e a Leonardo. As tempestades que assolaram o território nacional no final de janeiro e início de fevereiro provocaram uma disrupção das telecomunicações, muitas delas ainda hoje estão para ser restabelecidas.
Estamos a falar em situações onde a cobertura do sinal foi reduzido significativamente, ou chegou a ficar mesmo indisponível. Muitas das regiões afetadas ainda estão por ver o serviço restaurado, não só em termos de redes móveis como de rede fixa, incluindo ligações em fibra. Esta situação provocou uma adesão expressiva ao serviço por satélite, tendo o próprio Governo Português revelado a contratação de ligações Starlink e telefones com comunicação por satélite no seu plano de recuperação.
Através deste plano, o Governo pretende assim garantir a existência de uma cobertura de telecomunicações constante para as 3.258 freguesias afetadas pelas tempestades. É, portanto, com uma base de utilizadores em forte crescimento e com uma dependência acrescida que chegam agora estas alterações contratuais, que para os utilizadores portugueses, são particularmente penalizadoras.
Segundo publicações partilhadas nas redes sociais, os utilizadores com o plano Residential Lite, que até agora oferecia velocidades até 250 Mbps por 23,58 euros mensais, vão passar a pagar 29 euros por mês e ver a velocidade máxima cair para os 100 Mbps.
Trata-se de uma redução de 60% na velocidade por um preço mais elevado. Para utilizadores que tinham o plano Residencial, com velocidade de 400 Mbps, verá a velocidade reduzir para 200 Mbps, embora neste caso o valor da mensalidade tenha reduzido de 40 para 39 euros. Caso pretenda manter a velocidade original, terá de migrar para um plano superior, o Residencial Max, que custa 59 euros mensais.

As alterações inserem-se numa reestruturação global dos planos da Starlink, que começou a ser implementada no início de 2026, e que levou à criação de um plano adicional. Ou seja, anteriormente existiam apenas dois planos residenciais, o Residencial Lite (até 250 Mbps a 29 euros) e o Residencial (até 400 Mbps a 40 euros). Agora passam a ser disponibilizados três planos, o Residencial 100 Mbps (por 29 euros), o Residencial 200 Mbps (por 39 euros) e o Residencial Max (até 400 Mbps, por 59 euros).

Ainda assim, segundo alguns comentários, existe uma margem de negociação que vale a pena explorar. Vários utilizadores comentaram que após anunciarem o cancelamento do serviço na sequência das alterações, conseguiram obter uma redução de 20% no valor da mensalidade. Trata-se de uma estratégia que a Starlink parece estar a utilizar para reter clientes insatisfeitos, e que pode ser tentada por quem considere que o novo preço não justifica as alterações impostas na subscrição atual.
Convém relembrar que embora a SpaceX garanta que o serviço Starlink poderá substituir uma ligação de fibra, essa afirmação não é inteiramente verdade. Para além de terem maiores latências que uma ligação física por fibra, as velocidades são mais inconstantes, e existe ainda os custos adicionais que devem ser considerados, como o custo energético. Enquanto que um router de fibra doméstico consome em média entre 5 e 10 watts de energia, o terminal de antena do Starlink consome mais de 100 watts em funcionamento contínuo.
Relativamente a alternativas ao serviço Starlink, a única em vigor é a rede Konnect da Eutelsat, mas este utiliza satélites numa órbita mais elevada, o que tem impacto na latência (videochamadas têm falhas e lag visível) e nas velocidades, entre os 10 e 100 Mbps (em condições óptimas). Futuramente a Amazon deverá entrar na equação, assim que o serviço Amazon Leo esteja disponível com ligações até 1 Gbps.
