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Terafab: Elon Musk quer construir a maior fábrica de chips do mundo no Texas

Tesla, SpaceX e xAI vão investir entre 20 e 25 mil milhões de dólares numa fábrica de semicondutores em Austin, que Elon Musk quer que produza o equivalente a um terawatt de potência de computação por ano.

Elon Musk

Com feixes de luz a iluminar o céu de Austin e o governador do Texas Greg Abbott entre os convidados, Elon Musk subiu ao palco na antiga central elétrica de Seaholm para anunciar a Terafab. Este pompeante nome será a designação daquela que será a maior fábrica de semicondutores do mundo, uma unidade que irá trabalhar em conjunto com a Tesla, a SpaceX e a xAI, e que segundo o empresário, será “o exercício de construção de chips mais épico da história, de longe”.

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O projeto é uma joint venture avaliada entre 20 e 25 mil milhões de dólares (entre 17 e os 21 mil milhões de euros) que pretende consolidar todas as etapas da produção de semicondutores sob um único teto. Estamos a falar em passos como design, litografia, fabrico, produção de memória, empacotamento avançado e testes. A capacidade prevista a pleno funcionamento equivaleria a cerca de 70% da produção total atual da TSMC, o atual maior fabricante de chips do mundo.

A motivação declarada por Elon Musk é simples, deixar de depender de fornecedores externos como a TSMC, a Samsung e a Micron, que não conseguem expandir ao ritmo que as suas empresas necessitam. “Ou construímos a Terafab ou não temos os chips. E precisamos dos chips, por isso construímos a Terafab”, afirmou o bilionário.

Numa fase inicial, a fábrica produzirá dois tipos de chips. O primeiro será otimizado para inferência e uso em dispositivos periféricos, destinado aos veículos autónomos e aos robots humanoides Optimus da Tesla. O segundo será um chip de alto desempenho desenvolvido de raiz para operar no espaço, ao serviço dos planos da rede de satélites orbitais de IA da SpaceX.

Para já, o valor da proporção revela bem as prioridades de Elon Musk, com 80% da capacidade de produção da Terafab a ser direcionada para os chips de alto desempenho, e apenas 20% para as restantes aplicações. Quando questionado tecnicamente sobre as exigências do espaço, Elon Musk argumenta que a principal razão é a irradiância solar, que no espaço é cerca de 5x superior à da superfície terrestre. Isto tornaria viável o arrefecimento térmico no vácuo, o que na sua lógica torna a órbita terrestre no local ideal para a aplicação de datacenters de nova geração.

Starlink

O problema é que o anúncio não veio acompanhado de qualquer calendário concreto de construção, e os números anunciados são intimidantes. Ao custo estimado revelado, acresce ainda o plano de despesas de capital da Tesla para 2026, que já ultrapassa os 20 mil milhões, e que os custos totais da Terafab ainda não estão integrados nas contas, segundo afirmações do diretor financeiro da Tesla.

Quando concluída, esta será a única fábrica de chips a 2 nanómetros com uma capacidade de produção de 100.000 waffers por mês. Analistas consideram o projeto impossível de cumprir, especialmente tendo em conta as dificuldades das maiores empresas no setor. A TSMC, que só agora iniciou com sucesso a produção de chips de 2 nm, acabou de gastar 165 mil milhões de dólares (142 mil milhões de euros) para produzir seis fábricas no Arizona, e nenhuma dessas estará preparada para lidar com um processo de fabrico tão exigente.

Para muitos, criar uma fábrica exclusiva para este processo capaz de produzir 50 mil waffers por mês, teria um custo de 28 mil milhões de dólares (cerca de 24 mil milhões de euros), e demoraria aproximadamente 38 meses até estar totalmente operacional. Convém recordar que estes cálculos são válidos para uma empresa com a experiência como a TSMC, que domina o setor nas últimas décadas, e que a Tesla não tem qualquer experiência no fabrico de semicondutores.

Tesla fabrico semicondutores
A Tesla já fabrica parte do processo final da eletrónica dos seus veículos, com a aplicação de semicondutores da Nvidia e de outros parceiros.

A própria Morgan Stanley manteve uma recomendação neutral sobre a Tesla, descrevendo a Terafab como “a tarefa mais hercúlea de sempre” para a empresa e estima que, mesmo num cenário otimista, a produção inicial de chips não ocorra antes de meados de 2028. O historial de Elon Musk com projetos desta escala também não ajuda, sendo o “Battery Day” de 2020, onde prometeu uma revolução nas baterias 4680, uma referência incómoda para quem acompanha as suas apresentações.

Ainda assim, a lógica estratégica não é desprovida de sentido. Com frotas de Cybercabs, milhões de robots Optimus e infraestrutura de IA no horizonte, a dependência de fornecedores externos representa um risco real para o império tecnológico que Elon Musk está a construir. Nesse sentido, Austin revelou ser a localização perfeita, especialmente porque é lá onde já existem a Gigafactory da Tesla, assim como as principais operações da SpaceX, consolidado a cidade Texada como sendo o epicentro de toda esta ambição.

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