O Facebook está a oferecer até 3.000 dólares mensais (aproximadamente 2.600 euros) a criadores de conteúdo com grande audiência em plataformas como o TikTok, YouTube e Instagram, para que publiquem na sua rede. O programa, denominado Creator Fast Track, destina-se a “criadores estabelecidos que são novos ou que estão a redescobrir o Facebook”, segundo a Meta, e está atualmente disponível apenas para criadores nos Estados Unidos e no Canadá.
Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt
Para se qualificarem para o valor máximo, os criadores terão de comprovar que têm mais de um milhão de seguidores noutras plataformas e publicar pelo menos 15 reels por mês, durante um período máximo de três meses. Criadores com audiências menores podem receber até 1.000 dólares mensais. A Meta acrescenta que os participantes terão ainda acesso ao seu programa de monetização, que remunera com base em métricas como o número de visualizações e o tempo de visionamento.
Esta iniciativa surge numa altura em que o Facebook procura reafirmar-se como destino relevante para os criadores de conteúdo, num mercado cada vez mais dominado pelo TikTok e pelo YouTube. Em 2025, a Meta afirmou ter pago quase 3 mil milhões de dólares a criadores de conteúdos através dos seus vários programas de monetização em vigor. Ainda assim, a receção do sector não foi muito entusiástica.
Jordan Schwarzenberger, diretor da agência Arcade, é responsável pela gestão de talentos como o grupo Sidemen, que inclui nomes populares como KSI e Vikkstar, com dezenas de milhões de seguidores combinados, descreveu a iniciativa como “uma jogada algo desesperada”. Para o responsável da agência de talentos, o problema fundamental é que as audiências seguem as plataformas antes de seguirem os criadores, pelo que atrair mais criadores para o Facebook não garante que os seus fãs os acompanhem.
O que irá acontecer é que os seguidores destes criadores de conteúdos “vão provavelmente encontrar esse mesmo conteúdo no TikTok, no Instagram, nas plataformas onde já passam o seu tempo”, afirmou o responsável à BBC News. Esta é a realidade do que já acontece com os membros do grupo Sidemen, daí o responsável falar com conhecimento de causa. Este questiona também se o valor oferecido é o suficiente para motivar criadores de maior dimensão.
O valor oferecido de 3.000 dólares por 15 vídeos, corresponde a um pagamento por peça de 200 dólares (cerca de 173 euros), um valor que, segundo Jordan Schwarzenberger, “nem sequer cobre os custos de produção para alguns criadores”. A maioria dos criadores com mais de um milhão de seguidores aufere valores muito superiores através de parcerias com marcas ou da monetização direta no YouTube. Na sua opinião, o programa acabará por atrair apenas criadores mais pequenos, o que “não terá impacto real nem trará audiências” significativas para a plataforma.
