As redes sociais são os mais recentes medidores de tendências. Quem quiser saber o que se passa no mundo e o que está a "virar" moda só tem que passar algumas tardes no Facebook, visitar os tópicos em destaque no Twitter ou acompanhar com regularidade as sugestões do Youtube.

No caso da plataforma de vídeos são cada vez mais frequentes as gravações em alta qualidade que desportistas fazem às suas manobras nos mais variados ambientes. Rapidamente estes vídeos se tornaram virais de forma constante.

Houve recentemente um caso português que ficou bastante conhecido. Um grupo de jovens decidiu enviar um galo de Barcelos para o espaço, gravando todo o processo de ascensão e de queda do galináceo. Como? Mas como? Com câmaras para profissionais claro.. profissionais da ação.

A GoPro e a Liquid Image são duas empresas que têm lutado por um lugar ao sol entre os aventureiros do mundo como marca que acompanha os mais destemidos nas suas demandas. Existem mais intervenientes neste mercado, sendo que a Sony é um dos principais nomes a ter em conta.

A IFA 2013 foi aliás um bom exemplo de como as câmaras de ação são uma das novas tendências do mercado tecnológico, sendo que várias marcas apresentaram novidades para este sector.

À redação do TeK chegaram duas câmaras para testes: a GoPro Hero 3 White Edition e a Liquid Image Ego. Semelhantes no conceito, as duas câmaras acabam por se distanciarem em pequenos aspetos que em câmaras de reduzidas dimensões fazem toda a diferença.

É de salientar que a GoPro Hero 3 tem mais dois modelos, a Silver e a Black Edition, que são superiores em especificações à câmara testada pela redação.

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Logo no aspeto as duas câmaras têm diferenças significativas. A GoPro é retangular, pequena e tem a lente de olho de peixe saliente do restante corpo. A Ego é ligeiramente mais comprida, é mais estreita que a concorrente e destaca-se pelo design arredondado. Porquê estas diferenças?

A GoPro como câmara não fica completa sem a sua proteção. As imagens mais recorrentes mostram a câmara sempre neste estado de proteção já que a ideia é mesmo essa, uma câmara de ação que resiste a todos os desafios. Como o elemento nuclear da câmara não é resistente nem a choques nem a água, a estrutura foi concebida a pensar na coexistência com um "abrigo".

Por seu lado a Ego da Liquid Image é resistente a choques e a água - a pouca profundidade - por defeito, sem proteção extra. Este acaba por ser um ponto positivo que é ao mesmo tempo negativo: os danos na câmara vão-se sentir de forma muito mais acentuada, enquanto na GoPro é a proteção quem leva com os riscos. A Ego é construída em plástico resistente e esponjoso ao mesmo tempo, exatamente para absorver melhor os choques e as quedas.

Ambas as câmaras não foram feitas para andar aos trambolhões, mas como se apresentam como equipamentos que têm que ter uma resistência superior, neste duelo ganha a GoPro.

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Nenhum dos dois equipamentos tem um ecrã principal onde se possa ver ou acompanhar as gravações em tempo real - ponto negativo, mas que nem poderia ser de outra maneira por causa do risco de quebra -, mas têm ambos aplicações para smartphone que permitem uma experiência de segundo ecrã.

No campo do software para dispositivos móveis a Liquid Image leva vantagem sobre a GoPro, ao apresentar mais possibilidades de edição e de configuração. O primeiro bloco de imagens é da GoPro, o segundo pertence à Ego.

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Nas duas câmaras existe a desvantagem de os botões serem muitos duros e de exigirem força q.b. para que as ações sejam acionadas.

A GoPro tem três botões dedicados, um de energia e de navegação em menus, outro de captura de imagens e vídeos e de confirmação de menus, e um outro dedicado à ativação do Wi-Fi.

A Ego tem apenas dois botões que servem para alternar entre vídeo em 720p, 1080p, fotografias e modo time lapse. E por falar em modo time lapse, fica um exemplo do que é possível fazer com as câmaras em pouco tempo e mesmo sendo um utilizador amador:

Se procura exemplos da qualidade dos vídeos que são possíveis gravar, o melhor é mesmo ver imagens profissionais que estão disponíveis à distância de uma pesquisa no Youtube.

Nas configurações vídeo a GoPro leva uma clara vantagem, ao permitir o utilizador selecionar mais modos de gravação com diferentes resoluções e taxas de frames por segundo (fps). Nos dois modelos existem modos de 1080p a 30fps e 720p a 60fps - e estas são as configurações ditas "obrigatórias". Mas como a Hero 3 permite mais escolha, também vence neste duelo.

A Ego recupera vantagem num outro ponto: na usabilidade. Com menos botões e com um menu do mais simples que pode haver, não há como o utilizador não saber dominar a câmara ao fim de cinco minutos. Em caso de emergência pode consultar o LED frontal que muda de cor tendo em conta o modo de gravação no qual está a operar.

Já a GoPro tem um menu mais vasto, mas mais difícil de explorar - sobretudo se estiver dentro da proteção, onde devido à rigidez dos botões, é um desafio navegar pelas configurações. Dominar a câmara vai requerer mais algum tempo, e em situações de instantaneidade como são as de desporto, quanto mais simples melhor. Liquid Image Ego FTW.

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Na gravação áudio a GoPro Hero3 capta melhor os sons, transmitindo uma maior sensação de realidade, enquanto a Ego da Liquid Image parece disfarçar e tornar "cinematograficamente" aceitáveis todos os barulhos de fundo.

Sobre o espaço que as gravações ocupam em cartão de memória não há muito a dizer. Um cartão mínimo de 4GB consegue suportar várias centenas de fotografias e até 15 minutos de vídeo em Full HD. Se está preocupado com unidades de armazenamento menores, então o melhor será pensar se precisa mesmo de uma câmara destas. Todas os cartões microSD com capacidades superiores são bem vindas, sendo que os 16GB ou 32GB serão a escolha mais acertada para uma utilização regular.

A Hero3 tem um sensor de cinco megapíxeis e capta imagens com esta definição. Os mesmos cinco megapíxeis da Ego produzem imagens de 12MP e a qualidade é notória, sobretudo em ambientes com boa luminosidade. As imagens da Ego ficam com mais definição e as cores são mais vivas.

Há um ponto negativo a apontar às duas câmaras: a falta de acessórios que vêm na caixa. Nos modelos a que o TeK teve acesso - a GoPro foi cedida pela Orange e a Ego pela Hama - dentro das caixas só vinham suportes de fixação. Nem uma banda elástica para usar na cabeça ou num pulso. A GoPro aliás, nem cartão de memória trazia.

Mesmo percebendo que a venda de extras para as câmaras deve ser um negócio quase tão rentável como vender os dispositivos em si, os pacotes out of the box deviam estar mais completos.

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Em jeito de apontamento final resta dizer que a nível de bateria o desempenho situa-se entre as duas e as cinco horas de gravação, nos dois modelos, mas a Hero3 leva uma clara vantagem sobre a Ego. A câmara da GoPro também tem vantagem na bateria removível, o que é sempre conveniente, enquanto se a câmara da Liquid Image "morrer" não tem como voltar "à vida".

Por fim, o preço. A GoPro custa 249 euros na loja online da Orange e a Ego tem um preço de 179 euros. Agora resta ao utilizador reunir todos os pros e contras de cada equipamento e pesar esses elementos em conjunto com o valor do investimento - calcule sempre também com o valor dos acessórios que pode vir a adquirir.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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