Hoje toda a gente tem um. Por norma as pessoas nem estão dispostas a investir muito dinheiro nele. Com algum jeito até o tratam mal, não lhe dando toda a atenção que merece. Está lá pousado em cima mesa, pronto a ser clicado centenas de vezes por dia. Quando as coisas não correm bem, até é o primeiro a pagar com umas pancadas na mesa.

Já olhou bem para o seu rato? Então olhe outra vez. Agora olhe para os dois modelos desta galeria. Apresentando: Razer Mamba e Razer Diamondback.

Alguma vez teve a sensação que um rato podia tornar um computador mais rápido? Pois, nem eu, até ter colocado as mãos nestes Razer.

Mas há uma explicação para a diferença abismal que existe entre estes ratos e os típicos ratos de secretária - estes foram desenhados e pensados para gamers de classe profissional. Mas isso não significa que os utilizadores mais extravagantes não possam ter um, pois também foram desenhados nessa medida.

A questão que se coloca é: justifica comprar ratos que custam dezenas de euros para não tirar partido de todas as suas capacidades? Essa é uma resposta que cada um terá de saber dar a si próprio. Do nosso lado fazemos os apontamentos possíveis para que possa tomar essa decisão.

Razer Diamondback

É o mais pequeno dos dois ratos que testamos no TeK, mas é a prova viva que o tamanho não é tudo.

O design do rato está bem conseguido, suportado numa estrutura que vai alargando à medida que se distancia da base, pelo que tem uma boa área para pousar a mão, conseguindo manter uma base mais reduzida para não prejudicar a precisão.

Os dois botões primários são bastante amplos e têm uma distância de ativação - aquele espaço que existe debaixo dos botões - que não é muito folgado, o que dá ao utilizador a sensação correta dos cliques que está a dar. Os botões são ligeiramente curvados para que os dedos assentem da melhor forma, sendo ‘rasgados’ a meio pela roda de scroll.

Este é possivelmente o elemento que mais gostei neste rato de 99,99 euros. Além de a roda ter uma textura própria que não deixa fugir os dedos durante scrolls mais rápidos, o próprio feedback físico é muito bom, deixando perceber cada movimento que é feito.

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Um dos aspetos que a Razer teve em conta foi o desenho ambidextro do Diamondback - use com a mão direita ou com a esquerda, tudo está desenhado de forma simétrica. É aqui que se destacam as texturas que foram colocadas nas laterais. O utilizador só sente a aderência com o polegar, ajudando a definir melhor o posicionamento da mão.

Nas laterais do rato é possível encontrar dois botões do lado direito e outros dois do lado esquerdo que têm como objetivo facilitar algumas tarefas - usando um programa próprio é possível definir ações para cada botão, mas sobre isso falarei um pouco mais à frente.

O rato é bastante leve, é construído em plástico preto mate, mas mostra qualidade de construção - se o apertar, não houve aqueles estalidos típicos do plástico barato.

O Diamondback vem adornado com três faixas LED: uma na curvatura externa do chassis, uma na roda e outra no símbolo da Razer colocado na parte superior, mas mais recuada do rato. E é algo que chama a atenção de qualquer pessoa. Como toda esta estrutura luminosa pode ser personalizada, é impossível o utilizador não encontrar um esquema que lhe agrade.


Mas o Mamba faz-se mais dos pormenores do que propriamente do caleidoscópio de cores. Enquanto no Diamondback os botões primários estão ‘recortados’ no corpo do periférico, no Mamba os botões estão integrados, o que transmite uma sensação de continuidade. É uma diferença pequena, mas ajuda a criar uma maior harmonia no aspeto do periférico.

Os botões são generosos e também têm uma curvatura acentuada para que a colocação do indicador e do dedo médio seja sempre ideal.

O rato em si apresenta uma área mais ampla relativamente ao Diamondback e isso também é positivo pois permite descansar melhor a mão, que encaixa com um grande à vontade na estrutura. E isto é importante pois tem impacto na forma como mexe o rato e nos resultados que pode tirar do mesmo.

Curiosamente e apesar de ser um periférico de um segmento mais elevado o Mamba não é ambidextro, razão pela qual só existem dois botões laterais personalizáveis em termos de funções. É de destacar que na parte superior do dispositivo existem dois pequenos botões localizados no centro, que servem para controlar de forma rápida o nível da sensibilidade.

Quanto à roda de scroll, esta apresenta uma textura semelhante à do primeiro modelo analisado, mas o feedback não é tão vincado - no meu caso, prefiro o do Diamondback, onde sinto mais cada movimento feito. Neste o deslizar da roda é mais suave, mas deixa perceber na mesma quantos scrolls para cima e para baixo são feitos.

A roda do Mamba tem ainda a particularidade de poder ser movida para a esquerda e para a direita, funcionando como botões de ação rápida.

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Tem a mesma construção em plástico preto mate que o seu irmão mais pequeno, mas nota-se que a textura é diferente, sendo a do Mamba um pouco mais suave. O plástico rugoso usado na parte lateral para que o polegar não fuja também é diferente, tendo uma aderência muito superior.

O que me agradou mais neste rato é a inclusão na caixa de uma pequena chave de ajuste que permite trabalhar a distância de ativação dos dois botões primários. Assim os utilizadores podem ter um feedback maior ou menor, ajustando também os tempos de resposta, querendo isto dizer que o mesmo rato pode ser ajustado ao milímetro - literalmente - para cada jogo que o utilizador vai enfrentar.

Todos estes pequenos pormenores de luxo fazem a diferença, mas também se pagam: o Razer Mamba tem uma etiqueta de 179,99 euros.

Synapse: os ratos também vivem na nuvem

Claro que ratos deste calibre precisam de ferramentas a condizer e para isso a Razer tem um software, o Synapse, onde os utilizadores podem configurar os periféricos a seu bel prazer, podendo gozar de uma sincronização na nuvem para que não seja necessário repetir o processo uma e outra vez caso troque muitas vezes de PC.

Dentro desta ferramenta é possível reprogramar todo o rato e respetivos botões. Como o rato tem até nove comandos possíveis, pode definir várias tarefas rápidas a partir do controlador. E as opções são variadas.

Pode definir atalhos de teclado, pode usar os botões para controlar a sensibilidade, pode trocar rapidamente de perfis de jogo - imaginando que numa partida precisa de ser rápido e na outra precisa de ser mais tático -, pode iniciar programas ou páginas Web específicas, pode optar por controlos multimédia ou até por atalhos Windows como os tradicionais comandos ‘copiar e colar’.

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É possível ainda definir o nível de aceleração - a taxa de aumento de velocidade que está relacionada com o movimento que o utilizador aplica ao rato - e a frequência de polígonos, que está mais relacionado com a taxa de comunicação entre o rato e computador. A título de referência, nos dois ratos testados a taxa de aceleração pode ir até aos 50G, de acordo com informação oficial da tecnológica.

No Razer Synapse é onde também é possível configurar a iluminação dos periféricos. Existem perfis pré-definidos, mas existe a possibilidade de aceder a um ‘configurador Chroma’ que permite criar efeitos personalizados ao pormenor. Chroma é toda a tecnologia de iluminação LED que a Razer aplica aos seus periféricos e acessórios.

Há por fim uma opção de calibração caso o utilizador não esteja satisfeito com os resultados do tracking - e isto não está só diretamente relacionado com o rato, basta trocar de tapete ou até não usar um para que a resposta dos dispositivos seja completamente diferente.

Considerações finais

Com os Razer Diamondback e Mamba não é você quem mexe os ratos, são eles que mexem a sua mão. E isso é ainda mais notório quando volta a usar um rato ‘normal’ - o esforço de movimento é muito maior, nota-se que a precisão não é a mesma e rapidamente ficará com o pulso tenso se tiver um trabalho que exija muitas deslocações de pulso.

Sim, estes ratos são desenhados para gamers, mas as características técnicas e o desenho que apresentam farão a diferença para todos aqueles que passam o dia com o rato na mão.

Durante um mês de testes usei um modelo no trabalho e outro em casa para jogar o ‘velhinho’, mas sempre exigente CS: GO. Fui-me apercebendo das vantagens de cada um e das diferenças que os separam.

Dos dois, o Razer Mamba é sem dúvida a solução mais completa. Tem melhor ergonomia, tem melhores materiais de construção, tem mais versatilidade nos botões e tem a vantagem de poder ou não ser um rato wireless/com fio.

Os jogadores mais dedicados certamente desconfiarão dos ratos wireless já que a qualidade de resposta e a precisão não costumam ser as mesmas. Pois com o Mamba a Razer quer mudar essas opiniões, desde que o dispositivo esteja próximo da base - se se afastar muito, então os mais profissionais vão notar uma quebra no desempenho.

Mas para quem não pode comprar o modelo mais caro, o DiamondBack é uma solução muito bem conseguida. Tem o mesmo look and feel, está bem apetrechado e partilha da mesma precisão. Não é tão ergonómico como o Mamba, mas servirá perfeitamente para uma grande parte dos utilizadores.

É difícil apontar defeitos a estes equipamentos pois a verdade é que as empresas esforçam-se muito para que não existam falhas - latência a mais ou ratos poucos precisos em ambientes competitivos como o do gaming não são bem vindos. Portanto é normal que o mercado só receba o que é de excelência.

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Para quem não costuma gastar mais de dez euros num rato será difícil perceber um investimento superior a cem euros nestes modelos. Mas para quem trabalha todos os dias com estas ferramentas e precisa de conforto, precisão e até algum show off, então rapidamente o dinheiro investido é ‘recuperado’.

É o mesmo que usar um monitor CRT ou um monitor LED - não são sequer comparáveis. Depois de usar o melhor, não há como voltar novamente ao pior.

Os Razer Mamba e DiamondBack destinam-se para uma pequena franja de utilizadores, mas parece-me que os valores pedidos por cada um acabam por ser ajustados. São ferramentas profissionais para profissionais e isso implica sempre um maior investimento.

Resta o leitor perceber se as vantagens referidas lhe fariam alguma diferença e se acha que o seu trabalho e o seu lazer teriam melhorias suficientes que justificassem um investimento de dezenas de euros num rato. Se a resposta for sim, invista com segurança pois são dois periféricos de qualidade.

Rui da Rocha Ferreira

Nota de redação: Corrigida uma gralha por indicação de um leitor

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