O Netflix tem muitas forças. Tem 68 milhões de utilizadores, está disponível em 24 mercados, faz lançamentos em simultâneo para todo o mundo, tem conteúdos em Ultra HD, está disponível em vários dispositivos, tem produções próprias com sucesso de escala global e é uma proposta moderna - do ponto de vista do design, da experiência de utilização e também a nível tecnológico.

Não é por isso de estranhar que muitos portugueses queiram já iniciar o seu mês gratuito do Netflix.

Mas independentemente de tudo o que foi referido, uma das maiores forças do Netflix tem sido o seu catálogo de conteúdos. Filmes, séries, documentários e desenhos animados fazem parte do ‘cardápio’, mas em Portugal coloca-se uma questão interessante: num país onde a TV por cabo tem tanta força e onde muitos direitos de filmes e séries já estão adquiridos, o que consegue o Netflix disponibilizar?

Em primeiro lugar consegue disponibilizar algumas das séries mais badaladas do momento. Porquê? Porque são feitas dentro de casa. Narcos, Sense8, Marco Polo e Orange is the New Black são apenas quatro exemplos.

Então e a nível de séries produzidas por outras entidades? Tem bastantes e de peso. Prison Break, Suits, Homeland, Top Gear, Californication são alguns exemplos. Nos filmes acontece o mesmo: Kung Fu Panda, Charlie e a Fábrica de Chocolate, O Ditador, Nunca é Tarde Demais, Shrek e The Anchorman parecem ser bons exemplos de um catálogo que está longe de ser fraco.

Mas a grande questão é: será que é bom? Será que é muito bom? Será que é excelente? Para saber isto neste momento só recorrendo aos conteúdos que mais gostamos. Pois só tendo o que as pessoas gostam de ver é que o Netflix conseguirá conquistar utilizadores e desviar subscritores de canais premium por exemplo.

Decidimos então que uma boa maneira de testar o catálogo de filmes e séries do Netflix num primeiro momento era saber até que ponto disponibilizava os filmes e séries preferidos de cada um. As opiniões foram dadas pelos elementos do TeK e por alguns jornalistas do SAPO Desporto, num total de oito pessoas. Aqui não importa tanto a profissão, importa sim o facto de todos terem um filme e uma série marcante, uma produção da qual gostam bastante.

No total pesquisámos 8 filmes e 8 séries. E a conclusão não é positiva para o Netflix, nem para nós: a esmagadora maioria dos nossos conteúdos preferidos não estão na plataforma.

Filmes que pesquisámos:

Os Condenados de Shawshank - não disponível
Apocalypse Now - não disponível
Papillon - não disponível
Silêncio dos Inocentes - não disponível
Lista de Schindler - não disponível
Big Fish - não disponível
Blade Runer - não disponível
Pulp Fiction - não disponível

Séries que pesquisámos:

Ficheiros Secretos - não disponível
Breaking Bad - não disponível
Seinfeld - não disponível
Modern Family - não disponível
Sherlock - Disponíveis todas as temporadas
Big Bang theory - não disponível
Game of Thrones - não disponível
Dexter - Disponíveis todas as temporadas

Estes são nomes conhecidos, populares e que facilmente também estarão entre as preferências de muitos portugueses.

Claro que avaliar o Netflix apenas por estas pesquisas pode não parecer justo, mas não deixa de ser factual. São conteúdos que interessam às pessoas e não estão lá - e isso é um grande balde de água fria.

Mas o mundo dos conteúdos não começa nem acaba nos filmes e séries referidos. Certamente que a esta hora muitos utilizadores já estão satisfeitos com o serviço do Netflix e outros nem tanto.

Por exemplo, um dos aspetos positivos que o TeK pode desde já destacar é o facto de o Netflix ter um poderoso sistema de recomendações. Ou seja, pode não ter o filme ou a série que deseja, mas provavelmente tem algo muito semelhante que lhe vai interessar.

De nossa parte fica a certeza de que durante a próxima semana o Netflix será testado e explorado para perceber afinal o que tem de tão bom - revolucionário? - este serviço de distribuição de conteúdos pela Internet e que adaptações terá de fazer num mercado tão específico como Portugal para poder vingar.

A questão da concorrência
O mesmo critério não devia ser aplicado à concorrência direta do Netflix? Certíssimo. A questão é que o Netflix em Portugal não tem concorrência neste momento, tem alternativas. O N Play da NOS é exclusivo para clientes NOS, o que segmenta desde logo de forma significativa o 'mercado'. E o Fox Play e o TVI Player só disponibilizam conteúdos dos seus canais, portanto concorrência direta também não são.

O que faz sentido num momento posterior é perceber como está o mercado português de conteúdos a moldar-se, isto no sentido de tentarmos perceber se Portugal é um mercado global onde serviços como o Netflix fazem sentido ou se somos assim tão especiais que o que vai vingar são serviços segmentados e orientados para determinados perfis de utilizadores.

Há uma outra razão para o Netflix ir 'à chapa' de forma mais mediática que todos os outros: é um dos maiores serviços de streaming do mundo e é neste momento aquele que tem mais a provar aos portugueses.

Rui da Rocha Ferreira

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