É tempo de prendas e na lista de pedidos ao Pai Natal de muitos miúdos e graúdos está certamente uma consola de jogos, fixa ou móvel, os novos comandos de movimento ou – pelo menos – alguns jogos. As consolas fazem cada vez mais parte do entretenimento familiar e começa a ser difícil não ter de participar num desses momentos de diversão partilhada em visitas familiares ou a casa de amigos, onde é posta à prova a nossa perícia em técnicas desportivas, na utilização de movimento mais ou menos avançado para conduzir carros ou (ainda pior) para executar passos de dança e “abrilhantar” festas com as capacidades de vocalização em karaoke.

As novas consolas trouxeram novos hábitos de jogos para o palco da sala de estar, mas muitos recordarão com saudade os tempos do Commodore 64 ou do ZX Spectrum, onde as aventuras e os grafismos eram mais básicos mas tinham outro sabor de descoberta, muito provavelmente ligado à idade dos jogadores, até porque os mais velhos “não entravam”.

Por isso, hoje recuperamos algumas das máquinas que foram relegadas para os armários, sótãos e arrecadações, ou ficaram esquecidos em casa dos pais. Vale a pena tirar as teias de aranha e o pó da memória, e – quem sabe – mesmo das consolas, porque algumas ainda podem funcionar, recuperando alguns bons momentos de diversão.

A era das consolas de jogos foi inaugurada pela Magnavox, inventada por Ralph Baer, reconhecida como o primeiro equipamento comercial a ser ligado a um televisor para jogar. O ping pong era um dos jogos oficiais, a preto e branco, mas os jogadores podiam escolher outras opções, como o voleibol e futebol.

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É mais do que provável que a Magnavox Odyssey, lançada em 1972, nunca tenha chegado a Portugal, embora tenha sido feita uma versão especialmente para a Europa e vários clones tenham sido criados.

A história completa da consola pode ser consultada no site Pong Story, com as naturais evoluções e guerra de patentes que depois envolveu a empresa com a Atari e o jogo Pong, que acabou por ditar o fim da primeira geração desta consola de vídeo, ofuscada pela proposta mais popular.

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Foi a consola da Atari que mais rapidamente conquistou o Mercado de consumo norte-americano, com a Atari Home Pong, que trazia para dentro de casa a proposta de jogo de Arcada que já se tinha popularizado em espaços públicos.

Já em 1977 a Atari lançou uma nova era das consolas com a VCS - Video Computer System baseada em cartuchos, que foi depois rebaptizada de Atari 2600, tornando-se uma das mais populares das primeiras gerações de consolas de jogos com uma série de propostas para animar os fãs.

É por esta altura que a Mattel entra no jogo, com a Intellivision, que oferece capacidade de processamento mais avançada e gráficos superiores, garantindo maior popularidade na era dos jogos de 8 bits.

Para além das consolas, os títulos jogáveis diversificavam-se, ganham cor e movimento, embora ainda muito ligados aos sons básicos facilmente identificáveis por quem passou horas agarrado às consolas. E, se for esse caso, basta fechar os olhos para recordar os sons mecânicos do Space Invaders e lembrar as “perseguições” às naves espaciais.

A evolução acontece depois de forma bastante rápida, com a massificação da tecnologia e da electrónica, a redução de custos dos circuitos impressos e o crescimento da apetência por estas aparelhos, a par dos computadores pessoais que começam a aparecer no mercado.

Na década de 80 foi dominada pelo aparecimento de diversas propostas de consolas mais baratas, como a Commodore 64, os vários Sinclair – do ZX80 e ZX81 ao ZX Spectrum, a família de 8 bits da Atari, e os Amstrad CPC e série MSX.

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É dentro desta gama vasta de consolas que se encontram certamente as “máquinas” usadas por muitos dos leitores para jogar e para experimentarem as primeiras linhas de programação.

A NES da Nintendo - Nintendo Entertainment System inaugura uma nova era dominada pelo Super Mário e as Lendas de Zelda, que “assumiram” muitas horas de diversão, mas a dinâmica ditava a guerra de lançamento de mais e melhores máquinas que não parou até aos dias de hoje.

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Outros nomes viriam a conquistar espaço no mercado das consolas fixas e móveis e hoje, dos players iniciais, mantém-se a Nintendo, com a Sony e a Microsoft a conquistarem espaço nas novas gerações de máquinas dedicadas aos jogos que não tinham na época de 80.

Actualmente estamos na que se considera a 6ª geração de consolas de videojogos e o cenário é bastante diferente das “caixas mágicas” iniciais. Os comandos desligam-se dos fios e ganham autonomia e sensores de movimento, os grafismos atingem a alta definição e os jogos especializam-se em diferentes vertentes, tornando-se mais interactivos e podendo ser jogados em colaboração (ou oposição) com jogadores do outro lado do mundo.

Mas mesmo assim, para quem começou com as velhas máquinas, há um saudosismo que não pode ser esquecido.

No SAPO há também muitos fãs destas consolas que acederam a tirar do armário as suas preciosidades e a mostrarem os equipamentos e jogos durante o Codebits, ao lado de PCs e Macs antigos, alguns ainda a funcionar.

Veja o segmento de reportagem onde Pedro Moura Pinheiro explica a iniciativa e dá uma visão geral sobre as máquinas que integraram este canto de retrocomputing.

Se ainda tem um destes artefactos históricos guardados, não hesite em partilhar algumas das suas experiências na caixa de comentários sobre as “peculiaridades” da consola ou os seus jogos preferidos.

E se ainda não tem um projecto definido para o feriado, propomos-lhe que vá buscar a consola ao sótão ou ao armário e veja se ainda funciona. Pode ser que tenha uma boa surpresa!

Fátima Caçador

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