A maioria dos leitores que participou na última votação do TeK afirma não saber o que é o IPv6. Seja verdade ou ironia, o certo é que o número dos que garantem estar preparados é pequeno, o que não é de estranhar.

Por tudo isto decidimos fazer hoje a Montra à volta do tema da mudança para o novo sistema de endereçamento IP, mostrando a evolução e desmistificando algumas das dúvidas que ainda pairam no ar. Até porque os especialistas garantem que os endereços disponíveis em IPv4 estão a acabar - pelo menos para os registrys.

Ontem a APNIC - responsável pela atribuição de endereços IP na região da Ásia - Pacífico - fez mais um pedido, o que deixou livres apenas 5 blocos, que devem ser distribuídos de forma "democrática" entre as cinco regiões do mundo pela IANA.

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[caption]potaroo[/caption]O site Potaroo.net, que tem vindo a "calcular" a exaustão dos endereços IPv4, marca o dia de hoje - 1 de Fevereiro - como o fim oficial dos blocos de endereços não atribuídos e calcula que até 24 de Setembro também as entidades regionais gastem todos os números IPv4 que ainda têm.

Curiosamente as previsões académicas do site têm-se mostrado pouco precisas, mas não por excesso de optimismo. Há pouco mais de duas semanas o Potaroo apontava para 19 de Fevereiro como a data de exaustão, o que acabou por acontecer mais cedo do que estava previsto.

Depois de vários anos em que os técnicos foram avisando de que isto iria acontecer rapidamente, mesmo a comunidade interessada - leia-se pessoas ligadas às telecomunicações e engenharia informática - acabou por mostrar maior cepticismo perante os sucessivos anúncios, como acontece geralmente com as previsões apocalípticas do fim do mundo.

Mas agora parece haver muito pouco a duvidar: se os endereços a distribuir acabam, à medida que forem sendo requisitados terminam as possibilidades de continuar a usar o protocolo antigo, obrigando à migração para o IPv6, para a qual poucas entidades se mostram preparadas.

A situação não é semelhante ao famoso bug do ano 2000, mas há alguns traços comuns. A falta de endereços IPv4 vai obrigar à criação de uma rede paralela, não compatível, suportada em IPv6. E quem não tiver os equipamentos de rede preparados - e a garantia do suporte pelo fornecedor de Internet - não vai poder ver os novos sites.

O IPv4 é usado desde 1981 e a Web actual está construída sobre esta base. A antecipação da necessidade de alargar o número de endereços - a somar a algumas vantagens técnicas - levou à definição do IPv6, que foi apresentado em 1998, mas a sua adopção revelou-se mais demorada do que era esperado.

Este é um problema que vai afectar os utilizadores? Sim, a prazo, à medida que o número de sites IPv6 for aumentando, se não assegurarem a compatibilidade não vão poder aceder a uma parte da Web, que ficará fora dos seus limites. Mesmo que numa primeira fase muitos optem por manter os sites em modo dual-stack – suportando IPv4 e IPv6 em paralelo, esta é uma situação que não se manterá eternamente.

O site da FCCN sobre IPv6 tem um pequeno utilitário onde pode ver se está a usar IPv4 ou IPv6. E se tentar aceder ao site da Google http://ipv6.google.com/ poderá deparar-se com uma página em branco, caso ainda use o IPv4.

Em Portugal várias entidades estão a trabalhar já com suporte ao IPv6, nomeadamente a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), que suporta a RCTS (Rede Ciência Tecnologia e Sociedade), que já garantiu o suporte de todos os serviços em ambas as tecnologias.

Em entrevista ao TeK, João Nuno Ferreira, Director Técnico da FCCN, fez em Maio do ano passado um balanço da situação em Portugal, onde afirmava que a adopção comparava positivamente com a Europa e que em alguna parâmetros estava até acima do que se faz noutros países.

A Taskforce portuguesa para o IPv6 tem vindo a fazer uma série de acções de divulgação junto de entidades nacionais, trabalhando de perto com ISPs e empresas de maior dimensão que queiram adoptar o IPv6 e disponibilizando até uma área de testes.

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A Portugal Telecom comunicou também no ano passado que vai estender o IPv6 a toda a sua rede até final de 2011, tendo arrancado com um piloto dirigido às empresas.

Em termos globais várias grandes empresas, como a Google e o Yahoo, têm vindo a desenvolver iniciativas relacionadas com o IPv6 e têm até agendado o World IPv6 Day, em que vão testar, durante 24 horas, a substituição do IPv4.

Mas os dados que têm sido recolhidos não são animadores, mostrando um nível de adopção baixo, como revela um gráfico que a Google actualiza com frequência.

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A principal barreira à adopção do IPv6 é provavelmente os custos. As redes dos ISP e das empresas são bastante complexas, baseando-se em tecnologias e equipamentos diferentes, e a compatibilização acaba por ter um esforço de planeamento e teste bastante intenso.

Mas muitos dos equipamentos que são instalados em "casa" dos clientes, e nas empresas, continuam a não ser compatíveis com a nova versão do protocolo IP, como é o caso dos routers e até das placas de acesso a banda larga móvel. E é aqui que estará outro "estrangulamento", até porque a nível de software e aplicações a situação está muito mais avançada.

A informação sobre a compatibilidade dos equipamentos deve ser confirmada junto dos fabricantes e dos fornecedores que os instalaram. No caso dos clientes finais o melhor é perguntar aos ISPs...

Para se abtecipar, o melhor é começar já a exigir uma actualização, ou brevemente poderá confrontar-se com mais sites "em branco".

Fátima Caçador

Nota de Redacção: Foi retirada a referência aos switch que não têm de ser compativeis com IPv6.

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