Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. O verso que abre o famoso soneto de Luís de Camões (e que lhe dá nome) aplica-se cada vez mais em tudo o que fazemos nos dias que correm. A culpa, já todos sabemos, é da crise.

O processo de troca de computador é disso um exemplo paradigmático. Até há pouco tempo havia normalmente a tendência para se esticar sempre um pouco mais o orçamento. Mesmo que não se precisasse de uma máquina para tanto, comprava-se, até porque o que havia para pagar a mais não era afinal assim tão disparatado e justificava perfeitamente a diferença. E quem nunca se escudou neste argumento, que atire a primeira pedra.

Mas agora, cada cêntimo que nos sai da carteira tem de ser muito bem equacionado e justificado. Esta máxima ganha ainda maior relevo na informática, em que a escolha de um determinado componente pode provocar um aumento em carrossel do preço final. Por exemplo, a opção por uma arquitectura de processamento envolve desde logo a compra de três elementos vitais, que terão de ser necessariamente compatíveis: a placa mãe (motherboard), o processador e a memória RAM.

De resto, tudo o que gira em torno do coração do computador - placa gráfica, fonte de alimentação, disco rígido, placa de som, drive óptica, entre outros elementos - pode ser pensado com maior grau de liberdade, claro está, tendo sempre um propósito em mente: comprar apenas o que melhor lhe servir e ao melhor preço possível. Afinal de contas, se um processador de classe média encaixa perfeitamente nas suas necessidades, por que razão há-de ter que gastar quase o dobro num CPU de desempenho superior?

É claro que o facto de estar a poupar na configuração da sua próxima máquina tem o seu lado negativo. Um computador mais capaz terá, à partida, melhores possibilidades de o servir durante mais tempo. Por outro lado, se optar por tecnologias firmes mas que começam a cair em desuso, dificilmente conseguirá fazer uma actualização mais tarde, caso prefira o upgrade à compra de um novo computador.

A evolução tecnológica conhece hoje um ritmo menos célere face ao passado. Ainda há poucos anos havia quem gastasse rios de dinheiro numa placa gráfica ou num portátil que, passados seis meses, estava já ultrapassado. Um investimento menor implica um risco menor, mas deverá ainda assim ser muito bem ponderado.

Argumentos apresentados, é melhor ter consciência de que para poupar alguns euros terá de fazer opções mais técnicas, que envolvem componentes que provavelmente está habituado a espreitar apenas dentro da caixa do computador e acrónimos difíceis. Mas não há que temer. O TeK dá-lhe uma ajuda nesta “viagem exploratória”, explicando as vantagens de cada uma das opções.

Comecemos a busca pelo hardware mais justo para a sua bolsa pela parte mais importante: O processador. Aqui, a opção é aparentemente simples: AMD ou Intel? Para necessidades básicas - como ver o e-mail, navegar na Internet, utilizar o processador de texto ou a folha de cálculo (seja no PC ou na nuvem), ou até ver filmes -, serve perfeitamente um computador com um processador Intel Core i3 ou AMD Phenom II X2.

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Para fazer tudo isto de uma forma mais célere no dia-a-dia e ainda jogar sem grandes necessidades recomenda-se um modelo das gamas Core i5 (na imagem) ou Phenom II X4 .

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Quem quiser um computador destinado a tarefas como multimédia e edição de vídeo e para jogar sem grandes limitações, terá necessariamente de optar entre as Core i7 e Phenom II X6 . No topo da pirâmide, existe ainda uma opção inserida na gama Core i7 Extreme , que não tem concorrência por parte da AMD, mas que também não terá grande clientela nesta altura, devido aos mais de 900 euros pedidos pela Intel por cada chip.

Para tentar responder à questão que começámos por colocar, entre os dois fabricantes a AMD prima por ter famílias de produto mais acessíveis em termos de preço mas que, quando comparadas directamente com a Intel, perdem em matéria de desempenho. No entanto, alguns modelos da AMD - nomeadamente os de designação Black - são excelentes overclockers, ou seja, permitem dar ao utilizador muitos gigahertz acima do que é inicialmente permitido.

A operação é feita por software e deverá ser administrada por conta e risco do utilizador, claro está. Neste campo, as gamas Intel Core estão mais limitadas, excepção feita aos modelos com denominação K, que apresentam o multiplicador desbloqueado de série.

Outro aspecto a ter em conta entre um ou outro fabricante tem a ver com o socket da motherboard. No caso da AMD, todos os processadores - salvo uma ou duas excepções - são compatíveis com o socket AM3 (na imagem abaixo). Quer isto dizer que, mais tarde, poderá colocar outro processador mais recente sem ter que trocar a placa mãe - e, muito provavelmente, a memória RAM.

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No campo da Intel, existem hoje três grandes tipos: 1155 , 1156 e 1366 . Por ordem, destinam-se a CPUs de gama de entrada, de gama média e de gama alta. Os dois primeiros aceitam processadores das três famílias Core iX, ao passo que a última apenas aceita CPUs Core i7 e memória RAM DDR3 de triplo canal. Ou seja, em termos de orçamento as duas primeiras soluções são claramente mais comedidas.

Ainda na gama Intel, existe o socket LGA 775, que, apesar de estar a cair em desuso, dispõe de vários modelos compatíveis à venda. Poderá ser uma opção para quem procura um computador baseado em tecnologia Intel sem gastar muito dinheiro, mas sem dúvida que, a curto/médio prazo, deixará de haver viabilidade no que toca à actualização dos componentes principais. Por outro lado, com esta opção não terá acesso a tecnologias tão úteis como USB 3.0 e eSATA.

Independentemente da arquitectura de processamento, existem várias soluções para todos os bolsos. Se puder prescindir de funcionalidades, quanto mais básica for a motherboard, mais barata será.

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Em matéria de memória RAM, e excluindo à partida o já arcaico formato DDR, poderá optar entre o menos usado formato DDR2 e o bastante actual DDR3, que varia consoante o tipo de processador e o controlador de memória incluído. Por conseguinte, a motherboard também terá de suportar a norma da memória.

A segunda opção é claramente mais dispendiosa, já que se destina a um tipo de utilização mais exigente. Poderá ser de duplo ou de triplo canal. O primeiro tipo aceita dois módulos por bloco; o segundo aceita três e é exclusivo das motherboards com socket 1366. Se procura a memória mais barata, então a resposta é simples: OEM.

Uma vez que existem vários tipos de memória, qual o tipo mais indicado para o seu caso? Por princípio, quanto mais rápida for em termos de MHz, mais cara será. Tomando mais uma vez a RAM DDR3 como exemplo, uma memória a 1066 MHz será adequada para um computador direccionado para necessidades básicas, as opções de 1333 MHz e de 1600 MHz serão mais adequadas para um tipo de utilização mais avançada e tudo o que vá acima dos 1800 MHz será recomendado para um computador de jogos ou outro tipo de tarefas intensivas, como edição de vídeo. Aliás, este tipo de kits poderá até vir acompanhado de um cooler específico para overclocking (na imagem).

Finalmente, a quantidade: não vale a pena ultrapassar os 4 GB (6 GB no que diz respeito à RAM DDR3 de canal triplo), sobretudo se a instalação do sistema operativo Windows for de 32 bits, por ser incapaz de aproveitar a totalidade da memória disponível.

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Ainda dentro da caixa - outro elemento no qual poderá poupar (por norma, há três elementos que podem encarecer este componente: A qualidade de construção, a capacidade de arrumação/funcionalidades e a eficácia da dissipação térmica) - existe um quatro elemento que poderá fazer variar bastante o preço final do computador: a placa gráfica.

Retomando as várias tipologias de utilização, se as necessidades forem básicas os processadores de nova geração Intel incluem um processador gráfico embutido que será capaz de lidar com as habituais tarefas do dia-a-dia. Esta possibilidade é igualmente permitida pela AMD na sua oferta Vision, destinada a todos os tipo de computação - desktop ou laptop.

Para quem gosta de jogar, por muito pontualmente que seja, a solução passa necessariamente por uma placa gráfica. Neste campo, existem dois fabricantes - AMD (ex-ATI) e Nvidia - e várias soluções à escolha. Em relação aos processadores que acabamos de descrever, não vale a pena comprar uma gráfica de gama baixa, pois ambos fazem praticamente o mesmo. Já uma placa de gama média , que custe entre os 100 e os 250 euros, poderá satisfazer grande parte das necessidades. Quanto maior for o leque de funcionalidades e características oferecido, maior será o desempenho e o preço.

Já terá certamente ouvido falar de configuração SLI e CrossFire. Estes termos referem-se à utilização de duas, três ou até quatro placas gráficas combinadas. O objectivo é claro: Jogar sem limitações e sem gastar (assim tanto) dinheiro. No entanto, nem sempre a soma das partes compensa, visto que as slots PCI-Express da motherboard não funcionam todas na velocidade máxima (x16). Por isso, equacionar a compra de duas ou três placas de gama média (na imagem) para evitar gastar uma fortuna numa gráfica topo de gama pode, afinal, ser uma má opção, até porque a soma acaba por vezes por dar o mesmo valor.

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Quanto a tudo o resto, os critérios de escolha podem ser menos rigorosos mas, ainda assim, é possível dar algumas dicas para poupar nos componentes. O mais evidente será no que concerne ao conjunto teclado/rato e ao monitor - se já os tiver, não vale a pena estar a comprar novos.

Caso opte por assemblar o seu computador à sua medida, o mesmo acontece com a drive óptica: se já tiver um PC e a puder aproveitar, tanto melhor.

E já que falamos em armazenamento, escolha um disco rígido com a capacidade necessária para instalar o sistema operativo e outras aplicações directamente relacionadas (recomenda-se uma partição dedicada de 80 GB), jogos, documentos pessoais (fotos e vídeos, que podem até ser armazenados opcionalmente num dos vários serviços hoje disponíveis na nuvem) e pouco mais.

A não ser que queira fazer arquivos ou cópias de segurança, dificilmente se justificará um disco com 1 TB ou 2 TB de capacidade, por muito que o custo por gigabyte pareça compensar. Aliás, nesse caso será melhor apostar numa unidade externa. Se é capacidade que não vai usar, então não a compre.

Existe ainda a questão da placa de som. As motherboards modernas têm um chipset dedicado para este efeito, capaz de reproduzir som surround até 7.1 canais. Não é a mesma coisa que uma placa avançada, mas sempre é mais um gasto que se pode evitar.

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Tenha igualmente muita atenção à fonte de alimentação . O facto de ser certificada para a norma 80 Plus pode fazer com que custe mais um pouco que a média, mas isso indica que a sua eficácia energética é superior, o que acaba por se reflectir na conta da electricidade no fim do mês.

Não compre potência de que não necessita. Faça um cálculo ao hardware que vai ter dentro do computador, some as potências máximas necessárias e ponha em cima uma margem de 30 por cento. Verá que, para a maior parte dos cenários, uma fonte entre os 400 e os 600 watts é suficiente.

Antes de terminarmos, relembramos a maior das dicas: procure sempre na Internet pelos melhores negócios. Apoie-se em sites específicos para a comparação e flutuação de preços, como o KuantoKusta . E boas compras.

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