Na próxima segunda-feira tem início mais uma edição do Mobile World Congress. Uma das maiores feiras mundiais de comunicações móveis, o evento deverá este ano contar com cerca de 1.500 expositores que se arrumam num novo espaço de exposição, maior e mais moderno.



A nova casa do Mobile World Congress, a Fira Gran Via, é próxima da antiga e mantém o espaço para uma área de exposição e uma zona de conferência, pela qual irão passar durante a semana alguns dos mais influentes líderes do sector.



Portugal faz-se este ano representar na feira com seis stands e sete empresas, que levam a Barcelona inovações desenvolvidas recentemente, aproveitando esta montra global. Muzzley, Aptoide, NDrive, NMusic, Open Idea, Wit Software e WeDo Technologies são os representantes nacionais desta edição 2013, numa mistura de repetentes e estreantes.



Muzzley: a estreante


Entre os estreantes está a Muzzley, um propjeto fundado por dois empreendedores portugueses: Eduardo Pinheiro e Domingos Bruges. A empresa vai à feira mostrar a tecnologia que desenvolveu e que lhe valeu um passe para Silicon Valley, onde estão agora centralizadas operações.



A tecnologia Muzzley tira partido de funcionalidades e sensores disponíveis nos smartphones e por essa via cria interação com outros dispositivos ou aplicações. Em Barcelona a dupla irá demonstrar esta integração/interação em várias situações: com uma Smart-TV, com uma set-top-box Android, com uma set-top-box de um fornecedor de serviços de Internet TV, ou mesmo com um micro-controlador.



Quem passar pelo expositor da Muzzley poderá experimentar a tecnologia e conduzir um carro telecomando, usando um dos widgets desenvolvidos ou o próprio smartphone.



Na ainda curta história de vida da Muzzley tudo tem acontecido rapidamente: a empresa conseguiu em pouco tempo angariar investidores para desenvolver o negócio, promover a tecnologia e fechar o primeiro contrato em Portugal (com um operador de TV paga que ainda não lançou oferta baseada na tecnologia). Em 2012 ainda teve tempo para ganhar um concurso permitiu uma passagem por Silicon Valley. A estadia era para ser de três meses, mas converteu-se em definitiva, com a abertura de um escritório local a partir do qual os dois sócios estão agora a desenvolver o negócio.



Para Barcelona as expectativas só podem por ser elevadas. "Vamos estar a apresentar o nosso produto junto de muitos dos nossos potenciais clientes", sublinha Eduardo Pinheiro. "A nossa expectativa, claro, passa por conquistar algum destes potenciais clientes (fabricantes & service providers)".



Na agenda, Eduardo e Domingos levam já várias reuniões e apresentações marcadas, algumas com grandes empresas, que representam potenciais clientes na Europa, Ásia e América do Norte. "Queremos entrar em qualquer um destes mercados e uma feira desta dimensão é o melhor lugar para iniciarmos o contacto para o trabalho que se segue", explica Eduardo Pinheiro.



Eduardo e Domingos estão a analisar a possibilidade de participar noutras feiras este ano, mas ainda não têm definidas quais. Certa já é uma visita à China em abril, para dar resposta a um convite que permitirá ir mostrar a plataforma a um grupo de investidores.



Entre Portugal e os Estados Unidos a Muzzley soma 11 colaboradores e dedica boa parte dos esforços aos contactos com potenciais clientes e com programadores, junto de quem quer dar a conhecer a plataforma e potenciar o surgimento de novas aplicações.



No Mobile World Congress a empresa apresenta-se no App Planet - Hall 8.1 Stand 8.1F32.

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Aptoide: à procura de novas parcerias

A experimentar o potencial do Mobile World Congress estará também a Aptoide, um marketplace para aplicações Android, que permite aos programadores criarem lojas alternativas ao Google Play. A oferta pode ser conhecida a partir do site do projeto.

A plataforma foi idealizada por Paulo Trezentos e já soma números interessantes. Neste momento a média diária de downloads ronda 1,25 milhões, para cerca de três milhões de pageviews e uma oferta de 90 mil aplicações, o que faz da Aptoide "uma das plataformas disponibilizadas por uma empresa portuguesa com maior projeto no mercado global", destaca o responsável.



Em Barcelona a tecnológica quer dar a conhecer a plataforma, tentando chegar junto a potenciais Publishers de Software e possíveis clientes (OEM, Telecom, Integradores), mas quer também apresentar novidades.


O programa Certified Publishers Program e o Partner Program são duas destas novidades. O primeiro vem dar maior poder aos publishers para gerirem as suas apps dentro do ecossistema Aptoide; enquanto o segundo permite a OEM e Telecoms encontrarem uma oferta ajustada, explica Paulo Trezentos.




Em apresentação estará ainda a Aptoide TV, uma versão ajustada a televisões e que é um resultado de um desenvolvimento conjunto com outra empresa portuguesa: a Muzzley.



Este ano a Aptoide considera participar em mais feiras internacionais mas só decide após o balanço da participação no Mobile World Congress. Neste e em futuros certames nos quais possa participar este ano, os grandes objetivos são conquistar mais publishers e desenvolver parcerias com OEMs e Telecoms, interessadas em disponibilizar a sua própria loja Android.

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Wit-Software: A repetir receita de sucesso

Mais habituada a estas andanças, a Wit Software também estará em Barcelona, como tem feito desde 2006. Tal como a WeDo, a PT Inovação (Open Idea) ou a NDrive, a empresa de Coimbra é uma repetente na feira mundial das comunicações, que em 2013 não falha o encontro e que vê o evento como ingrediente chave para crescer - nos últimos anos cresceu 227%.



No certame irá apresentar novas versões da suite de produto na área do RCS (Rich Communication Suite), incluindo novas apps para Android, iPhone, iPad, Android Tablets, PC, IPTV e WebRTC.



"Depois do lançamento comercial do joyn em 2012 na Espanha e na Alemanha esperam-se lançamentos noutros países durante 2013 e a WIT está bem posicionada neste eco-sistema devido ao facto de ter sido seleccionada pelo GSMA como Official Provider das aplicações joyn para Android e iOS.", adianta Luís Silva, CEO da empresa.



A Wit vai estar localizada no Hall 6 do MWC, no stand 6G80. Este ano marcará também presença no IMS World Fórum em Abril, no CTIA e no AcmePacket Interconnect nos Estados Unidos e no Rich Communications, em Berlim. Para além destas, a empresa planeia outras presenças em eventos internacionais organizados pela GSMA.

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NDrive: Apresnetar um novo produto

Passamos à Ndrive, que fixa a atividade no desenvolvimento de sistemas de navegação. Ao contrário de anos anteriores, em que o destaque da presença é o upgrade do software de navegação, este ano a NDrive apresenta em Barcelona um novo produto, o NLife.


A aplicação, que a empresa mostra no site, será distribuída através das lojas do iOS e Android. Nos países onde a NDrive tem parcerias exclusivas a aplicação será integrada nos produtos existentes como um update. É o que irá acontecer, por exemplo, no TMN Drive.



A NDrive está no Hall 8.1, stand J26 e conta com uma área de exposição de 77 metros quadrados. Vai dividir o espaço com a NMusic, empresa que desenvolveu a plataforma comercializada pela TMN como Music Box. O TeK também contactou a NMusic, que não respondeu às questões.



"A MWC é para a NDrive uma feira crucial, em termos de comunicação da evolução dos seus produtos. É provavelmente a feira que mais destaque dá a software-houses e que, nos últimos anos, mais relevância deu a este ecossistema de apps", justifica Luís Soeiro.



O responsável de marketing da empresa diz que a NDrive tem consciência que a navegação não será este ano "a novidade "sexy" da feira", mas mesmo assim continua a ser imprescindível para a marca assegurar presença, se quer garantir projeção.



"Não há projeção da marca e dos seus produtos; por outro lado é o local onde se fomentam reuniões ao mais alto nível, gerando em alguns casos parcerias de sucesso". Um exemplo concreto destas oportunidades, na realidade da NDrive, é a parceria que a empresa tem com a Logicom, que em parte resultou de contactos realizados na feira.

Este ano a empresa pondera ainda marcar presença em feiras na Ásia, nomeadamente Hong Kong.

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WeDo: à procura de novos mercados

A WeDo Technologies volta em 2013 a Barcelona pela décima vez para mostrar a nova versão do RAID, um produto líder de mercado na área do Revenue Assurance, que é atualizado anualmente e cuja apresentação é por regra feita em Barcelona.



Sérgio Silvestre, vice-presidente da empresa para a área do marketing, parcerias e novos mercados, explica que a nova versão 7.0 é uma aposta para consolidar presença nas telecomunicações, mas também para conquistar clientes noutros mercados, como o grande retalho, energia, banca e seguros.



A WeDo vai estar no Hall 7, stand 7B94, com uma presença significativamente maior que a do ano passado. O reforço da aposta em ano de crise é explicado assim por Sérgio Silvestre: "é fundamental desenvolver a relação com clientes, parceiros, jornalistas, analistas e influenciadores de todo o mundo".



Garante o responsável que isso só produz efeitos se a presença for adequada e bem trabalhada. "É impossível conseguir retorno efetivo se a empresa apenas investir no stand e simples presença dos seus colaboradores. Há muito trabalho de preparação que é necessário desenvolver", acrescenta.


Este ano a WeDo conta ainda participar na Futurecom no Brasil, na TMForum em Nice, em São Paulo, Singapura e São Francisco e ainda na Africacom, na África do Sul, para além dos eventos que a própria empresa organiza.



No total, anualmente, são cerca de 40 eventos aqueles em que a WeDo marca presença. Destaca-se uma aposta crescente em eventos do sector do retalho no Reino Unido e Estados Unidos.


Uma curiosidade a registar em relação à presença da WeDo este ano no Mobile World Congress é que a empresa aparece na lista de presenças com identidade do Reino Unido, uma questão meramente administrativa garante Sérgio Silvestre.


"É um tema administrativo em parte relacionado com a mudança do local do evento e de todo o processo", explica.

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Open Idea: A apostar nas comunicações M2M

Na mesma lista de repetentes portugueses no MWC está a PT Inovação, que desde o ano passado participa neste tipo de eventos internacionais com uma marca mais global, Open Idea.



O Carrier Ethernet 2.0, de que o TeK já falou esta semana, é um dos destaques da empresa na feira mas não o principal. Na feira a PT Inovação vai mostrar a plataforma M2M que desenvolveu e que está a ser usada pela PT, que já lançou os primeiros serviços.



Alcino Lavrador, CEO da PT Inovação, defendeu ao TeK que as comunicações M2M serão um dos grandes temas da feira, à medida que cada vez mais sistemas e sensores utilizam as comunicações móveis para comunicar com os sistemas de controle.



Este ano a PT Inovação tem na agenda as mesmas três feiras em que tem participado nos anos anteriores: MWC, AfriocaCom e FutureCom (em São Paulo para a américa latina). Mesmo em tempos de contenção é preciso procurar mais ativamente o mercado, adiantou o mesmo responsável, justificando a manutenção do nível da aposta da PTI neste tipo de eventos.



Em 2012 o Mobile World Congress recebeu um número recorde de 67 mil visitantes, incluindo 3.500 CEO, oriundos de mais de 200 países. A área de exposição ocupada atingiu os 70.500 metros quadrados e o número de expositores foi idêntico ao esperado para este ano: 1.500.

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Nota de redação: Corrigida informação sobre o número de empresas portuguesas no Mobile World Congress. São seis stands de tecnológicas portuguesas, mas as empresas são sete.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Cristina A. Ferreira

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