É difícil avaliar em que medida a Internet, com as suas redes sociais, e os telemóveis contribuíram para a queda dos regimes tunisino e egípcio, mas o seu papel nos movimentos de contestação social que têm agitado o mundo árabe é incontornável, nestes e noutros locais onde há protestos em curso, como a Líbia, Argélia, Bahrein, Irão, Jordânia, Marrocos e Iémen.



Depois da Tunísia e do Egipto, foi a vez da Líbia e de Marrocos se servirem destes "palcos online" para a mobilização das "massas". Em ambos os casos, o Facebook serviu como "ponto de encontro".



"Revolta de 17 de Fevereiro de 2011: para fazer um dia de ira na Líbia", era o nome do grupo que apelava a uma revolta contra o regime de Muammar Kadhafi, e que reunia, na altura, mais de 4.400 membros. Um outro grupo, com mais de 2.600 elementos, convida o povo líbio a sair à rua por "um dia contra a corrupção e o nepotismo".



Passados alguns dias sobre o início do movimento de contestação, a Líbia está a "ferro e fogo", e a Internet e os telemóveis são mais uma vez a arma mais poderosa dos civis.
Mensagens no Twitter, vídeos gravados com o smartphone e depois publicados no Facebook, ou mesmo no YouTube, plataformas que servem de veículo para os manifestantes expressarem a revolta contra os seus dirigentes políticos e, em alguns casos, para mostrarem as represálias sofridas.



A rede social criada por Mark Zuckerberg foi também o ponto de partida para a concentração de milhares de pessoas, no passado domingo, em Rabat, Marrocos.



A página do grupo que organizou o protesto contra o Governo marroquino e o seu rei
- Movimento por Mudanças 20 de Fevereiro - reunia o apoio de mais de 22 mil pessoas.

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Longe da dimensão árabe - até porque o cenário político é diferente… - em Portugal o Facebook também tem sido usado como ponto de partida para a criação de movimentos de contestação.



Actualmente a rede acolhe mais do que uma iniciativa, como é o caso do "Protesto da Geração à Rasca", uma manifestação marcada para o próximo dia 12 de Março, em Lisboa e no Porto - por enquanto -, e que conta com mais de 20 mil participantes confirmados.



O protesto quer dar voz aos "desempregados, 'quinhentoseuristas' e outros mal remunerados", apelidados de "escravos disfarçados", diz a página do evento. O movimento garante que é "apartidário, laico e pacífico" e pretende apenas demonstrar o descontentamento de quem quer ter direito ao emprego, à educação e a melhores condições de trabalho.



Segundo Paula Gil, uma das organizadoras, em declarações à agência Lusa, este foi "um movimento espontâneo e cívico" para "criar um grupo de debate" que envolvesse "políticos, empregadores, jovens, pessoas de mais idade, que neste momento se encontram em situação precária".



Paula Gil revela que estava à espera que existisse alguma adesão à iniciativa, pelo número de pessoas que se encontra nesta situação, no entanto não previa "um crescimento tão rápido".



Há, contudo, um outro protesto do género marcado no Facebook. Mais ambicioso, um grupo apelidado de "1 Milhão na Avenida da Liberdade no dia 19 de Março" quer, como diz o nome, juntar um milhão de portugueses na Avenida da Liberdade sete dias depois do protesto da Geração à Rasca, com o objectivo de mostrar indignação pela falta de emprego "as injustiças e as desigualdades" e defender a "mudança de políticas".

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Um outro grupo promete fazer uma "Manifestação em Lisboa contra José Sócrates e contra o Seu Governo!", mas ainda não tem data marcada. O movimento conta com perto de 9.000 seguidores.

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Patrícia Calé

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