O financiamento colaborativo através de plataformas online tomou de assalto a Internet e é atualmente uma das formas mais comuns e apetecíveis de recorrer à ajuda externa para edificar um projeto. O universo das tecnologias da informação é um dos mais bem representados e tem conhecido alguns casos de sucesso.

As consolas Ouya e Game Stick, o equipamento de jogabilidade imersiva Oculus Rift, o relógio inteligente Pebble, a impressora 3D Printrbot, o primeiro telescópio espacial público Arkid, a caneta 3Doodler que escreve em três dimensões e até o drone aquático português Ziphius. Todos estes fizeram uso do Kickstarter e da ajuda de internautas de todo o mundo para concretizarem as suas ideias.

O mais recente projeto de peso a tomar de assalto as plataformas de crowdfunding foi o Ubuntu Edge, smartphone topo de gama da Canonical que promete desdobrar-se entre telefone e computador desktop quando ligado a um ecrã externo. A tecnológica defensora dos modelos open source está a pedir 32 milhões de dólares no Indiegogo para tornar o Edge numa realidade.

Ao fim de três dias já tinham sido angariados seis milhões de dólares. Mas continua a haver uma incerteza que ronda a campanha devido aos altos valores pedidos e que podem tornar o Ubuntu Edge num dos equipamentos mais promissores dos próximos meses, mas também um dos mais desastrosos caso não consiga financiamento.

O TeK fez uma pesquisa e sugere hoje uma visita a alguns dos projetos que prometeram e não tiveram pernas para conseguir os objetivos definidos.

Casetop - 86 mil dólares em 300 mil necessários

O primeiro exemplo tem algumas semelhanças com o Ubuntu Edge da Canonical a nível de conceito. Os empreendedores do Casetop queriam criar uma carcaça de portátil - composta por bateria, ecrã e teclado - à qual poderiam ser conetados quase todos os smartphones por forma a transformar a experiência de utilização mais produtiva e semelhante à de um PC.

Ecrã de alta definição e bateria que estendia o uso do telemóvel por mais 30 horas eram alguns dos argumentos apresentados, mas que parecem ter sido pouco convincentes.

O preço de 250 dólares por unidade parece ter sido o maior inimigo do Casetop. As versões de 75 dólares para os early birds esgotaram rapidamente e se o projeto tivesse disponibilizado mais equipamentos a este preço talvez agora nem constaria nesta lista. Pelo mesmo preço já é possível comprar um portátil Chromebook e com mais algum dinheiro o investimento num portátil mais capaz seria a escolha mais sensata.

DP - 13,37 dólares em 1.500 necessários

Nem todos os projetos pedem quantias avultadas de dinheiro e nem todos os projetos podem ser considerados como tal. O jogo DP falhou em grande parte por causa do criador do projeto que nunca chegou a detalhar e a mostrar como poderia vir a ser o jogo.

[caption]DP[/caption]

A única informação que se sabia era de que ia ser lançado em múltiplas plataformas - sistemas operativos móveis e quase todas as consolas no mercado. Mais mística do que factual, a campanha ainda conseguiu ter três apoiantes.

Caso DP fosse financiado com o sucesso estavam prometidos mais jogos. Os financiadores gostam de saber onde investem o dinheiro e este não era um desses casos.

Big Blue - 55 mil dólares em 665 mil necessários

O fundo do mar era o cenário de ação deste jogo que tinha como produtores as mesmas pessoas responsáveis pelo título Ecco the Dolphin da Sega Mega Drive.

Com o objetivo de criar um jogo com níveis gráficos nunca antes vistos e tentar aproximar a produção de uma sensação de jogabilidade híper-realista, as promessas não chegaram para mover o número suficiente de apoiantes.

[caption]Big Blue[/caption]

Puzzles, demandas, mini jogos dentro do Big Blue e muita vida animal com a qual não se tem contacto todos os dias eram outros elementos que estavam garantidos. Mas faltaram 610 mil dólares para que a ideia se concretizasse.

No universo dos videojogos existem muitos mais exemplos "negativos" de projetos mal-estruturados que não conseguiram atrair o financiamento necessário.

Fly Snowden Fly - ? dólares em 200 mil necessários

A divulgação do esquema de espionagem PRISM protagonizado por Edward Snowden colocou o consultor norte-americano durante alguns dias como uma das figuras mais importantes a nível mundial. O seu processo de extradição - ainda por completar - está inclusive a provocar quezílias diplomáticas entre nações.

A Venezuela já disse que garantia asilo político ao informático delator, mas falta a concretização da viagem. Foi aí que um professor norte-americano decidiu criar uma campanha para financiar todo o processo de extradição para o país da América do Sul.

A campanha teve lugar no Indiegogo e poderia até nem se enquadrar nestas sugestões, mas dado o não cumprimento de objetivos, abre-se aqui uma exceção. Atualmente não é possível ver quanto dinheiro foi doado porque o projeto está em modo de edição - mas como um dos vídeos foi apagado do Youtube, tudo leva a querer que a campanha mal sucedida tornou-se num projeto desaparecido.

[caption]Fly Snowden Fly[/caption]

A 9 dias do fim da campanha tinham sido doados pouco mais de 600 dólares dos 200 mil pedidos.

Errar é humano e falhar prazos é colaborativamente normal

Mas o maior falhanço de todos é: as empresas que conseguem financiar o projeto quase nunca conseguem cumprir os prazos de entrega definidos à partida. Dos 50 projetos com mais sucesso do Kickstarter, 84% falhou na entrega dos produtos dentro do tempo estipulado, segundo dados de uma investigação da CNNMoney realizada em 2012. A Ouya é um dos exemplos mais recentes deste mal que afeta muitas equipas de empreendedores.

Já alguma vez investiram dinheiro num projeto que caiu por terra por não ter recebido financiamento suficiente? Que ideias acharam interessantes e que nunca se concretizaram? Partilhem na caixa de comentários mais projetos mal sucedidos nas plataformas de crowdfunding.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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