A solidão é um problema real e crescente, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo sendo ainda responsável pelo aparecimento de outros distúrbios, físicos e mentais. Como se isso não bastasse, as pessoas que estão sozinhas são as primeiras a negligenciar a sua saúde, a esquecerem-se de si mesmas e são as últimas a pedir ajuda. Foi com base nestas premissas que surgiu a, inicialmente, (só) Ximi.

Há cerca de dois anos a equipa por detrás da aplicação que está prestes a chegar ao mercado saía premiada do Hack for Good. Mas antes disso já havia vontade de desenvolver algo ligado com a área do bem-estar, usando uma filosofia de IoT. “Era esse o nosso desafio inicial”, afirmou Luís Curvelo CEO e co-fundador da empresa, em entrevista ao SAPO TEK.

Contudo, no decorrer da iniciativa promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian, e com base nas muitas interações feitas, perceberam que podiam criar algo muito diferente e capaz de efetivamente contrariar o problema que pretendiam resolver, ou seja, a solidão.

“Penso que encontrámos uma forma ideal para mobilizar e motivar os utilizadores contribuindo para o seu bem-estar e, mais que isso, mitigar a solidão em que vivem”

Na sua génese, a myXimi (cujo nome deriva da palavra proximidade) pretende promover o envelhecimento ativo, combatendo a solidão e o sedentarismo dos mais velhos ao criar dinâmicas de interação e de convívio.

Funciona com um conjunto base de utilizadores, com os quais a app interage lançando desafios e desencadeando contacto social entre os utilizadores. A aplicação tem também uma espécie de agenda médica, que pode ajudar na toma dos remédios e nas visitas ao centro de saúde.

“É como um rio, um fluxo de informações importantes que auxilia os cuidadores e entidades médicas no rastreamento, interação, acompanhamento e, esperançosamente, o evitar da solidão nos seus utilizadores”

Luís Curvelo considera que a myXimi é muito mais do que uma app. “É um portal que interliga os utilizadores com os seus amigos, familiares e comunidades, usando gamificação e inteligência cognitiva para oferecer desafios personalizados, mantendo os seus utilizadores ativos e conectados”, explica.

Com lançamento no mercado português previsto para junho, a aplicação será gratuita para os utilizadores. O objetivo é que possam acumular pontos que resultem das interações com outros utilizadores para serem trocados por vouchers ou ofertas disponíveis na plataforma através de parcerias, por exemplo, na área da comida saudável.

Do Hack for Good para o mundo

Quando o evento acabou, a equipa da myXimi teve a noção de que podia ter um projeto para ir mais longe. Posto isto, participaram no Web Summit, onde fizeram vários contactos e conheceram a Vertical – um dos maiores aceleradores mundiais na área da saúde e bem-estar na Finlândia. “Entre mais de 260 projetos fomos, no ano passado, selecionados e participámos num dos maiores aceleradores mundiais na área da saúde e bem-estar na Finlândia”.

A viagem até ao país nórdico contou com o patrocínio da “casa mãe”, o Grupo Compta permitiu o trabalho conjunto com parceiros como a Samsung Nordics ou a Telia Sonera, entre outros. Entretanto “regressámos a Portugal, fizemos a nossa primeira venda e estamos a arrancar com o projeto no terreno”, esclarece o co-fundador da myXimi.

Neste processo todo, pôr uma app “a funcionar” é o mais fácil, garante. “Temos uma equipa de engenharia 5 estrelas. Claro que as coisas têm de levar o seu tempo a maturar. No nosso caso temos o Grupo Compta, que tem tornado esta viagem possível”. Mas, admite que é cada vez mais difícil conseguir diferenciar uma aplicação, fazer com que os utilizadores a descarreguem, a usem e não a apaguem. “Essa é a diferença entre uma boa ideia e uma ideia com sucesso”, considera.

Depois da equipa, a sua união, o seu propósito e as suas competências, o mais importante é a tração, “aquilo que verdadeiramente os outros pensam, usam e valorizam naquilo que oferecemos”. Estando estas duas vertentes reunidas, “é necessário adicionar os parceiros certos, trabalhar muito e perceber quais são as reais hipóteses de conquistar um lugar no meio da multidão”.

Quanto ao futuro da myXimi depois destes dois anos, o objetivo para 2018 passa por crescer em Portugal, ter mais projetos, solidificar a experiência de utilizador e angariar mais clientes e parceiros. “Sendo o que já começámos a fazer, temos conseguido estabelecer algumas parcerias, estamos a trabalhar com um fabricante de equipamentos”. Com a ajuda da finlandesa Vertical, o próximo passo é escalar fora de Portugal.

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