Foi o próprio porta-voz da empresa, Rodrigo del Prado, quem admitiu que, no dia em que foi anunciado o smartphone Aquaris E4.5 Ubuntu Edition, a BQ recebeu contactos de todo o mundo. A visibilidade da empresa aumentou, assim como o seu portfólio de ecossistemas móveis suportados.

O diretor-geral da tecnológica espanhola admitiu em conversa com o TeK que a possibilidade de ser lançado um smartphone com Windows não está posta de parte. É um cenário que mesmo não estando a ser trabalhado, está em cima da mesa a aguardar novos desenvolvimentos.

Rodrigo del Prado admite estar à espera do lançamento do novo Windows 10 para saber como vai ser feita a convergência que a Microsoft tanto apregoa. Só depois de ver como será este cenário, é que a BQ admite começar a pensar no lançamento do Windows Phone.

"Quando houver a convergência do Windows podemos apostar, mas não está nada confirmado", disse o porta-voz da empresa à margem do evento de apresentação da nova linha de smartphones Aquaris M.

De parte está a aposta no Firefox OS. Rodrigo del Prado considera que ao nível da plataforma - em tamanho e desenvolvimento de apps -, o sistema operativo da Mozilla não difere muito do Ubuntu Phone, pelo que o apoio da empresa vai recair sobre o software da Canonical.

O diretor-geral da BQ admitiu que o entrosamento entre hardware e software foi a parte mais difícil na parceria com a organização do sistema de código aberto, sendo que o desenvolvimento desta "ligação" demorou dez meses - um progresso que não foi feito de forma linear, sendo este um resultado "cumulativo".

A aposta no Ubuntu é para continuar e Rodrigo del Prado esclareceu em conferência de imprensa que esta decisão não passa pelo sucesso comercial do equipamento. O porta-voz escusou-se a revelar números de vendas, mas fez o seguinte comentário: "As vendas foram boas e tanto a BQ como a Canonical estão muito satisfeitas".

Por fim a BQ confirma que vai manter o sistema de vendas flash - o smartphone só está disponível num dia específico da semana e durante um período de horas -, por considerar que assim só compra realmente quem está interessado no equipamento.

Primeiras impressões Ubuntu Phone

A BQ teve disponíveis duas unidades do Aquaris E4.5 Ubuntu Edition para demonstração e a primeira impressão que fica é de que é um sistema operativo que vai exigir aos utilizadores uma curva de aprendizagem significativa.

Todo o interface é controlado por gestos, não havendo botões físicos nem virtuais que ajudem na tarefa de navegação. Mas o Ubuntu Phone já existe há vários meses e podia ser experimentado em alguns telemóveis, como os Nexus da Google.

O sistema operativo neste smartphone específico da BQ - processador de quatro núcleos a 1,3Ghz, 1GB de RAM e unidade gráfica Mali 400 - é fluído, mas não é rápido. As unidades eram de testes, o que pode ajudar a justificar alguma lentidão, mas abrir menus, aplicações ou sites não é algo tão rápido como se vê em dispositivos Android e Windows Phone do mesmo nível de preço, cerca de 170 euros.

Alguns dos serviços mais populares funcionam à base de versões Web - como o YouTube -, mas o Ubuntu tem um sistema de ecrãs fixos que entregam várias informações como as notícias do dia, o tempo para o local onde está e quais os vídeos do momento.

E parece ser quando o Ubuntu depende de conteúdos externos que as coisas ficam mais lentes. Pois o sistema operativo em si pareceu funcional e preparado acima de tudo para uma utilização básica.

O Ubuntu Phone tem ainda muito para evoluir - tanto que este é apenas primeiro dispositivo -, pelo que nesta altura só será aconselhável acima de tudo para quem já é utilizador do Ubuntu em PC ou para quem está afincadamente à procura de um sistema operativo móvel alternativo.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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