Ir a um jardim, entrar num restaurante, degustar uma bebida numa esplanada, visitar um monumento e descansar num hotel são ações básicas para qualquer turista. Mas os turistas de mobilidade reduzida, os que se deslocam em cadeira de rodas por exemplo, podem encontrar obstáculos em algumas destas atividades.



Sair fora do local onde se movimentam normalmente pode significar problemas e isso pode por sua vez significar um desencorajamento a visitar novos sítios. A aplicação portuguesa HereWeGo quer resolver esse problema, ao apresentar-se como uma plataforma de turismo acessível.



O ecossistema funciona da seguinte maneira: os internautas registam-se na plataforma propondo-se como anfitriões; devem fazer acompanhar a sua candidatura dos horários e dos percursos para os quais tem disponibilidade, devendo depois ficar à espera de um contacto; os anfitriões, que podem ser empresas, cobram pelo serviço prestado – que pode incluir espera no aeroporto por exemplo.



Os turistas com mobilidade reduzida vão depois à plataforma procurar quais os anfitriões que pode “alugar” enquanto estiver em determinado sítio. Atualmente a plataforma não permite que seja quem procura a definir a rota, funcionando apenas no modelo acima descrito.

Atualmente a HereWeGo tem mais de 170 utilizadores registados, mas até ao final do ano espera que o número atinja os 1.500 utilizadores. Recentemente a startup madeirense ganhou o prémio InovPortugal da Associação Acreditar Portugal, uma distinção Luísa Aguiar espera que possa trazer uma maior rede de contactos que ajudem a empresa a crescer.

Dos utilizadores registados já existem anfitriões internacionais do Brasil e de Marrocos. Recentemente a empresa recebeu um pedido de um turista brasileiro que gostava de viajar até ao Canadá. Apesar de a plataforma ainda não ter nenhum utilizador registado nesse país, foram feitos contactos para que se arranjasse um anfitrião. A missão foi bem sucedida e dentro de pouco tempo o turista brasileiro vai viajar, sabendo que terá alguém à sua espera no aeroporto e que o vai ajudar a deslocar-se.

A internacionalização é sem dúvida um dos objetivos da HereWeGo, mas Luísa Aguiar explicou em conversa com o TeK que um dos objetivos principais é o de tornar Portugal como um destino preferencial na área do turismo acessível.

A ideia para o desenvolvimento da aplicação surgiu quando Luísa Aguiar trabalhava com uma companhia de dança inclusiva, ficando responsável por organizar as deslocações da equipa. “Não era uma tarefa simples” admite, lembrando por exemplo o grau de dificuldade de acessibilidade a alguns hotéis.

A aplicação está disponível apenas para iOS, mas prevê-se no curto prazo também vai ficar acessível para Android. Estão ainda a ser preparadas novas versões do site e uma remodelação da app que já existe. No futuro, Luísa Aguiar também pretende que a aplicação tenha informação sobre transportes, aluguer de equipamentos e hóteis, funcionando como um mapa interativo.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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