A ideia de lançar um carro Tesla a bordo do Falcon Heavy, esta terça feira, podia ser apenas uma manobra de marketing, mas a verdade é que captou o interesse e entusiasmo da grande comunidade de fãs de Elon Musk. O próprio inventor e gestor tem vindo a partilhar nas suas contas das redes sociais os desenvolvimentos da aventura de Starman, o manequim que está a bordo do descapotável Roadster.

A missão do Falcon Heavy foi bem sucedida: o foguetão partiu do complexo 39A no Centro espacial Kennedy na Flórida, e a sua capacidade de transportar  64 toneladas até à órbita terrestre foi provada, conseguindo aproximar-se do feito do Saturn V em 1973 e abrindo caminho a uma nova fase da exploração do espaço.

A bordo seguia também um Tesla Roadster, com um manequim como piloto, que recebeu o nome de Starman. A ideia inicial era colocar o carro numa órbita heliocêntrica, à volta do Sol, onde permaneceria durante mil milhões de ano, aproximando-se regularmente do planeta Marte.

Elon Musk já tinha admitido que a terceira ignição tinha sido um sucesso e que o Roadster iria ultrapassar Marte, dirigindo-se à cintura de asteroides, entre Marte e Júpiter, mas sem revelar que isso complicava os planos iniciais.

Ontem Elon Musk partilhou uma última foto do Starman, a caminho da órbita de Marte e da cintura de asteroides.

Mas afinal, para onde vai agora o Tesla? A comunidade científica continua a seguir a missão com interesse e a fazer novos cálculos e há agora quem questione as últimas informações. Usando uma ferramenta do Jet Propulsion Laboratory da NASA, alguns astrónomos identificaram diferenças entre os dados que Elon Musk partilhou e os últimos números enviados pela Space X e dizem que a órbita não vai permitir que o carro chegue à cintura de asteroides, escreve o The Verge.

Apesar de Elon Musk ter admitido logo no início do projeto que a possibilidade do carro chegar a Marte era pequena, o sucesso da missão do Falcon Heavy trazia boas possibilidades que parecem agora menores.

Um astrofísico de Harvard, Jonathan McDowell, especialista em viagens no espaço, calcula agora que na próxima década o mais perto que o Roadster vai conseguir chegar estar de Marte é a 4,3 milhões de milhas (cerca de 6,9 milhões de quilómetros), em outubro de 2020.

Na sua viagem solitária no sistema solar o carro voltará a passar também relativamente perto da Terra, a 28 milhões de milhas (cerca de 45 milhões de quilómetros), quase a meio caminho entre o planeta Terra e Marte. Isso acontecerá em Março de 2021.

Não se sabe se o rádio do Roadster continua a tocar a Space Oddity, de David Bowie. Mas no painel do carro a inscrição das palavras de tranquilidade "Don't Panic" (não entres em pânico) podem ser uma boa companhia para uma missão muito solitária.

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