Um grupo de investigadores do Bell Labs, laboratório da Lucent, criaram transístores um milhão de vezes mais pequenos que um grão de areia, com a espessura de um canal de uma só molécula. Esta criação poderá desempenhar um papel importante no desenvolvimento de chips informáticos minúsculos que gastam muito pouca energia.



O tamanho de um canal de um transístor - o espaço entre os seus eléctrodos - influenciam a sua corrente de saída e velocidade de ligação. Os transistores são agregados de forma a constituirem os "cérebros" dos computadores e todos os outros dispositivos electrónicos.



Através do recurso a moléculas orgâniocas e de um processo de auto-reunião, os cientistas reduziram as dimensões dos transístores para cerca de um ou dois nanometros, ou seja, um bilionésimo de um metro.



Na investigação que foi publicada hoje no mais recente número da revista científica Nature, os cientistas afirmam que construiram um inversor de voltagem, um módulo padrão de circuito electrónico frequentemente utilizado nos computadores, que converte um 0 num 1 e vice-versa.



Apesar de ser só um protótipo, esta inovação levanta a possibilidade de um dia os transístores à escala molecular serem utilizados em microprocessadores e chips de memória, multiplicando por milhares o número de transístores que podem ser actualmente colocados em cada chip.



A comunidade científica tem vindo desde há já alguns anos a procurar alternativas à electrónica convencional baseada no silício, devido ao facto de preverem que a miniaturização continuada dos circuitos integrados baseados no silício vai acabar dentro de aproximadamente uma década à medida que os limites físicos são alcançados.



Alguma desta investigação tem-se dirigido à produção de transístores com dimensões moleculares, em que moléculas isoladas são responsáveis pela acção do transístor - a passagem e amplificação de sinais eléctricos.



Esta pesquisa do Bell Labs insere-se num grupo crescente de experiências bem sucedidas em electrónica molecular. Nesta lista inclui-se o trabalho da IBM, empresa que em Agosto anunciou um circuito constituído por átomos de carbono envolvidos entre si em tubos (ver Notícias Relacionadas).



Neste caso, a equipa liderada por Hendrik Schon utilizou uma classe separada de material orgânico, conhecida por tiol - compostos orgânicos semelhantes aos álcoois e que contêm sulfureto bivalente. Os cientistas observaram que as moléculas funcionavam bem na regulação e amplificação do fluxo da electricidade. Os transístores foram reunidos através de um novo processo em que as moléculas se juntam a si próprias entre condutores eléctricos ou eléctrodos feitos de ouro.



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