A Bend Studios tem uma ligação de longa data com a Sony, começando nos primórdios da primeira PlayStation com o lançamento da aclamada (mas defunta) série Syphon Filter. Quando o estúdio foi adquirido em 2000 pela Sony teve como principal missão dedicar-se à produção de videojogos para as suas portáteis, ou melhor, a adaptação dos seus principais sucessos à data, como Resistance: Retribution e duas aventuras de grande qualidade da série Uncharted: Golden Abyss e Fight For Fortune.

Desde então, e há seis anos, que a Bend está a desenvolver o seu primeiro videojogo original em mais de uma década: Days Gone, que tem como responsabilidade ser um dos poucos pilares do catálogo da PlayStation 4 para este primeiro semestre do ano. A fórmula é segura: um mundo aberto (ou semi-aberto) baseado num apocalipse zombie. Com lançamento marcado para o próximo dia 26 de abril, a Sony já começou a sua digressão de promoção e no passado dia 25 de fevereiro trouxe a Portugal Emmanuel Roth, “Senior Staff Animator” da Bend Studio, para um evento realizado no Instituto Superior de Agronomia.

“Fomos influenciados por diversas formas de multimédia, nomeadamente a série televisiva Sons of Anarchy e The Walking Dead”, destaca o representante do estúdio ao SAPO TEK, afastando as mais diretas comparações que têm sido feitas a The Last of Us, um dos grandes sucessos exclusivos da PlayStation, igualmente sobre a temática dos zombies. “Criámos uma história envolvente, que coloca Deacon St. John como protagonista, numa versão antes do apocalipse zombie, em que tinha uma linda esposa, e depois quando teve de sobreviver com o irmão ao terror das criaturas, mas também outros humanos sobreviventes.”, destaca o produtor.

Um dos aspectos que a produtora quis explorar neste título é o conceito de sobrevivência, colocando a personagem num sandbox onde é “possível entrar nos edifícios, vasculhar os seus recursos e utilizá-los para sobreviver”. Mas ao mesmo tempo, contar uma história, que espera ser memorável, com diversas cinemáticas, prometendo ainda algumas escolhas, que embora não modifiquem as linhas principais, dá alguma liberdade aos jogadores. A narrativa terá uma longevidade de cerca de 30 horas, fora as atividades paralelas, habituais neste tipo de jogos "sandbox".

Emmanuel Roth, “Senior Staff Animator” da Bend Studio
Emmanuel Roth, “Senior Staff Animator” da Bend Studio

De notar que os recursos são escassos, e mesmo que a demo tenha sido generosa em oferecer muitas munições e matérias-primas para construir itens, o produtor garante que será necessário gerir muito bem no avançar da aventura. Além disso, os jogadores têm de fazer opções de como gastar esses recursos, seja na construção de medikits para se curar, munições, cocktails molotov, etc. “Não vai dar para tudo”, garante o produtor.

O jogo oferece diferentes abordagens, deixando ao critério dos jogadores a forma como avança, com as respetivas consequências. Sejam elas o ataque direto aos zombies (Freakers), uma aproximação furtiva, ou simplesmente nem entrar em contacto com eles sempre que possível. O jogo tem elementos RPG e a experiência adquirida recompensa com pontos para investir em diversas habilidades, de acordo com a forma de jogar. Se optar por um estilo furtivo, haverão habilidades específicas para sublinhar essa direção. E o mesmo para ação direta, composição de armadilhas e armas, entre outros.

De destacar que o jogo tem mecânicas de horda, ou seja, por vezes os Freakers estão concentrados em grandes grupos, que perseguem o jogador à vista. Neste caso, fugir é uma opção, mas existem diversas armadilhas que podem ser ativadas no cenário, como fazer explodir bidões, para eliminar diversos zombies em simultâneo. Não é aconselhável utilizar armas de fogo e alertar ainda mais zombies em redor.

A moto da personagem será um elemento muito importante na aventura, sendo considerado quase uma personagem. Esta sofre dano, e mais uma vez deverão investir recursos para a reparar. Têm também de abastecê-la de combustível, significando que na “lei” dos motoqueiros, nunca se abandona a moto. Na demo ficou também patente as melhorias feitas na condução, relativas à demo disponibilizada na Lisboa Games Week no ano passado. A mota é agora mais leve e fluida de conduzir.

O produtor adiantou ainda ao SAPO TEK que a cidade de Farewell, um dos palcos da aventura, foi proximamente inspirada da cidade-natal do estúdio, Bend, que fica no Estado norte-americano de Oregon. “É o mais próximo do que poderia ser Bend, seja a natureza em redor, as montanhas, os rios e as cascatas, mas também as condições meteorológicas duras, que mudam rapidamente. Temos ainda caves de lava, que gostaríamos de mostrar no jogo, a diversidade cénica da nossa cidade”, salienta Emmanuel Roth.

Abordado sobre as polémicas em torno dos sucessivos adiamentos de Days Gone, o produtor desdramatiza, referindo que qualquer estúdio pede sempre mais tempo para polir os seus jogos. No entanto, descarta responsabilidades ou dificuldades do estúdio na produção, referindo que os adiamentos foram decisões externas à equipa. Já de olho no futuro, e questionado sobre eventuais sequelas, o produtor respondeu ao SAPO TEK que “quando passas seis anos a produzir um mundo para um videojogo, obviamente que queres fazer mais com o mesmo”…

Também presente no evento estava o ator Filipe Duarte, escolhido para dar voz ao protagonista Deacon St. John. “É o meu primeiro trabalho em videojogo, embora já tenha feito muitas dobragens para filmes de animação, por exemplo”, esclarece o ator, que já tinha sido convidado anteriormente para outros títulos. Filipe Duarte refere que o seu trabalho foi facilitado pelo próprio estúdio de dobragem, a Blue Label, que faz uma preparação aprofundada da personagem, e das situações, estando igualmente aberta às sugestões e feedback dos atores.

O ator Filipe Duarte dá a voz portuguesa ao protagonista Deacon St. John
O ator Filipe Duarte dá a voz portuguesa ao protagonista Deacon St. John

Neste caso em concreto, Filipe Duarte é motard assumido e a sua experiência direta ajudou a moldar a versão portuguesa do protagonista. “A equipa até separa os textos, guardado as sessões de gritos à parte, para não nos cansarmos tanto”, salienta o ator, referindo a liberdade de traduzir termos e piadas para o contexto português. “Nota-se um trabalho notório da PlayStation Portugal, que traduz todos os seus jogos e faz um investimento nas dobragens. Embora não seja um dos trabalhos mais bem pagos (mas também não é nada mau), fazer voz para videojogos é um trabalho de paixão, acima de tudo”, desabafa o ator, referindo que trabalhou durante um ano no jogo, em sessões de quatro horas e meia, sempre que era chamado.

Days Gone chegará às lojas portuguesas no próximo dia 26 de abril e será um exclusivo PlayStation 4.

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