A capacidade de editar genes em organismos vivos oferece a possibilidade de tratar uma infinidade de doenças hereditárias. No entanto, muitos tipos de ferramentas de edição de genes não são capazes de atingir áreas críticas do ADN, como a região não codificante. Mas uma nova tecnologia pode ter dado um novo passo nesse sentido.

O novo procedimento designado por SATI foi desenvolvido pelo Salk Institute for Biological Studies, um centro de investigação científica localizado nos Estados Unidos, e foi testado num relatório publicado recentemente na revista Cell Research.

As técnicas que modificam o ADN, sobretudo o sistema CRISPR-Cas9, apresentam um maior nível de eficácia na divisão de células, como as da pele ou do intestino, recorrendo aos normais mecanismos de reparo das células. Mas agora, tal como explica o coautor do estudo, a investigação tentou "criar uma ferramenta versátil para direcionar a região não codificante do ADN, o que não iria afetar a função do gene e permitiria o direcionamento de uma ampla gama de mutações e tipos de células".

Tek neurónio
Deteção de um neurónio através da tecnologia SATI

A região não codificante do ADN não contém "instruções" para produzir proteínas e constitui a maior parte do tamanho total do genoma, que integra o código genético com a informação hereditária de um organismo. Por isso, esta tecnologia pode ser bastante valiosas para terapêuticas futuras. Para provar essa potencialidade, Mako Yamamoto explica que a investigação se focou “num modelo de envelhecimento prematuro causado por uma mutação difícil de reparar com as atuais ferramentas de edição de genomas", a síndrome progeria.

A tecnologia que alterou o genoma permitiu que a equipa detetasse uma ampla variedade de mutações e tipos de células. De acordo com os cientistas, este sistema poderá ser expandido para uma ampla gama de condições de mutação genética nos humanos, como a doença de doença de Huntington, uma alteração hereditária do cérebro, e uma doença rara que provoca um envelhecimento prematuro, progeria.

Os cientistas testaram a tecnologia em ratos vivos com progeria, provocada por uma mutação no gene LMNA, e depois de aplicada, os investigadores notaram regressões de envelhecimento em vários tecidos, como a pele, juntamente com uma extensão do tempo de vida de 45%, quando comparados com os ratos a quem não foi aplicado este processo.

Resultado de uma melhoria de outro método desenvolvido pelo Instituto, o SATI insere uma cópia normal no gene afetado na região não codificante do ADN. Esse novo gene integra-se no genoma ao lado do gene antigo através de várias formas de reparo do ADN, aliviando o organismo dos efeitos prejudiciais do gene original mutado, sem o risco de dano associado à sua substituição total.

Na publicação onde explica o estudo, o Instituto cita um dos autores da investigação e professor no Salk Institute, que garante que "a investigação mostrou que o SATI é uma ferramenta poderosa para a alteração do genoma". "A tecnologia pode ser útil no desenvolvimento de estratégias eficazes para a substituição do gene alvo de diferentes tipos de mutações e abre portas para o uso de ferramentas de edição de genoma para curar possivelmente uma ampla gama de doenças genéticas", refere Juan Carlos.

Os investigadores falam agora na possibilidade de uma extensão de 10 anos de vida no caso da doença de envelhecimento prematuro para os seres humanos e pretendem melhorar a eficácia da tecnologia, aumentando o número de células que incorporam o novo ADN.

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