Os apagões verificados em Agosto último nos Estados Unidos e Canadá indicam que as infra-estrututura que suporta a Internet não está preparada a nível de energia alternativa para este tipo de acontecimentos, sugere o resultado de um estudo da Renesys. O blackout de Agosto último afectou 50 milhões de pessoas nos Estados Unidos e Canadá, causando prejuízos de mais de 5.000 milhões de dólares. O apagão não foi apenas o maior na história dos EUA, mas também o primeiro da sua dimensão desde o aparecimento da Web.



A escala e duração das falhas de ligação à Internet registadas durante o apagão sugerem, segundo o estudo, que sem mais investimento em sistemas de energia de backup, a Internet não conseguirá substituir a rede telefónica como meio de comunicações alternativo.



"Enquanto as maiores redes de fornecimento - os backbones Internet - aparentemente não foram afectados pelo apagão nos Estados Unidos, muitos milhares de redes importantes e milhões de utilizadores individuais ficaram offline durante horas ou dias", indica o relatório. "Bancos, fundos de investimento, serviços empresariais, fabricantes, instituições de ensino, hospitais, ISPs e unidades estatais estiveram entre as organizações afectadas".



A 14 de Agosto, nos EUA, o apagão afectou mais de 9.700 redes de clientes, pertencentes a mais de 3.500 organizações, indica o relatório. Um terço destas redes sofreu de "suspensão anormal de conectividade" durante o blackout. Dessas, mais de 2.000 sofreram de falhas de ligação graves durante um período de tempo superior a quatro horas, e mais de 1.400 redes durante mais de 12 horas - e algumas por períodos que excederam as 48 horas.



As redes vitimas de suspensão anormal de conectividade pertenciam a mais de 1.700 organizações, e cerca de 1.000 entidades perderam a ligação a todas as suas redes durante um período de tempo superior a quatro horas. Aproximadamente metade dessas organizações envolvidas em routing Internet perderam a conectividade a algumas ou a todas as suas redes na área do apagão.



As falhas não foram causadas por atacantes nem por outra qualquer ameaça Internet que tivesse surgido na altura, de acordo com um relatório oficial intitulado "Interim Report: Causes of the August 14th Blackout in the United States and Canada", apresentado a semana passada por um Grupo de Trabalho para a segurança e citado pela News.com.



"As investigações até à data não fornecem qualquer evidência de que existe mão humana responsável ou que tenha contribuído para a falha de energia", indica o estudo. "Também não existe evidência, nem qualquer informação que sugira que os vírus ou worms que circulavam na altura pela Internet possam ter tido um impacto significativo".



O relatório não afasta a ameaça de um ciberataque que afectasse infra-estrutura crítica da Internet. A possibilidade de existirem hackers com responsabilidade na falha de energia de 14 de Agosto último continua a ser investigada pela Unidade de Trabalho.



Contudo, o estudo da Renesys salienta que os efeitos específicos do blackout na disponibilidade da Internet foram geograficamente bem identificados, não tendo sido encontrada qualquer evidência de falhas em cascata que afectassem a estabilidade global da Internet.



Uma teoria apoiada pelo London Internet Exchange (LINX), pelo qual passa mais de metade de todo o tráfego Internet europeu. De acordo com uma porta-voz do LINX, em meados de Agosto verificou-se uma ligeira depressão no tráfego que passa através dos routers LINX, mas muito pequeno para ser considerado significante. "Fazemos o routing de muito tráfego de ISPs nos Estados Unidos, por isso se o tráfego os tivesse afectado, teríamos visto", afirmou . "Não registámos qualquer problema em Agosto. O tráfego Internet continuou a fluir".

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