Antecedendo a quinta reunião da Comissão Interministerial para a Sociedade da Informação (CISI), um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, o ministro Mariano Gago apresentou esta manhã à imprensa os principais documentos relativos à avaliação das metas da Iniciativa Internet e do Plano de acção eEurope 2002 e vários estudos entretanto realizados. A somar a estes relatórios foram ainda entregues o Inquérito à utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação nas empresas 2000-2001, o Inquérito ao Comércio electrónico 2001, a Caracterização do espaço Web sob o domínio de topo .pt e o resultado da primeira avaliação externa de Web sites dos Organismos da Administração Directa e Indirecta do Estado.



Durante a manhã foi também assinado um protocolo com o ministro brasileiro para a Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, que visa a cooperação entre os dois países. O acordo pretende reforçar a cooperação nos domínios das TIC e o desenvolvimento de iniciativas conjuntas ao nível das redes electrónicas, processamento computacional da língua portuguesa e da produção de conteúdos digitais. Foi ainda assinado um outro protocolo entre a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), a Portugal Telecom, pela parte portuguesa, e a Rede Nacional de pesquisas (REN) e a Embratel, ambas pela parte brasileira, para a ligação das duas redes académicas.



Falando na qualidade de presidente da CISI, Mariano Gago procedeu a uma avaliação de vários indicadores considerados fundamentais para a avaliação da Sociedade da Informação em Portugal. De entre tanta informação a digerir, o ministro salientou que a sua visão é de que "a evolução da Internet nos últimos anos, sobretudo nos últimos três, foi muito rápida em quase todos os indicadores, estando as actuais fronteiras e dificuldades na expansão da banda larga em Portugal".



O ministro explica que há três anos atrás as principais dificuldades estavam situadas na relação custo/benefício da utilização de computador para aceder à Internet em relação aos resultados esperados. "Combatemos esse problema com incentivos fiscais à aquisição de computadores pelas famílias e com a criação de espaços públicos gratuitos de acesso à Internet, estando já 145 espaços aprovados e mais de 60 em funcionamento", refere, "mais um passo importante foi a assinatura de um protocolo com a Anafre para a disponibilização de postos de acesso à Internet em todas as juntas de freguesia". "Actualmente a nova fronteira está na disponibilidade em todo o território e a menor custo de acesso à Internet em banda larga", conclui Mariano Gago.



De entre os documentos hoje em análise pela Comissão Interministerial para a Sociedade da Informação, fica abaixo um breve resumo dos dados, que o TeK irá apresentando ao longo das próximas semanas em análises mais específicas.




Documentos em análise

Dos documentos apresentados, o ministro destacou nos indicadores de utilização de Tecnologias de Informação nas empresas, que constam do documento "Inquérito à utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação nas empresas 2000-2001", o crescimento registado no número de empresas com pelos menos um computador, que já atingem actualmente os 89 por cento quando em 2000 era de 82 pontos percentuais. Este crescimento foi mais visível na ligação à Internet, que está presente em três quartos das empresas nacionais, subindo vinte por cento em relação aos resultados apurados na edição anterior do mesmo inquérito, e nas empresas com presença na Internet que são actualmente 37 por cento.



Porém, apesar deste crescimento, a utilização das tecnologias pelos funcionários das empresas, quer no acesso ao computador quer à Internet, são indicadores de evolução lenta. Apenas 37 por cento dos trabalhadores utilizam o computador e só 18 por cento têm acesso à Internet, números que pouco progrediram em relação aos apurados em 2000, quando se registo 34 e 11 por cento, respectivamente.



Mariano Gago destacou também a subida do indicador de número de empresas que utiliza o sistema de comércio electrónico para efectuar a aquisição ou venda de bens e serviços, um valor que passou de 8 por cento em 2000 para 18 por cento considerados agora. "Este é um indicador que duplicou e estamos aqui longe da estabilização, pelo que é preciso aqui fazer uma análise mais detalhada", explica o ministro quando questionado sobre o enquadramento possível para este crescimento. "Temos hoje como indicação que da parte das empresas a maior barreira para a utilização do comércio electrónico é o facto dos bens e serviços não serem passíveis de ser transaccionados neste meio", explica Mariano Gago, pelo que tem de se analisar melhor esta área.



Em relação à medição dos Conteúdos no domínio de topo .pt, que fazem parte de um documento elaborado pelo Observatório das Ciências e das Tecnologias em colaboração com o Departamento de Informática da Universidade do Minho "Caracterização do espaço Web sob o domínio de topo .pt", o ministro confessou que este trabalho está a ser aperfeiçoado, já que actualmente faz apenas uma análise superficial dos sites, não abarcando os que têm bases de dados e funcionam com sistemas de geração de páginas dinâmicas. Ainda assim, o crescimento apresentado em termos de conteúdos foi significativo, mas centrado sobretudo em texto, referiu Mariano Gago, alertando para o facto dos conteúdos áudio e vídeo não estarem a crescer ao mesmo ritmo.



Quanto à "Avaliação Externa de Web Sites dos Organismos da Administração Directa e Indirecta do Estado", o relatório final apresentado foi realizado pela Accenture, empresa seleccionada por concurso para esta avaliação que tem uma periodicidade semestral. De acordo com o sumário executivo a avaliação foi realizada por método de observação directa e uso de ferramentas auxiliares e ainda através de uma autoavaliação por inquérito enviado aos organismos.



Em análise estiveram os Conteúdos, a sua actualização, acessibilidade, navegabilidade, facilidades para cidadãos com necessidades especiais e serviços online. A classificação final incidiu sobre 472 organismos, 71 dos quais não posuem presença na Internet, 99 possuem uma página de web site, 10 estão em construção, 8 em remodelação e 6 apresentavam páginas indisponíveis.



Em traços largos, os principais indicadores apontam para o facto de a maioria dos sites (60%) ter uma classificação de Excelente e Muito Bom na acessibilidade e navegabilidade. Os critérios com pior classidicação foram as facilidades para cidadãos com necessidades especiais, com apenas 15 por cento dos organismos a verificarem conformidade com o nível mais rudimentar, enquanto somente 8 por cento mostrou um bom nível nos serviços online. Mariano Gago admite que alguns dos resultados sejam maus, mas que espera que este primeiro relatório encoraje os organismos a melhorarem a sua presença na Internet. "Existem neste estudo recomendações feitas organismo a organismo que esperamos tenha o seu efeito", adianta o ministro.

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