"O futuro do livro não é digital. Há é um futuro para o livro digital", a afirmação é de Miguel Freitas da Costa, secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que participou esta tarde no 2º Congresso Nacional de Propriedade Intelectual, a decorrer na Universidade Nova de Lisboa.



Convidado a responder à pergunta: O Futuro do Livro è Digital? O responsável admitiu que é, para já, difícil antecipar que futuro será o dos livros digitais, reconhecendo que "estamos a assistir a uma explosão dos livros electrónicos", mas sublinhando também que estes "continuam a representar uma ínfima parte do mercado".



Contudo, afirmou não acreditar que o livro digital venha a substituir de todo o formato em papel. A experiência de manuseamento ou a apresentação são diferenças que, na sua perspectiva, manterão a distinção entre os dois suportes, impedindo comparações de igual para igual, e obrigando à coexistência dos dois modelos, no futuro. "Os livros digitais não são livros. São conjuntos de imagens ou textos. Um livro obedece a um determinado formato e é físico", defendeu.



Miguel da Costa frisa ainda que, pelo menos por enquanto, o "futuro do livro digital está muito dependente do livro em papel" e que no futuro também não consegue "imaginar uma situação em que um livro possa sair directamente do autor para o público", acreditando que muitos elementos do modelo que hoje se aplica ao livro físico continuarão válidos para o mundo digital. "Haverá sempre uma edição do livro" antes da publicação, acredita.



Antecipando cenários futuros e como pode a indústria livreira adaptar-se aos novos tempos - enquanto garante que é "falsa a ideia de que há uma guerra entre os livros digitais e os livros em papel" -, o secretário-geral da APEL também considera que a receita da música não pode aplicar-se directamente aos livros. "A situação dos livros não é bem a mesma da música. Ninguém quer ler apenas um capítulo de um livro".



Já à margem do painel em que participou, o responsável afirmou ao TeK estar de acordo com mudanças à legislação que clarifiquem e facilitem a digitalização de livros, mas sublinhou a importância de adoptar modelos que garantam o respeito pelos direitos de autor. Também admitiu que para os públicos mais jovens o livro digital pode ser uma primeira escolha, mas não concordou que será uma saída para recuperar hábitos de leitura, explicando que actualmente os números - que não têm em linha de conta os ebooks até apontam para um crescimento a este nível, no que se refere à realidade portuguesa.



Miguel da Costa também explica que em matéria de direitos de propriedade intelectual e dirietos digitais, a associação é defensora de legislação nacional, por oposição a legislação europeia, por considerar que dessa forma é mais fácil atender à realidade de cada país.



A entidade que dirige tem ainda procurado assegurar um papel activo junto das instâncias europeias e a nível nacional, na defesa dos princípios de protecção que defende.



No mesmo painel de debate participou a responsável pelos assuntos legais da Google em Portugal e Espanha e o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa. A primeira explicou a lógica do Google Books, como uma forma de trazer para a Internet livros que, de outra forma, estariam inacessíveis ou disponíveis para um público muito mais restrito.



João Palmeiro da API detalhou as iniciativas que a entidade tem levado a cabo no sentido de aumentar os mecanismos de protecção de direitos de autor, nomeadamente no que se refere à divulgação online dos conteúdos da imprensa protegidos por direitos de autor.




Nota de redacção: A notícia foi corrigida no cargo do responsável da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, mal identificado no programa do evento e mal indicado pelo TeK. Miguel da Costa é secretário-geral da associação e não presidente, como se referia.

Cristina A. Ferreira

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