A publicidade, os pagamentos e a resolução de litígios estão entre os temas que mais preocupa discutir na ligação dos utilizadores com a Internet e os serviços prestados online, na opinião de Teresa Moreira, da Direção-Geral do Consumidor.

“A grande questão é que os consumidores não estão conscientes dos cuidados a ter no mundo digital”, referiu a diretora-geral ao TeK, à margem do colóquio sobre a proteção dos consumidores na Economia Digital. “Pessoas que até dominam a situação do ponto de vista tecnológico, muitas vezes não têm consciência que é preciso ter cuidados específicos, mesmo para meras consultas na Internet e sobretudo quando fazem aquisições”.

A publicidade, nomeadamente a comportamental, é uma das preocupações atuais do organismo e foi, por isso, um dos temas em destaque no colóquio realizado esta terça-feira, em Lisboa, para assinalar o Dia Mundial do Consumidor.

“Estou convencida que a esmagadora maioria dos consumidores não tem consciência de que as suas consultas - meras consultas, atenção, não estamos a falar de aquisições - correspondem a uma expressão dos seus interesses e preferências e permitem às empresas venderem-lhes bens e serviços de acordo com esses interesses e preferências”, referiu teresa Moreira. “Mais, permitem aos players venderem as nossas preferências a terceiros para que os anúncios nos sejam dirigidos”.

A responsável da DGC salvaguarda que considera interessante que se possa receber publicidade dirigida, “mas gostaria que todos nós tivéssemos consciência de que estamos implicitamente a autorizar essa publicidade dirigida e tenho quase a certeza que a maior parte das pessoas não tem essa consciência. Há uma grande falta de informação”.

A situação sai agravada com a utilização de equipamentos móveis, “com os seus ecrãs mais pequenos, em que pode haver mais cliques errados e mais consequências para o utilizador”.

Embora hoje já existam muitos mecanismos de segurança, os pagamentos continuam a gerar falta de confiança entre os cibercompradores ou aspirantes a, “quer em linha, quer nos pagamentos móveis”, e por isso são um tema de enorme sensibilidade para a Direção-Geral do Consumidor, que merecerá um próximo colóquio.

No fim da linha da cadeia das compras online está a preocupação em assegurar a resolução simples e rápida de litígios, “não para incentivar a reclamação por parte dos consumidores, mas para estes saibam logo no momento em que fazem as suas compras que há mecanismos que podem ajudá-los caso surja algum problema”.

A ODR - Online Dispute Resolution, ou RLL na sigla em português, é a mais recente resposta nesse sentido. A plataforma europeia começou a funcionar há precisamente um mês e até agora ainda não recebeu qualquer reclamação de consumidores portugueses, adiantou Teresa Moreira.

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