No seguimento da quinta reunião da Comissão Interministerial para a Sociedade da Informação (CISI), – órgão dependente do Ministério da Ciência e Tecnologia, na qual o ministro Mariano Gago apresentou os principais estudos relativos à avaliação das metas da Iniciativa Internet e do Plano de acção eEurope 2002 e vários estudos entretanto realizados – o TeK apresenta hoje uma análise mais profunda de um dos documentos. A "Avaliação Externa de Web Sites dos Organismos da Administração Directa e Indirecta do Estado" chama atenção para alguns critérios que deverão ser melhorados neste sector como a acessibilidade a cidadãos com necessidades especiais que recebeu na sua maioria uma classificação insuficiente.



O estudo semestral foi realizado pela empresa Accenture e compreendeu uma avaliação externa – observação online dos sites e utilização de ferramentas auxiliares – e uma auto-avaliação – através do envio de inquéritos aos organismos. Quanto aos critérios de avaliação estes incluem os conteúdos e actualização dos mesmo, acessibilidade, navegabilidade, facilidades para cidadãos com necessidades especiais e serviços online.



Dos 501 organismos observados no estudo, seis foram já descontinuados e um auto-excluído devido ao seu carácter ser essencialmente privado, restando 494 a funcionar. Destes, 71 não têm presença na Net, 302 possuem presença autónoma ou site, 99 uma página Web, 10 estão em construção, 8 em remodelação e 6 têm as páginas indisponíveis.



Em 55 por cento dos sites visitados a sua missão é apresentada, no entanto, não se encontra bem definida em muitos casos. Já a estrutura orgânica é efectuada em grande parte dos sites assim como a indicação dos contactos gerais – o critério com melhor resultado. Quanto aos serviços prestados pelo respectivo organismo estes não estão sempre indicados da maneira mais correcta, embora a diversidade de conteúdos seja razoável. Os aspectos que não estão presentes, ou seja, não considerados prática corrente, são as Perguntas Mais Frequentes (ou FAQ) e a política de privacidade e segurança.



Segundo este relatório, mais de um terço dos sites avaliados apresenta as listas de publicações em formato digital – embora por vezes estas não estejam disponíveis –, formulários para download e a discriminação dos serviços e contactos. Outros factores a melhorar são a introdução de novidades, as datas de actualização nos documentos e a tradução para outras línguas.



Em termos percentuais 50 por cento dos sites analisados têm um bom nível de actualização das estatísticas, publicações ou estudos. Um valor de 39 por cento disponibiliza listas com os eventos a realizar por si ou nos quais participa.



Quanto à acessibilidade, todos os sítios Web dos organismos públicos são acessíveis através do Internet Explorer 5, e a maioria também o é através de outros browsers. No entanto, o tempo de download da primeira página para 50 por cento dos sites visados é de mais de 8 segundos. Em relação à presença nos principais motores de busca – Sapo, Altavista, Aeiou e Yahoo – 76 por cento consegue estar presente em mais de dois, sendo que a busca mais eficiente segundo este relatório é a do Yahoo e Altavista. Em mais de 90 por cento, os URLs dos sites apareceram na primeira tentativa e, quase sempre, em primeiro lugar.



A maioria dos sites (67 por cento) não disponibiliza um mapa que facilitaria a sua navegabilidade, ou sequer um motor de busca próprio, neste caso 70 por cento. No que toca às barras de navegação com três ou mais facilidades a percentagem dos sites é de menos de 40 por cento, e em cerca de 10 por cento detectaram-se links em mau estado ou não funcionais.



Para testar o nível de acessibilidade dos cidadãos com necessidades especiais a Accenture utilizou uma ferramenta que possibilita a verificação do cumprimento das normas e das Directivas do W3C – World Wide Web Consortium. Esta análise foi efectuada em duas fases. Primeiro filtraram-se 89 sites que se encontravam em conformidade com o Nível A de acessibilidade, e com este número procedeu-se à segunda fase que compreendeu uma nova análise a todas as páginas. Os resultados demonstraram que 15 por cento está de acordo com o Nível A da acessibilidade, ou seja, dos 89 sites avaliados 46 estão de facto em conformidade com o Nível A.



Depois de avaliar os serviços online, as conclusões apontam para que somente um terço disponibilize canais de sugestões ou reclamações, e dos 320 organismos que poderiam potenciar a funcionalidade de pagamentos online apenas a reduzida percentagem de 0,67 por cento o faz. Quanto à disponibilização de declarações e formulários para download, 19 por cento dos 207 onde era possível, tem um nível satisfatório, mas apenas 6 permitem o preenchimento e entrega no próprio site. Todavia 154 não dispõe desta funcionalidade, embora os restantes 14 estejam a desenvolvê-la parcialmente.



A disponibilização de newsletters, fórum, chat ou caixa de sugestões ou reclamações, como já foi referido previamente, não é muito comum já que apenas 14 por cento dos sites possuem uma ou mais funcionalidades desta natureza. Já os canais dedicados a helpdesk estão em 27 por cento dos sites.



Relativamente às respostas aos emails enviados para os 297 organismos, 102 responderam rapidamente e 18 um pouco mais tarde, mas num prazo considerado aceitável entre os 5 e os 15 dias úteis. Todavia, 176 organismos não responderam ou fizeram-no já fora de prazo.



Entre as recomendações e melhorias referidas no relatório está a necessidade de identificar as alterações do corpo de texto, a utilização de uma linguagem mais simples, proceder à disponiblização de texto alternativo para as representações gráficas do site salientando a identificação das colunas e linhas, entre outras, de modo a responder às exigências dos cidadão com necessidades especiais. Para a administração pública a recomendação é só uma, e diz respeito à necessidade de harmonizar os endereços URL dos seus organismos.



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