Aposta certa, aposta ganha. A CeBIT decidiu que a edição de 2014 seria totalmente focada no mercado empresarial e a fórmula parece ter resultado. O TeK ouviu nove das empresas portuguesas que estiveram no certame tecnológico de Hanover, um dos maiores do mundo, e todas concordam que o maior foco no business to business (B2B) é bom para o negócio.

Além do mote da internacionalização, transversal às tecnológicas nacionais que se deslocaram até à Alemanha, cada uma levava consigo um objetivo bem definido.

A HookBiz, por exemplo, aproveitou a presença na CeBIT para iniciar a comunicação do projeto, uma rede social para empresas, à escala global. "Ter a possibilidade de perceber o interesse do público neste projeto e ainda analisar se este era um bom veículo para dar a conhecer o projeto", foram duas razões apresentadas por Ricardo Oitavén, fundador da empresa. O responsável da HookBiz também destacou o facto de o contacto com mais players do mercado ajudar na definição de uma estratégia futura para a empresa.

Vender uma rede social num encontro tão grande pode não parecer tarefa fácil, mas Ricardo Oitavén está convencido de que as características da HookBiz, como a transparência, partilha de projetos em tempo real e criação de relações de confiança são razões suficientes para cativar novos utilizadores. "Distribuímos cerca de 500 cartões de visita, 250 flyers e coletámos outros tantos cartões de visita de pessoas e empresas de todo o mundo", exemplifica o fundador da rede social.

E que melhor palco para apresentar um produto novo do que aquele onde já existem centenas de clientes interessados em novas soluções? Foi com este pensamento que a Q-Better levou até Hanôver o Bloom, "um sistema de gestão de filas mais prático e cativante, que tem um design atrativo e intuitivo, que tem uma instalação quase instantânea e pode ser configurado a partir de qualquer tablet e smartphone", explica Carolina Torres.

A empresa também foi à procura "de novos parceiros capazes de aprofundar e alargar a internacionalização da empresa", isto porque a Q-Better já tem presença em mais mercados.
Outro serviço da Q-Better que teve uma receção calorosa foi o sistema de Retail Analytics, "que é uma ferramenta que permite analisar a audiência em tempo real e adaptar a publicidade transmitida nos ecrãs de acordo com a audiência" explicou Carolina Torres, da área de marketing da empresa.

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No caso da Inosat, a empresa de Aveiro especialista em serviços de gestão de frota, a lição já ia bem estudada de casa: queriam arranjar parceiros de negócio oriundos da Europa de Leste e dos países nórdicos. Talvez porque a experiência fala mais alto e os sete anos de participação na feira alemã ajudam a ganhar "calo" na preparação das investidas internacionais.

Na Alemanha a Inosat decidiu apostar nas características diferenciadoras da Inofrota, "uma solução de gestão dos recursos móveis da empresa" que é mais do que a simples localização por GPS e controlo de atividade dos motoristas, explicou ao TeK o diretor executivo, Jorge Carrilho.

De acordo com o CEO, a Inofrota permite "a gestão de tarefas integrada com navegação, a otimização e planeamento de rotas, a análise do estilo de condução, a deteção de roubos de combustível e a possibilidade de utilizar sistemas de comunicação híbrida".

No fim fica a sensação de que a missão foi cumprida com sucesso, tendo a tecnológica cerca de 70 potenciais interessados com os quais vão iniciar um processo de avaliação.

Também a ITPeers teve uma boa receção na feira alemã e a empresa acredita que os contactos estabelecidos se podem traduzir em futuros negócios. Para Hanôver a tecnológica levou duas soluções: o MULTIPEERS, uma ferramenta de monitorização de negócio que envia informações heterogéneas em tempo real provenientes de várias fontes de dados, tanto para desktops como para dispositivos móveis; e o DATAPEERS, "uma suite que permite a criação automática de bases de dados não produtivas" e com altos níveis de segurança.

Diana Costa, responsável de marketing e gestora de canal europeu, deixa aberta a hipótese de vir a participar noutros eventos mundiais da CeBIT, onde poderão atacar os diferentes mercados e criar uma rede de parceiros dos quatro continentes.

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A SDILAB, empresa de Braga, contribuiu ainda mais para o diversificado lote de soluções portuguesas que tiveram em mostra durante os dias 10 e 14 de março. A tecnológica foi à Alemanha promover o ETPOS, "software de faturação certificado para pontos de venda, com interface tátil totalmente desenvolvida em tecnologia exclusiva da empresa" e o ETPLUS, "equipamento de faturação portátil com impressora integrada, direcionado para a venda ambulante", explica Bárbara Freitas, diretora de processos.

Visitantes de 10 países de vários continentes e um grande interesse mostrado por fabricantes de hardware em equipar de origem o software português, é o resultado trazido da Hanôver pela SDILAB. A empresa repetiu a presença do ano passado e para Bárbara Freitas, fica a sensação de que houve menos gente a visitar o certame, mas que os visitantes "foram sem dúvida qualitativamente mais interessantes do ponto de vista do potencial de negócio e parcerias tecnológicas".

A SDILAB é uma das tecnológicas ouvidas que confirma desde já a presença na edição do próximo ano. "Estamos convictos que a CeBIT 2015 será uma oportunidade para continuar a promover os nossos produtos e a reforçar o nosso posicionamento estratégico no mercado externo", explicou a responsável da empresa.

Também a Strategiquest já tem as malas feitas para o próximo ano. A empresa de intermediação de compra e venda de "todo o tipo de material eletrónico, com destaque para os smartphones, telemóveis e tablets", regressou com as expectativas superadas.

"Trouxemos na bagagem boas perspetivas de negócio, fortalecemos os laços já existentes com os nossos parceiros e estabelecemos novos contactos para o futuro", salientou Sital Nandakumar da Strategiquest.

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A repetir a experiência estava a Aveicelullar/Aveidigital que levou para a Alemanha "um pouco de tudo" o que comercializa na área da tecnologia, com destaque para a linha de telemóveis séniores da ZTC, para os acessórios e para os componentes de hardware.

E se já são um habituée na CeBIT é porque conseguem sempre "resultados muito interessantes em cada edição" e "este ano não foi exceção", tendo trazido muitas oportunidades de negócio e contactos, como confirma a equipa da empresa que esteve na feira.

A FreedomGrow, do Porto, marcou presença pelo segundo ano consecutivo. Especialista em sistemas de monitorização, em Internet das Coisas baseadas em dispositivos e redes de sensores sem fios, a tecnológica deu seguimento ao esforço que tem feito para entrar no mercado internacional.

Este ano mostraram a nova versão do PlugSense Framework, solução que permite o "desenvolvimento ágil e rápido de aplicações de monitorização", diz João Correia. A framework é flexível e aplicável a vários segmentos de negócio, ficando aqui três exemplos: o WiSeHotel, sistema de monitorização integrado para a indústria hoteleira; o I-Ramp3, sistemas inteligentes de produção em rede; e o PlugSense Food Safety, uma solução transversal de monitorização para toda a cadeia de valor da área alimentar.

A FreedomGrow também louva a mudança de estratégia da CeBIT e destacou toda a inovação resultante de investigações que foi possível visitar no Hall 9. Para o ano há mais, isso parece certo, tanto que o investimento na CeBIT tem trazido retorno por ser uma das maiores montras de tecnologia do mundo.

Por fim, mas não menos importante, destaque para a estreia da Teleflex na feira. A empresa está a explorar a entrada em vigor de uma nova regulamentação que resultou na criação de um novo departamento na empresa, "dedicado à produção de cordões de fibra ótica com a versatibilidade em termos de cabos e conectores". E a visita à CeBIT não podia ter sido melhor.

"O modo como nos posicionamos atraia apenas os contactos interessados neste tipo de negócio. Estão decorridos apenas três dias úteis após o final da CeBIT 2014 e já temos feedback positivo de alguns contactos", explicou Rui Laranjinha, membro da tecnológica de Aveiro.

Como extra fique ainda com uma galeria que mostra alguns dos stands das empresas portuguesas que fora até Hanôver.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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